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Caminho Português de Santiago – Dia 2: Carapeços – Porriño

Ponte de LimaO amanhecer prometia um belo dia de Verão e a etapa-rainha do Caminho Português esperava-nos! No dia anterior tinha sido um prólogo apenas para verificar o estado das pernas e da máquina. Agora começava o caminho a sério! E para começar bem, o melhor era começar cedo. Assim, às 7h já estávamos prontos para partir, desta vez em duo e bem carregados. Arrancámos em bom ritmo e, cerca de uma hora depois, estávamos a entrar em Ponte de Lima através da magnífica Avenida dos Plátanos. Apesar de ter muito para ver, como já conhecíamos bem a vila, não parámos muito tempo. Só o necessário para as habituais fotos e para encher o meu pneu traseiro que teimava em perder ar.

A passagem do rio Lima marca a entrada na parte mais interessante e mais dura do Caminho Português. Logo após a saída da vila o percurso começa a ser feito alternadamente em estradas secundárias, praticamente sem movimento de veículos, em caminhos rurais e em carreiros estreitos. Nesta fase do percurso notou-se uma grande diferença para as anteriores: o número de peregrinos era notoriamente superior. Grande parte deles opta por iniciar o seu caminho em Ponte de Lima. Esta presença mais assídua de caminhantes no percurso permitiu destacar a importância da aquisição mais importante para esta viagem: a campainha! Constantemente usada para alertar os peregrinos da nossa aproximação, este pequeno instrumento foi de uma utilidade extrema pelo tempo e esforços desnecessários que nos poupou.

Labruja - RubiãesOs quilómetros iam-se acumulando e a aproximação à mítica subida da Labruja fazia crescer o entusiasmo. Para abordar convenientemente esta dificuldade, fizemos uma pequena pausa antes da subida para descansar um pouco as pernas e recuperar algumas energias. A partir dessa paragem foi pedalar um pouco e carregar (muito) a bicicleta. As subidas sucedem-se e, se as primeiras são difíceis, as seguintes são cada vez piores. São muito íngremes e com um piso muito irregular. Se para quem caminha são complicadas, para quem carrega a bicicleta são quase brutais. Para minha sorte, alguém perdeu os óculos pelo caminho e não estava com muita vontade de os recuperar. Eu voluntariei-me para os procurar e com isso ganhei o direito a fazer a subida duas vezes (mas muito mais leve, pela troca de bicicletas). Terminada a subida, foi tempo de recuperar o fôlego e iniciar uma fantástica descida até Rubiães. Decididamente, esta é a parte mais marcante do percurso, tanto pela dureza da subida como pela espectacularidade da descida. A bárbara agressão de que fui alvo por parte de uma pedra pouco satisfeita por ter sido atropelada, foi o preço a pagar por tanto entretenimento.

Rio Minho - Valença - TuiUltrapassada a maior dificuldade do dia, era altura de uma nova pausa, desta vez maior, para o almoço. Um pequeno restaurante já na chegada a Valença foi a escolha para o efeito. Depois de reconfortado o estômago, arrancámos novamente e pouco depois já estávamos em solo espanhol. A travessia da ponte sobre o rio Minho é outro dos pontos de destaque, pelo seu simbolismo e pelas vistas que proporciona, quer de Valença, quer de Tui. Já no lado “estrangeiro”, somos surpreendidos com uma sucessão inesperada de rampas e escadarias dentro do centro histórico de Tui. A partir de Tui, o relevo deu-nos algum descanso, sendo o percurso maioritariamente plano, com partes muito agradáveis, cruzando pequenos rios através de caminhos serpenteantes no interior de bosques de uma agradável frescura e beleza. Também há partes menos interessantes, como as monótonas e intermináveis rectas do Polígono Industrial de Porriño.

CS2010_Tui2.JPGChegados a Porriño fizemos mais uma pequena pausa para fotos e descanso e ainda para planear o resto do dia. Já passava do meio da tarde e tínhamos de decidir onde terminaríamos o dia. Os planos apontavam para Redondela para as etapas ficarem equilibradas em termos de distância. No entanto, no albergue de Porriño fomos informados da escassez de vagas em Redondela. Como o albergue nos pareceu agradável e ainda tinha muitas vagas, optámos por este para pernoitar. Assim, depois de um grande dia de viagem, um banho refrescante e um delicioso jantar, era tempo de recolher aos dormitórios e descansar o máximo. O dia seguinte não aparentava ser mais fácil que este.

The Rake’s Progress – Igor Stravinsky

Opera Faber - Ponte de LimaDepois da Aida de Verdi e da Carmen de Bizet, duas das óperas mais conhecidas, desta vez o nome da obra era completamente desconhecido. Mesmo sendo um apreciador de Stravinsky, principalmente pela “Sagração da Primavera”, de “Petrushka” e do “Pássaro de Fogo”, não conhecia a sua faceta operática. Outra novidade foi o local do espectáculo. Apesar de conhecer razoavelmente bem a Vila de Ponte de Lima, não conhecia o agradável Teatro Diogo Bernardes, onde se realizam grande parte dos eventos do Festival de Ópera e Música Clássica de Ponte de Lima. Sob organização da Opera Faber, este Festival vai ainda na 2ª edição, mas promete tornar-se num dos eventos culturais mais destacados da região minhota. Para a região é mais um motivo de atracção turística que complementa o valioso património arquitectónico que a distingue.

The Rake's Progress - Igor StravinskyRelativamente ao espectáculo, “The Rake´s Progress” – “A Carreira do Libertino” ou “A Carreira do Devasso”, conta a história de um jovem, Tom Rakewell, que desejava casar com Anne Truelove. O pai desta questionava essas pretensões devido às poucas posses de Tom. A situação altera-se quando surge um misterioso estranho, Nick Shadow, que afirma que o seu amo, um tio afastado de Tom, lhe deixou uma grande fortuna. Para obter essa herança, Tom teria de se deslocar a Londres. Nessa incursão até à grande cidade, foi sempre acompanhado por Shadow que o introduziu num meio que ele desconhecia. Os bordeis londrinos passam o ser o seu local de eleição e neles vai-se entregando aos prazeres da cidade. Entretanto, Shadow apresenta-lhe Baba, a Turca, com quem se casa de imediato, esquecendo as promessas feitas a Anne. Depois de alguns tempos de luxúria, o modo de vida de Tom desgastou os seu bens e também a sua mente, levando-o à loucura. Este acaba os seus diasnum asilo,  convencido de que é Adónis e esperando a visita de Vénus. Quando Anne o visita ele crê estar na presença de Vénus, mas esta regressa a casa com o seu pai e Tom acaba os seus dias mergulhado na loucura.