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Arturo Sandoval

Há alguns anos, através de um filme – “For Love or Country: The Story of Arturo Sandoval” – fiquei a conhecer um pouco da história de vida de um dos grandes trompetistas do nosso tempo. Este fabuloso trompetista cubano teve grandes dificuldades para deixar a ilha e apresentar o seu enorme talento a outros pÃúlicos. Em Cuba, às escondidas, ouvia alguns mestres do jazz e foi um deles, Dizzie Gillespie, que o integrou na sua orquestra e permitiu a sua fuga ao regime político que condicionava o desenvolvimento internacional da sua carreira. Apesar das limitações políticas, Arturo Sandoval já era um fenómeno bem conhecido a nível mundial, devido ao enorme êxito do grupo Irakere. Este grupo criou um novo estilo musical de fusão entre o jazz e os ritmos e sons latinos e projectou alguns nomes para o panorama musical. Entre eles destacam-se os fundadores e líderes do grupo: Paquito D’Rivera, Chucho Valdez e Arturo Sandoval.

A minha curiosidade musical fez-me procurar informações e trabalhos dos Irakere e especialmente do seu trompetista. Quando ouvi algumas gravações do instrumentista cubano fiquei assombrado com o que ouvi. O seu domí­nio do trompete ultrapassava tudo o que imaginara. Ele conseguia atingir registos extremamente agudos com uma facilidade e clareza impressionantes. Além disso, o virtuosismo não era inferior à habilidade. Além da desenvoltura demonstrada na música latina e no jazz, onde o intérprete tem alguma liberdade musical, devido à forte formação clássica que teve, Arturo Sandoval também se sentia à vontade no estilo clássico. Chegou mesmo a acompanhar algumas das melhores orquestras mundiais, apresentando repertórios clássicos de referência com o mesmo à-vontade com que improvisava num tema latino.

A presença deste astro musical em Matosinhos foi uma grande surpresa e foi motivo mais que suficiente para marcar presença no Matosinhos Jazz 2009. Apesar da idade já ser considerável para um instrumentista de sopro, mostrou-se em grande forma, apresentando uma versatilidade e amplitude de sons incrível. Como se isto não fosse bastante, mostrou que se trata de um músico multifacetado e não se limitou a mostrar os seus dotes no trompete, brindando os presentes com a interpretação de vários instrumentos, impressionando especialmente ao piano. Tratou-se de um concerto surpreendente e memorável.

Fiona Apple

Fiona AppleUma das minhas vozes preferidas nos últimos anos é a de Fiona Apple. Contrariamente ao que é habitual, "descobri-a" na rádio. A música "Fast As You Can" ficou-me no ouvido pela suas constantes variações rítmicas e melódicas e levou-me a procurar mais informação sobre a intérprete. Quando ouvi o álbum "When the Pawn Hits the Conflicts He Thinks like a King What He Knows Throws the Blows When He Goes to the Fight and He’ll Win the Whole Thing Fore He Enters the Ring There’s No Body to Batter When Your Mind Is Your Might So When You Go Solo, You Hold Your Own Hand and Remember That Depth Is the Greatest of Heights and If You Know Where You Stand, Then You’ll Know Where to Land and If You Fall It Won’t Matter, Cuz You Know That You’re Right." percebi que aquela era apenas umas das grandes músicas deste álbum. Além do título, também a qualidade musical deste trabalho era enorme e despertou-me a curiosidade para ficar a saber mais sobre Fiona Apple e a sua música.

A autora descende de uma família com várias ligações à música e teve desde criança, uma educação musical formal, aprendendo piano e mostrando ainda grande vocação para a interpretação. A sua adolescência ficou marcada por alguns episódios traumáticos que vieram a ter grande influência nas suas composições. Algumas das suas letras manifestam aspectos mais tristes e sombrios do seu caracter, resultantes desses acontecimentos marcantes.

When the Pawn...A carreira de Fiona Apple já ultrapassou a dezena de anos mas ainda só lançou três albuns. O primeiro, em 1996, intitulado "Tidal" foi considerado, logo na altura do lançamento, um dos mais marcantes da década. Em 1999, surgiu "When The Pawn…", através do qual fiquei a conhecer esta voz aveludada e as suas interpretações intensas. Em 2005 lançou o seu último trabalho até ao momento – "Extroadinary Machine". Um estilo muito próprio e uma elevada qualidade musical atravessam todos os seus trabalhos e aumentam a expectativa para os próximos. Este é um daqueles casos em que a qualidade se sobrepõe à quantidade e, sobretudo nas actividades artísticas, este factor é determinante na marca que deixam.

Michael Bublé

Michael Bublé
Nos meus gostos musicais existe um lugar de especial destaque para as big bands (cujo apogeu aconteceu nos anos 30 e 40 na América), talvez por ter começado a minha instrução musical por este estilo musical. No entanto, actualmente as big bands existem em número reduzido e já estiveram mesmo muito perto da extinção. Porém, surgiu um novo crooner no panorama musical mundial, o que já não acontecia desde os anos dourados de Sinatra e companhia (destacando-se neste capítulo o famosíssimo Rat Pack). O jovem canadiano Michael Bublé voltou a colocar o swing nos tops musicais e fez com que muitos ouvintes mais novos tomassem contacto com este género musical.

Michael Bublé - It's TimeO grande responsável pela incursão de Bublé pelo swing foi o seu avô que, desde muito cedo, habituou o neto a ouvir e apreciar as big bands e, quando se apercebeu, o jovem Michael estava completamente rendido a este estilo e os seus sonhos incluiam uma carreira no mundo musical, seguindo os seus grandes ídolos e referências – Ella Fitzgerald, Bobby Darrin, Dean Martin e Frank Sinatra. A sua carreira musical começou em 1996 com “First Dance”, mas o verdadeiro sucesso chegou em 2003 com o álbum “Michael Bublé”. Nesse trabalho, o cantor apresentou novas versões de grandes clássicos como “Mack the knife”, “Fever”, “Sway” ou “Moondance”. Os espectaculares arranjos para a banda e as suas entusiasmantes interpretações levaram-no a obter reconhecimento público e sucesso comercial.

Michael BubléA partir de então, todos os seus discos têm obtido grande sucesso, destacando-se “It’s Time”, “Caught In The Act” e “Call Me Irresponsible”. Além do cuidado trabalho de estúdio e das magníficas orquestrações, o cantor procura agradar ao público nas suas actuações ao vivo. O próprio assume que é, acima de tudo, um entretainer. Aliado ao seu talento está uma orquestra de grandes músicos e uma grande produção de espectáculos que o levou a correr o mundo em digressão e que, tal como os seus ídolos, realizou uma temporada de concertos em Las Vegas. Neste momento, a sua carreira está consolidada e, devido ao carácter intemporal dos temas que interpreta, é de esperar que esta continue com grande sucesso durante muitos anos.