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Subida a Carris 2009

Uma das actividades que tenho realizado quase todos os anos com alguns amigos já está quase a atingir a categoria de tradição. Nos últimos cinco anos, este percurso foi feito por quatro vezes e três elementos são totalistas (eu e os Pires). A subida até às minas de Carris é uma caminhada fisicamente exigente e, simultaneamente, um exercício de fuga da civilização e de alguns dos seus vícios. Aproveitando a pausa escolar (e de algumas empresas) para festejar o Carnaval, aproveitámos para rever algumas das mais belas paisagens da Serra do Gerês.

Caminhada às Minas de CarrisEm edições anteriores havia sempre alguma dificuldade em fazer este percurso, inerente ao acentuado desnível e ao piso complicado. Porém, desta vez tínhamos uma agradável surpresa à nossa espera. Nas outras vezes, a caminhada foi feita no Verão ou no final da Primavera e com temperaturas agradáveis. Desta vez, a temperatura estava um pouco mais fresca, mas para caminhar até era bastante adequada. Na parte inicial do percurso há bastante sombra e, por isso, por vezes até se fez sentir algum frio. A partir do momento em que a vegetação começa a rarear, o calor começa a fazer-se notar. Contudo, quando a vegetação começava a diminuir, começava a surgir um novo elemento: alguns restos de neve. Apesar do Inverno rigoroso, o último nevão já tinha ocorrido há mais de três semanas e, como tal, já não esperávamos mais que uns restos de neve em sítios menos expostos ao Sol. De facto, começámos por ficar muito satisfeitos por encontrar pequenos amontoados de neve, conservados nas sombras nas margens do caminho. Porém, a partir do meio do percurso, deixaram de ser pedaços de neve ou gelo no caminho para se transformar num trilho completamente branco e pouco estável.

Serra do GerêsForam certamente uns quatro quilómetros percorridos sobre um piso instável e ruidoso, que constantemente nos pregava partidas, até chegar junto das minas desactivadas. As quedas e afundamentos na neve eram constantes, o que fez com que demorássemos mais a chegar ao cimo da serra. Depois de almoçar encostados a um penedo, para evitar as fortes rajadas de vento, fomos visiar a represa, que se encontrava completamente congelada, mais parecendo uma pista de patinagem, e subimos até ao marco geodésico, para apreciar as vistas sobre o enorme manto branco. Na descida continuaram as quedas que, por não serem poucas, começavam a desgastar as articulações e o cansaço começava a fazer-se sentir. Juntando estes dois factores, a nossa forma de caminhar parecia pouco sóbria. Com mais algumas escorregadelas, tropeções e tombos a condizer, lá conseguimos chegar novamente a solo firme e acelerar o passo até ao carro que nos traria até casa. A experiência de caminhar sobre neve foi nova para todos e, apesar de não estarmos preparados, distinguiu esta caminhada de todas as que tínhamos feito anteriormente. Para o próximo ano é para repetir (se o Inverno se portar novamente tão bem – ou tão mal).

Trilho da Calcedónia

calcedonia1.jpgAproveitando o último dia de estadia do Vitor por cá, antes de voltar à Califórnia, aproveitámos para fazer algo que há muito não fazíamos. Reservámos o dia para uma caminhada em família, relembrando os tradicionais Domingos familiares da nossa infância. Dado que os pais não estão muito habituados a estas andanças, tínhamos de escolher um percurso interessante mas acessível. A primeira ideia foi uma subida às Minas de Carris. Contudo, a distância e a dureza do percurso não aconselhavam essa opção. Assim, após uma breve pesquisa na net, surgiu uma alternativa razoável – o Trilho da Calcedónia. Este percurso pedreste de Pequena Rota tem um percurso com cerca de 10kms, com início e fim na freguesia de Covide (Terras de Bouro). Apesar de não ser muito extenso, nos desdobráveis adquiridos no Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas, era considerado de dificuldade elevada e previa uma duração de cinco horas para a sua realização.

Trilho da CalcedóniaDepois de uma manhã vagueando pelo Gerês, com passagens pelos miradouros da Pedra Bela e pela Cascata do Arado, entre outros sítios interessantes, fomos parar a Campo do Gerês, onde acabámos por almoçar. Bem abastecidos partimos então rumo à Calcedónia. A caminhada começou já perto das 3 horas da tarde. O tempo estava bem agradável para caminhar e o início do trilho era relativamente plano, percorrendo alguns caminhos de Covide. Pouco depois, já completamente “fora da civilização”, o percurso alterou-se drasticamente e passámos a andar em carreiros bem complicados e com uma inclinação ascendente bem elevada. Aqui os “motores” começaram a aquecer e fez-se sentir a falta da água que ficou esquecida no carro. Também por esta altura, os pais começaram a tomar consciência da aventura em que se tinham metido. Efectivamente, o trilho era muito complicado e de grande dificuldade física. Para quem se estreava neste tipo de actividades, este não era certamente dos percursos mais fáceis.

calcedonia2.jpgCom boa disposição e algumas pausas para respirar um pouco, pois a subida não só era dura como também era bem longa, atingímos o cume, onde se encontravam os maiores rochedos e a famos Fenda da Calcedónia. O mais difícil estava ainda para vir. Se a subida não foi nada fácil, a descida foi bem pior. O trilho era estreito, com piso irregular e com declives bastante acentuados. A existência de muitas pedras soltas e alguma areia ao longo dos carreiros dificultava um pouco mais e os músculos pouco rotinados dos estreantes começavam a dar sinais de cansaço. Com o final à vista, foi num instante que terminámos o percurso e demos por concluída uma bela jornada pedestre. Para os mais novos (veteranos nisto) foi um trilho interessante, com belas paisagens e com alguma dificuldade. Para os menos novos e menos experientes foi bem durinho mas, apesar de tudo, um desafio superado e a repetir com frequência.

Ida a São Bento em Bicicleta 2008

Aproveitando o feriado do 1º de Maio, eu e o meu homónimo decidimos cumprir uma tradição dos anos mais recentes – a ida a São Bento da Porta Aberta. Já lá fomos a pé, como muita gente, mas ultimamente temos optado pela bicicleta. A partida aconteceu pelas nove horas da manhã e o tempo parecia bem agradável, com algumas nuvens mas com um dia solarengo em perspectiva. Porém, à medida que nos deslocávamos em direcção a Prado, o céu começou a ficar com umas tonalidades bem mais carregadas e começaram a surgir os primeiros receios de chuva. Apesar da temperatura ser muito agradável para pedalar, a ideia de ficar encharcado não agradava nada. Quando nos aproximávamos de Amares, as indicações de precipitação aumentavam mas, como já tínhamos uma boa parte do percurso feita, optámos por continuar e acelerar o ritmo, para tentar chegar ao destino antes da chuva. Se chovesse no regresso era chato, mas era bem pior à ida porque teríamos de parar para almoço. As ameaças de chuva foram constantes mas só se concretizaram mesmo à chegada e nem sequer foi nada de sério. Mesmo não estando numa forma invejável e com alguma falta de treino, a viagem decorreu em bom ritmo e, pouco depois das onze e meia, já estávamos em frente ao Santuário. A subida final, que costuma causar grande mossa, desta vez foi feita com "prego a fundo" e até pareceu mais curta e bem menos dura que das outras vezes.

Depois de recompor energias com um almoço revigorante e com algum tempo de descanso, por volta da uma e meia, arrancámos novamente, desta vez em direcção a casa. Agora era altura para desfrutar de uma grande descida até à Marina de Rio Caldo. A partir daí foi um constante sobe e desce, por entre montes e aldeias, sempre em alto ritmo, até chegar novamente a Amares. As pernas aguentavam bem e o ritmo ia sendo forçado para níveis bem elevados. Com as estradas em bom estado e as bicicletas bem afinadas, quase nem se notavam os desníveis e a cadência de pedalada pouco variava, quer fossem subidas ou descidas. O panorama só mudou quando alterámos o percurso da ida e, em vez de voltar por Galegos, optámos por vir por Cervães. Aí, numa interminável subida, começaram a sentir-se alguns efeitos do cansaço e o ritmo desceu drasticamente. Porém, apesar das dificuldades da parte final, pouco passava das quatro horas da tarde quando terminámos esta longa maratona minhota.

Volta ao Minho

O dia começou cedo e com poucas horas de sono, mas cheios de vontade para mais uma "expedição". Às 8 horas dei as primeiras pedaladas em direcção a casa do Nélson, de onde saímos pouco depois rumo à Vila do Gerês. Durante a manhã o tempo esteve fresco e sem chuva, ou seja, ideal para pedalar. Assim, andámos a bom ritmo e, por volta das 10 horas, chegámos a Santa Maria de Bouro, onde efectuámos uma pequena pausa para abastecer e esticar as pernas. Até aí as dificuldades não tinham sido muitas, mas previam-se algumas bem significativas daí para a frente. A subida até Valdozende fez-se muito bem e a descida para Rio Caldo melhor ainda. Depois de atravessar a ponte começou o primeiro grande teste. Uma longuíssima e nada meiga subida exigiu um grande esforço da nossa parte. Contudo, a inclinação do percurso, embora acentuada, era quase constante, o que permitiu imprimir um ritmo moderado mas muito regular e por volta das 11h20m já nos encontrávamos na Vila do Gerês, mais propriamente em casa da D. Judite "Espada".

Após alguns momentos de descanso, saboreámos uma revigorante refeição confeccionada pela D. Judite e servida pela Mara, que nos deu energia para a parte mais dificil da nossa "expedição". Após o almoço e mais uns instantes de descanso, arrancámos para a parte mais difícil da etapa: a interminável subida até à Portela de Leonte. Logo a seguir à Vila do Gerês, a estrada começa a serpentear pela serra acima com rampas e curvas duríssimas. A subida é longa, devendo rondar a dezena de quilómetros, e as "paredes" sucedem-se a um ritmo elevado, existindo muito poucos descansos, que além de escassos eram curtos. Depois de muito esforço, chegámos à Portela de Leonte, seguindo-se uma espectacular e vertiginosa descida até à Mata da Albergaria. Aí, bem próximos da fonteira com Espanha, entrámos num estradão em terra batida que nos levaria até Vilarinho das Furnas. Nesse caminho, sempre juntos à margem do enorme lago formado pela barragem, pedalámos velozmente por entre arvoredos e ainda deu para apreciar os aglomerados de marcos miliários exclusivos da geira romana que ligava Braga e Astorga. Foi sensivelmente nesta altura que ganhámos uma companhia que não nos largou até ao final: a chuva. Apesar de ser miudinha, ia molhando e pouco depois estávamos completamente encharcados. Seguimos então para Campo do Gerês, rumando depois a Terras de Bouro e passando ainda por Caldelas, até retomar, já perto de Prado, a estrada que tínhamos percorrido de manhã em sentido contrário. A partir daí a maior dificuldade foi o cansaço que os quilómetros acumulados iam acentuando. Por volta das 6h30m chegámos a casa do Nélson e, pouco depois, também eu já me encontrava em casa a gozar um merecido descanso e a pensar em qual será a próxima "expedição".