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Caminho Português de Santiago – Dia 1: Porto – Carapeços

caminho_santiago_2010_007.JPGO dia começou com a viagem de carro para o Porto, onde chegamos por volta das 9:30. Depois de montar a bicicleta e arrancar em direcção à Sé Catedral, foi feito o necessário carimbo das credenciais. Após as fotos da praxe, para documentar a partida, teve então início a aventura rumo a Santiago. Os primeiros metros são assustadores para quem o faz sobre duas rodas. Uma sucessão de descidas vertiginosas, por entre ruas estritas com muitos degraus pelo meio, requerem grande atenção e alguma perícia. Como normalmente acontece nestes casos, a uma grande descida segue-se uma custosa subida, aqui agravada pelos peões e veículos que fazem uso regular da vias labirínticas do centro histórico da cidade. Antes de deixar a Invicta para trás, ainda figuram no roteiro mais alguns monumentos de relevo, destacando-se naturalmente a Torre dos Clérigos.

Após uma parte inicial animada pelas ruas e monumentos portuenses, o percurso torna-se menos interessante. As setas amarelas surgem a bom ritmo mas, devido ao carácter urbano do percurso, estão muitas vezes ocultadas por veículos ou outros objectos. Esta busca pelas setas orientadoras e o grande fluxo de trânsito típico dos arredores de uma grande cidade tornam este segmento do percurso no menos interessante do todo o caminho. Até passar Vilarinho, já perto de Vila do Conde, anda-se sempre em estradas, maioritariamente secundárias, mas relativamente movimentadas. Até chegar a Rates o cenário não se altera muito e, por isso, esta parte faz-se num curto espaço de tempo. Na vila de Rates já se justifica uma paragem mais demorada para apreciar o histórico e bem conservado casco urbano e até para uma visita ao Albergue de Peregrinos. À saída desta localidade atravessa-se pela primeira vez uma boa extensão de caminho rural por entre montes e terras de cultivo e fica-se com uma ideia do que será o caminho daqui em diante. Assim se chega até Pedra Furada, onde se volta a recorrer a estradas secundárias para chegar até Barcelos.

BarcelosA chegada a Barcelos é um dos pontos marcantes do Caminho. A entrada pela Ponte Medieval e o conjunto de monumentos que se segue, incluindo a Igreja Matriz e o Paço dos Duques, bem como o centro da cidade, convidam a uma paragem mais demorada, que até pode ser aproveitada para almoçar. Dado que já conhecia bem o local, e como não estava longe de casa, optei por seguir caminho e almoçar em casa. Antes ainda segui pelo Caminho até à Casa da Recoleta (o novíssimo albergue de peregrinos, em Tamel S. Pedro Fins). Esta última parte, feita novamente por caminhos em terra, quase sempre a subir, foi a parte mais dura do primeiro dia, mas nada de muito relevante.

Assim estava concluída a primeira etapa, sem grande esforço, até porque os alforges ficaram em casa e só seriam usados a partir do segundo dia. Nesta etapa não deu para sentir muito o espírito do Caminho pelo reduzido número de peregrinos com que me cruzei, o que também teve a ver com a extensão mais curta da mesma e o pouco tempo que demorou a realizar. Foi uma espécie de aquecimento para as duras etapas dos dias seguintes.

Caminho Português de Santiago – 2010

O regresso aos Caminhos de Santiago foi feito onde tudo começou há quatro anos atrás: no Caminho Português de Santiago. Porém, desta vez o percurso foi um pouco mais extenso. Em vez de começar bem perto de casa, optei pelo Porto para iní­cio da jornada. Junto à  Sé Catedral do Porto arranquei para uma longa aventura que ultrapassou os 250 kms. Para mim era a terceira experiência do género, mas com várias diferenças para as anteriores. As mais notórias foram a companhia – em vez do Nélson, foi o Miguel – e a companheira – a Withney foi substituída pela Trek. Apesar de algumas peripécias e imprevistos, o balanço final é bastante positivo e já se esboçam planos para novos empreendimentos do mesmo tipo.

Caminho de Santiago 2010Dado que a primeira vez que fiz o Caminho não tinha sido muito longínqua, ainda me recordava razoavelmente bem do percurso, em particular de alguns sítios e localidades mais interessantes. O trajecto principal mantém-se apenas com algumas ligeiras variações no percurso, sendo as mais notórias ao nível do piso. Alguns troços que antes eram em terra ou em empedrados muito irregulares foram repavimentados em alcatrão ou cimento, diminuindo consideravelmente o ní­vel de dificuldade dessas partes. O percurso é feito maioritariamente em caminhos rurais e estradas secundárias, sendo pouco frequente encontrar outros veículos em pleno percurso, à  excepção das passagens pelas localidades. Relativamente às edições anteriores verificou-se uma pequena mas valiosíssima inovação: uma campainha. A utilização deste pequeno acessório poupou-nos muito tempo e muitos esforços quando era necessário avisar os peregrinos da nossa aproximação e passagem.

O Caminho Português continua a apresentar excelente sinalização, sendo praticamente impossí­vel alguém se perder. As únicas excepções a esta regra são as passagens por algumas localidades espanholas de maior dimensão, onde as setas amarelas se encontram menos expostas ou obstruídas por outros elementos. O percurso completo foi realizado em três etapas, sendo esta distribuição a ideal. Contudo, é possí­vel efectuá-lo num par de dias, embora neste caso não se possa usufruir do muito que o Caminho nos oferece.

Caminho Português de Santiago – Dia 1: Porto – Carapeços

Caminho Português de Santiago – Dia 2: Carapeços – Porriño

Caminho Português de Santiago – Dia 3: Porriño – Santiago de Compostela