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Fiona Apple

Fiona AppleUma das minhas vozes preferidas nos últimos anos é a de Fiona Apple. Contrariamente ao que é habitual, "descobri-a" na rádio. A música "Fast As You Can" ficou-me no ouvido pela suas constantes variações rítmicas e melódicas e levou-me a procurar mais informação sobre a intérprete. Quando ouvi o álbum "When the Pawn Hits the Conflicts He Thinks like a King What He Knows Throws the Blows When He Goes to the Fight and He’ll Win the Whole Thing Fore He Enters the Ring There’s No Body to Batter When Your Mind Is Your Might So When You Go Solo, You Hold Your Own Hand and Remember That Depth Is the Greatest of Heights and If You Know Where You Stand, Then You’ll Know Where to Land and If You Fall It Won’t Matter, Cuz You Know That You’re Right." percebi que aquela era apenas umas das grandes músicas deste álbum. Além do título, também a qualidade musical deste trabalho era enorme e despertou-me a curiosidade para ficar a saber mais sobre Fiona Apple e a sua música.

A autora descende de uma família com várias ligações à música e teve desde criança, uma educação musical formal, aprendendo piano e mostrando ainda grande vocação para a interpretação. A sua adolescência ficou marcada por alguns episódios traumáticos que vieram a ter grande influência nas suas composições. Algumas das suas letras manifestam aspectos mais tristes e sombrios do seu caracter, resultantes desses acontecimentos marcantes.

When the Pawn...A carreira de Fiona Apple já ultrapassou a dezena de anos mas ainda só lançou três albuns. O primeiro, em 1996, intitulado "Tidal" foi considerado, logo na altura do lançamento, um dos mais marcantes da década. Em 1999, surgiu "When The Pawn…", através do qual fiquei a conhecer esta voz aveludada e as suas interpretações intensas. Em 2005 lançou o seu último trabalho até ao momento – "Extroadinary Machine". Um estilo muito próprio e uma elevada qualidade musical atravessam todos os seus trabalhos e aumentam a expectativa para os próximos. Este é um daqueles casos em que a qualidade se sobrepõe à quantidade e, sobretudo nas actividades artísticas, este factor é determinante na marca que deixam.

Para Record(o)ar

raquete.jpgDepois de alguns anos de iniciação ao ténis em que a grande dificuldade era o controlo da raquete e da força, começaram a surgir novos problemas. O desgate de algumas componentes da raquete começou a requerer alguns cuidados extra, sendo necessárias algumas substituições. No entanto, a primeira corda rebentada só surgiu com a terceira raquete (a primeira da Head), decorrido pouco tempo da sua aquisição. A partir daí, as cordas rebentadas passaram a ser um acontecimento praticamente normal. Ao fim de uns jogos, as cordas começam a dar sinais de desgaste e, mais jogo menos jogo, acabam por ceder. Porém, desta vez, uma corda que ainda não tinha dado sinais de desgaste, acabou por rebentar e fê-lo em grande. Numa pancada normalíssima, o ruído do batimento foi estranho e logo se percebeu que a corda não aguentara. A surpresa aconteceu quando, ao olhar para a raquete, verifiquei que a corda tinha rebentado em três pontos distintos. E nem foi com força! Se tivesse batido com mais força a bola teria atravessado a raqueteSmiley (ou então nem acontecia nada).

Trilho da Calcedónia

calcedonia1.jpgAproveitando o último dia de estadia do Vitor por cá, antes de voltar à Califórnia, aproveitámos para fazer algo que há muito não fazíamos. Reservámos o dia para uma caminhada em família, relembrando os tradicionais Domingos familiares da nossa infância. Dado que os pais não estão muito habituados a estas andanças, tínhamos de escolher um percurso interessante mas acessível. A primeira ideia foi uma subida às Minas de Carris. Contudo, a distância e a dureza do percurso não aconselhavam essa opção. Assim, após uma breve pesquisa na net, surgiu uma alternativa razoável – o Trilho da Calcedónia. Este percurso pedreste de Pequena Rota tem um percurso com cerca de 10kms, com início e fim na freguesia de Covide (Terras de Bouro). Apesar de não ser muito extenso, nos desdobráveis adquiridos no Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas, era considerado de dificuldade elevada e previa uma duração de cinco horas para a sua realização.

Trilho da CalcedóniaDepois de uma manhã vagueando pelo Gerês, com passagens pelos miradouros da Pedra Bela e pela Cascata do Arado, entre outros sítios interessantes, fomos parar a Campo do Gerês, onde acabámos por almoçar. Bem abastecidos partimos então rumo à Calcedónia. A caminhada começou já perto das 3 horas da tarde. O tempo estava bem agradável para caminhar e o início do trilho era relativamente plano, percorrendo alguns caminhos de Covide. Pouco depois, já completamente "fora da civilização", o percurso alterou-se drasticamente e passámos a andar em carreiros bem complicados e com uma inclinação ascendente bem elevada. Aqui os "motores" começaram a aquecer e fez-se sentir a falta da água que ficou esquecida no carro. Também por esta altura, os pais começaram a tomar consciência da aventura em que se tinham metido. Efectivamente, o trilho era muito complicado e de grande dificuldade física. Para quem se estreava neste tipo de actividades, este não era certamente dos percursos mais fáceis.

calcedonia2.jpgCom boa disposição e algumas pausas para respirar um pouco, pois a subida não só era dura como também era bem longa, atingímos o cume, onde se encontravam os maiores rochedos e a famos Fenda da Calcedónia. O mais difícil estava ainda para vir. Se a subida não foi nada fácil, a descida foi bem pior. O trilho era estreito, com piso irregular e com declives bastante acentuados. A existência de muitas pedras soltas e alguma areia ao longo dos carreiros dificultava um pouco mais e os músculos pouco rotinados dos estreantes começavam a dar sinais de cansaço. Com o final à vista, foi num instante que terminámos o percurso e demos por concluída uma bela jornada pedestre. Para os mais novos (veteranos nisto) foi um trilho interessante, com belas paisagens e com alguma dificuldade. Para os menos novos e menos experientes foi bem durinho mas, apesar de tudo, um desafio superado e a repetir com frequência.

Maratona dos 5 Cumes 2008

Fui e fiz! Depois de na edição anterior ter ficado apenas pelos 3 cumes, desta vez a ideia era fazer o percurso completo. Apesar de já ter estado e melhor forma, achava que estava com forças e disposição para atacar os 5 cumes. Assim, logo na partida, aproveitando alguns quilómetros em estrada, aproveitei para ganhar algum terreno e posições, de modo a não perder muito tempo nos habituais congestionamentos nas partes mais duras ou mais técnicas. Até ao primeiro cume, com toda a gente cheia de força, eram constantes as trocas de posição no numeroso pelotão, ainda bem agrupado. Devido à dureza da subida final para o primeiro cume e a grande concentração de betetistas, esta foi feita quase toda à mão. A partir daí, com mais algumas subidas mais fáceis, os participantes foram-se dispersando e tornou-se possível imprimir um ritmo mais constante e ajustado às capacidades de cada um. A subida ao segundo e mais alto dos cumes – São Gonçalo (489 metros) – já foi feita com todos bem espaçados. Apesar de longa, devido ao traçado escolhido, esta nem foi das piores subidas. Pessoalmente, achei-a a mais fácil de todas. Lá, no ponto mais alto do Concelho de Barcelos, tínhamos o primeiro reforço alimentar à nossa espera e, enquanto abastecíamos, descansávamos o corpo e repúnhamos energias para o muito que ainda faltava.

5 Cumes 2008A parte seguinte seria, em teoria a mais fácil de todo o percurso. Tratava-se de uma longa e rápida descida, bem conhecida de muitos passeios pelos montes de Carapeços e arredores. No entanto, começou logo mal com um engano despropositado no percurso que me obrigou a uma dura rampa que não estava nos planos. Mas isto era só o início! Pouco depois, na descida de Penoucos (apesar de complicada devido à existência de muita pedra, era um local mais que conhecido), aconteceu o pior momento do dia. Uma tremenda queda – talvez a pior desde que me aventurei nisto – deixou-me marcado para o resto do dia. Um braço esfolado, uma perna bem pisada, o equipamento todo sujo e a moral afectada para o resto do dia. Como bom português, resta-me dizer: "Podia ter sido bem pior!" Depois de um contratempo destes, o ritmo abrandou e comecei a questionar a opção pelos 5 cumes. Além das feridas, um músculo da perna esquerda ficou em muito mau estado e dava sinais disso. Contudo, nas subidas, com o esforço aplicado, ele aquecia e aliviava um poco a dor. Assim, fui rodando com mais cuidado até ao Monte do Facho e, quando lá cheguei, sentia-me com forças para continuar pelo percurso mais longo. Assim decidi e lá me aventurei para os 2 cumes restantes.

Uma leitura antecipada do gráfico altimétrico já fazia prever dificuldades na penúltimo cume – o Monte de Airó. Esta era a subida mais longa e mais dura de todo o trajecto. Apesar do piso ser quase sempre regular, as sucessivas rampas apearam grande parte dos resistentes que optaram pela versão completa. No final desta interminável subida esperava-nos mais um reforço e o consolo de faltar apenas um (e o mais baixo) dos cumes. A descida deste monte era mais complicada do que qualquer uma das anteriores mas, desta vez, os cuidados foram redobrados. Mesmo assim ainda deu para alguns sustos. Depois de mais alguns quilómetros por entre montes e campos, abordámos a última dificuldade – o Monte da Franqueira. Logo no ínício da subida, mais uma paragem. Desta vez foi para prestar assistência a um betetista que furara pela segunda vez. Como, surpreendentemente (para os meus costumes), ainda não tinha furado, cedi-lhe uma câmara-de-ar e ajudei-o na reparação. Enquanto isso, deu para respirar um pouco e recuperar o fôlego para o subida final. Esta, que se esperava mais fácil que as anteriores, surpreendeu-me pela dureza apresentada. O percurso escolhido era composto por caminhos com muita pedra, obrigando a levar a bicicleta à mão várias vezes. Por fim chegámos ao topo e depois foi só descer até à cidade para dar por concluída mais uma grande e dura aventura. Esta foi daquelas que deixou marcas!

altimetria_5_cumes_2008_750.jpg 

Soajo II

soajo1.jpgCerca de um mês e meio após, voltámos a repetir a aventura de visitar a bela Vila do Soajo (desta vez com mais um elemento no reduzido pelotão) fazendo o difícil percurso sobre duas rodas. Da primeira vez, grande parte do percurso era completamente desconhecido e isso trazia dificuldades acrescidas, nomeadamente na dosagem do esforço. Agora, com o conhecimento entretanto adquirido, foi possível gerir as forças de uma forma mais cuidada, diminuindo consideravelmente o desgaste. O percurso escolhido foi exactamente o mesmo, fazendo o percurso até Ponte de Lima pela estrada nacional 204, seguindo depois pela ecovia que liga a vila limiana à freguesia de Refoios do Lima, onde voltámos à estrada até aos Arcos de Valdevez, de onde seguimos para o Soajo, sempre por estrada. Desde casa até à vila dos espigueiros são cerca de 65kms, seguindo o percurso descrito. A viagem é bastante agradável e sem grandes obstáculos. A única excepção é a longuíssima subida até ao Mezio. São mais de 10kms consecutivos de acentuada subida.

soajo3.jpgNo Soajo visitámos o centro urbano da vila, onde se destacam as casas com arquitetura típica minhota. Rumámos depois ao famoso grupo de espigueiros construídos sobre um grande volume de pedra. Tudo isto aconteceu após um almoço retemperador, no mesmo local da outra vez e, curiosamente, o mesmo menu. Dado que a viagem de regresso ainda era longa e os dias já eram agora mais curtos, nao deambulámos muito tempo por entre as ruas desniveladas, estreitas e labirínticas que percorrem a vila. Demorámos apenas o suficiente para apreciar as belas paisagens serranas e tirar as habituais fotografias para a posteridade.

soajo2.jpgPouco depois de arrancar, voltávamos a parar, desta vez junto à Central Eléctrica do Lindoso para mais uns flashes e para apreciar o Cávado Lima que, daqui para diante, seria um companheiro de viagem. As pedaladas seguintes foram bem cadenciadas e até Ponte da Barca foi só rolar em bom ritmo. Aí, no descansámos um pouco junto ao rio enquanto degustávamos o habitual geladinho (desta vez com uns sabores algo exóticos!). A ligação entre Ponte da Barca e Ponte de Lima foi feita pela Ecovia. Como sempre, tratou-se de uma viagem muito agradável, embora desta vez menos do que outras, devido ás obras que decorriam ao longo do trajecto. Certamente estas obras tornarão o percurso ainda mais agradável. Em termos de jornada cicloturística, faltavam poucos quilómetros para terminar e assim, cerca de uma hora após a chegada a Ponte de Lima, estávamos de regresso a casa com mais 130kms acumulados nas rodas das bicicletas que, depois de alguns problemas inesperados antes da saída, se portaram lindamente.

Encostas do Facho

Encostas do FachoNuma tarde de Verão bem quente decorreu mais um passeio de BTT por terras barcelenses, com pequenas incursões pelo concelho vizinho de Vila Verde. Às 15 horas, foram cerca de 150 betetistas que arrancaram do centro da freguesia da Ucha para uma jornada de saudável convívio e pedaladas mais ou menos vigorosas. A parte inicial do percurso era relativamente plana e levou-nos a percorrer as margens do Cávado e a passar pelas ruas e caminhos rurais das localidades que atravessávamos. As passagens pelas vinhas eram especialmente agradáveis ao olfacto. Os caminhos no interior dos montes também eram pouco desnivelados e econtravam-se maioritariamente em óptimas condições. Notaram-se aqui algumas pequenas dificuldades com a sinalização, levantando algumas dúvidas nas opções a tomar. As maiores dificuldades começaram a surgir com uma primeira subida para o centro de Cervães e a partir daí apareciam regularmente. As primeiras "paredes" surgiram numa longa e interessante subida que viria a terminar junto à Capela de Santa Justa, em Igreja Nova, onde nos esperava um magnífico reforço alimentar. Uma deliciosa bifana a abrir, acompanhada com várias bebidas, muita e variada fruta, croissants e marmelada, foram um excelente prémio para o que já tinha sido feito e para motivar para a parte final. Para ser perfeito, só faltaram as inconfundíveis bolas de Berlim.

Encostas do FachoNo entanto, em termos de dureza, o local do reforço marcava a viragem de um percurso relativamente fácil para um de elevada dificuldade física e técnica. Duas gigantescas paredes antecederam a muito ambicionada passagem pelo topo do Monte do Facho. Depois de passado esse marco de grande dificuldade que dava nome ao evento, parecia que era um mero descanso em descida até ao final. Porém, estava a ser tudo bom demais para ser verdade! Sensivelmente a meio da descida, de elevada exigência técnica, viria o momento mais negativo do dia. Uma hesitação numa passagem entre pedras, com grande desnível, fez com que a bicicleta ficasse presa e eu voasse sobre ela, aterrando uns metros mais à frente e mais abaixo, amparado por um silvado nada meigo. Não houve testemunhas do elaborado mergulho, mas os arranhões e os picos que marcavam as pernas e os braços falavam por si. Depois de recomposto, foi pedalar em grande ritmo rumo ao final onde uma grandiosa obra de "engenharia tuga" nos levava a passar sobre o gradeamento da escola primária numas paletes de madeira que, apesar do aspecto frágil, tornaram a chegada um momento espectacular, pontuada com algumas quedas bem arrojadas (desta vez achei por bem equilibrar-me melhor!). 

Como se tudo isto não chegasse, o sorteio final distribuia prémios por todos os participantes. Em suma, foi um passeio espectacular, com excelentes trilhos, alguma dificuldade, grande competência da organização da Ciclo-Ucha e muito entusiasmo do público. Para o ano contem comigo novamente e, por certo, com quase todos que participaram neste fantástico passeio.

São João d’Arga

Carapeços - São João d'ArgaNa véspera da afamada romaria minhota que atrai milhares de pessoas à Serra d’Arga, decidi fazer-me à estrada e procurar o Mosteiro de São João d’Arga. Sabia apenas que a Serra d’Arga fica a Norte de Viana do Castelo, um pouco deslocada para o interior minhoto. Já tinha andado por lá uma vez há muitos anos e já não me recordava de praticamente nada. Por volta das 3 horas da tarde fiz-me ao caminho, chegando uma hora depois a Ponte de Lima. Aí, optei por seguir em direcção a Valença e, pouco depois, entrar por estradas secundárias em direcção ao destino. Como as indicações são mais raras neste tipo de estradas, tive de perguntar várias vezes se o caminho que seguia era o mais indicado. Depois de algumas paragens para tirar dúvidas, cheguei ao início da subida para as Argas. A partir daí não havia dúvidas – era sempre pela estrada que subisse mais. E quamto mais andava, mais inclinada ficava a estrada. Na fase final da desgastante subida ainda tinha umas verdadeiras "paredes" que foram superadas serpenteando pela estrada acima. O calor que se fazia sentir e a ausência de fontes onde me pudesse abastecer e refrescar tornaram esta fase num verdadeiro suplício. Porém, quando se atinge o topo da serra, tudo é esquecido e aparecem forças retemperadas, sabe-se lá de onde. Após passagens por Arga de Cima e Arga de Baixo, segue-se uma agradável descida até ao Mosteiro de São João d’Arga.

No recinto da romaria já se encontravam acampados uns jovens amigos que, além da força moral, também ofereceram uns deliciosos bolinhos que me deram energia para o regresso. Este seria significativamente mais fácil que a ida, sendo apenas dificultado por um enorme desgaste que as pernas já acusavam. No entanto, a necessidade de chegar a casa ainda de dia e o bom conhecimento do percurso, fizeram com que cerca duas horas depois de arrancar, estivesse a entrar em casa.  Com cerca de 100 kms e enormes desníveis, foi uma das viagens mais desgastantes que já efectuei, terminado-a completamente desgastado. Pode ser que um dia a volte a repetir, com mais tempo e já com algumas ideias do que me espera. Desta vez foi completamente à descoberta e as surpresas nem sempre foram muito agradáveis. Contudo, os ares revigorantes e as magníficas paisagens da Serra d’Arga compensam em boa parte o esforço dispendido.

Vieira do Minho

Mais uma ideia que me passou pela cabeça e mais uma pequena loucura cometida. Dois dias depois da visita ao Soajo, voltei a meter-me à estrada. Desta vez os quilómetros ainda eram mais e as dificuldades não eram em nada inferiores às anteriores. A viagem serviria para fazer uma visita ao Alfredo e à sua família, uma tradição estival mantida desde os tempos em que lá tive de morar durante um trabalhoso ano de estágio.

A viagem correu sem grandes problemas e a bom ritmo. Na ida o tempo esteve fresco, o que tornou a pedalada bem agradável. Durante a tarde, no regresso, já não foi tão fácil. O calor fazia-se notar e o desgaste acumulado da manhã e dos dias anteriores começou a causar estragos. Fui obrigado a parar em Amares para aliviar um pouco uma dor insistente no joelho, aproveitando também para comer o habitual geladinho. Mais tarde, tive de parar em Galegos Santa Maria para abastecer de água e arrefecer os pés que estavam em brasa. Por fim, cheguei a casa com a bicicleta à mão devido a um inconveniente furo. Depois de 150kms a rolar a bom ritmo, um arame que se encontrava indevidamente no meio da estrada agarrou-se ao meu pneu traseiro e deixou-o completamente de rastos. Como a distância a casa era pouca, o melhor remédio foi colocar os pés à estrada e trazer a burrinha à mão.

Soajo

Um dia destes passou-me pela cabeça a ideia de visitar uma das mais belas aldeias de Portugal. Desde a minha infância que não visitava o Soajo e como o tempo se estava a portar bem, apresentai a ideia ao habitual parceiro destas aventuras. Sem saber bem o que nos esperava, ou o que devíamos esperar, decidímos realizar a empreitada. Assim, bem cedo, partimos rumo à aldeia dos espigueiros. Até Ponte de Lima o percurso já era mais que conhecido e fez-se rapidamente. Aí entramos numa das Ecovias do Rio Lima. Optámos por fazer a ida pela margem norte do Rio Lima, aproveitando a agradável ecovia. Contudo, esta ainda não está terminada e, por isso, em Refóios do Lima voltámos à estrada, onde surgiu o primeiro contratempo – tinha furado o pneu traseiro (algo muito comum ultimamente). Depois de substituir a câmara de ar voltamos a rolar em bom ritmo até aos Arcos de Valdevez. Aí parámos para comer o geladinho da praxe e ganhar fôlego para a parte mais difícil da etapa. Partimos então em direcção ao Soajo e, mal passamos o Rio Vez, começou uma dura e longuíssima subida que só terminou no Mezio. Foi mais de uma hora de constante subida para depois desfrutar de uma magnífica descida até ao nosso destino.

soajo.jpgPor volta das 13.30h chegámos à Vila do Soajo e fizemos uma pequena visita, à pressa. Eram horas de almoçar e o corpo já pedia algum descanso. Depois de reabastecer e descansar um pouco, visitamos mais calmamente a aldeia histórica e os seus famosos espigueiros. As casas em granito e as ruas estreitas criam um aglomerado bastante interesante e muito bem preservado. A serra que a circunda também proporciona excelentes vistas e justificam plenamente uma visita. No entanto, como o nosso meio de locomoção não é tão rápido quanto isso, eram horas de regressar. Para não repetir o percurso, optámos por voltar por Ponte da Barca, onde efectuámos mais uma pequena paragem para descanso. A partir daí, até Ponte de Lima, percorremos a fantástica ecovia existente na margem esquerda do Rio Lima. Essa parte era a mais espectacular do percurso, mas o desgaste acumulado não permitia desfrutar plenamente este trilho. Na vila limiana parámos pela última vez. As pernas já tinham mais de 100kms, mas ainda não estavam no limite. A viagem de Ponte de Lima até casa foi verdadeiramente alucinante. Numa espécie de contra-relógio, bati claramente o meu record de tempo neste percurso. Já o tinha feito muitas vezes, mas nunca o tinha feito tão rapidamente. Foram cerca de 45 minutos em grande ritmo, num longo sprint final.

Foi um grande e belo passeio pelo Verde Minho, atravessando vários montes e rios ao longo de 130kms de algum esforço e muita beleza.

I Prova de BTT de Curvos

Mais um Domingo e mais uma jornada sobre duas rodas. Desta vez foi a freguesia de Curvos (Concelho de Esposende) que nos acolheu juntamente com muitos outros entusiastas das bicicletas. Eram mais de duzentos betetistas dispostos a participar numa nova e bem sucedida experiência da Junta de Freguesia local no âmbito desportivo. A organização esteve a seu cargo e contou com a colaboração de outros grupos de freguesia.

BTT CurvosA partida foi dada por volta das 10 horas e as ruas curvenses encheram-se de bicicletas e de entusiasmo. A parte inicial do percurso serpenteava por caminhos, carreiros e até propriedades e recintos privados. Num traçado labiríntico por entre casas, montes e campos, os forasteiros devem-se ter sentido baralhados com o emaranhado de caminhos percorridos. Além da dificuldade técnica apresentada pelas muitas curvas apertadas, caminhos estreitos e piso irregular, o gráfico de altimetria devia assemelhar-se a um sismógrafo em grande actividade, tal era a quatidade de desníveis que se sucediam. Para aliviar a dureza da prova, tínhamos desta vez um factor motivador pouco comum. O público estava presente em vários pontos do percurso e incentivava todos com grande entusiasmo. Fiquei com a sensação de que percorremos todos os caminhos da freguesia. A organização está de parabéns pela excelente jornada de BTT e esperemos que continuem em anos vindouros.

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