II Maratona BTT – Viana do Castelo

Ao longo deste ano, devido às condições atmosféricas, ao cansaço ou à falta de vontade, a bicicleta tem gozado uns bons períodos de folga. Assim, cerca de um mês após a última saída de bicicleta (na altura apenas para um pequeno passeio), surgia um novo desafio: a maratona de Viana do Castelo. Apesar de estar inscrito na maratona, a falta de treino aconselhava a optar pela meia-maratona e a fazê-la em ritmo bem moderado. O desconhecimento da zona também fazia aumentar a expectativa. Já tínhamos andado por lá aquando da Rota do Cavalo Selvagem e a experiência, tal como as paisagens e os trilhos, deixara boas recordações.
maratonaviana.jpg À hora prevista estávamos a levantar os dorsais e as recordações e prontos para a partida. No entanto, esta atrasou-se um pouco e só aconteceu bem próximo das 10:30h. Nessa altura o calor já se fazia sentir e as perspectivas eram de muito calor. O arranque foi dado e o grande pelotão dirigiu-se logo para o Monte de Santa Luzia. Apesar de longa, esta subida feita em estrada não é das mais difíceis e serviu para alongar um pouco o pelotão, diminuindo os engarrafamentos nas partes mais complicadas. Depois de passar o Santuário, o percurso ainda subia mais um pouco até uma viragem à esquerda onde começaram os trilhos em terra batida que se mantiveram quase até final. Estes foram bem escolhidos mas, devido ao calor, estavam muito secos e gerava-se muito pó, principalmente nas descidas mais rápidas.
As paisagens eram fantásticas, os caminhos eram “durinhos” e o calor começava a apertar, mas encontrei facilmente o meu ritmo e estava a andar confortavelmente. O mesmo não se passava com outros betetistas que começavam a apresentar dificuldades devido ao calor e, principalmente, devido à falta de água. Esta foi a maior falha da organização. Com temperaturas muito altas, não existiam abastecimentos de água intermédios e, no local marcado para reforço alimentar, a água esgotou, deixando muitos participantes desesperados. Esta falha foi gravíssima mas infelizmente não foi a única. Em termos de organização, este foi certamente o pior evento do género em que participei até hoje. Isto é duplamente lamentável pelo facto de ser uma organização “supostamente” profissional e pelo excelente percurso e paisagens que proporcionava. Estes aspectos serão levados em conta em possíveis participações futuras neste evento.

Arturo Sandoval

Há alguns anos, através de um filme – “For Love or Country: The Story of Arturo Sandoval” – fiquei a conhecer um pouco da história de vida de um dos grandes trompetistas do nosso tempo. Este fabuloso trompetista cubano teve grandes dificuldades para deixar a ilha e apresentar o seu enorme talento a outros pÃúlicos. Em Cuba, às escondidas, ouvia alguns mestres do jazz e foi um deles, Dizzie Gillespie, que o integrou na sua orquestra e permitiu a sua fuga ao regime político que condicionava o desenvolvimento internacional da sua carreira. Apesar das limitações políticas, Arturo Sandoval já era um fenómeno bem conhecido a nível mundial, devido ao enorme êxito do grupo Irakere. Este grupo criou um novo estilo musical de fusão entre o jazz e os ritmos e sons latinos e projectou alguns nomes para o panorama musical. Entre eles destacam-se os fundadores e líderes do grupo: Paquito D’Rivera, Chucho Valdez e Arturo Sandoval.

A minha curiosidade musical fez-me procurar informações e trabalhos dos Irakere e especialmente do seu trompetista. Quando ouvi algumas gravações do instrumentista cubano fiquei assombrado com o que ouvi. O seu domí­nio do trompete ultrapassava tudo o que imaginara. Ele conseguia atingir registos extremamente agudos com uma facilidade e clareza impressionantes. Além disso, o virtuosismo não era inferior à habilidade. Além da desenvoltura demonstrada na música latina e no jazz, onde o intérprete tem alguma liberdade musical, devido à forte formação clássica que teve, Arturo Sandoval também se sentia à vontade no estilo clássico. Chegou mesmo a acompanhar algumas das melhores orquestras mundiais, apresentando repertórios clássicos de referência com o mesmo à-vontade com que improvisava num tema latino.

A presença deste astro musical em Matosinhos foi uma grande surpresa e foi motivo mais que suficiente para marcar presença no Matosinhos Jazz 2009. Apesar da idade já ser considerável para um instrumentista de sopro, mostrou-se em grande forma, apresentando uma versatilidade e amplitude de sons incrível. Como se isto não fosse bastante, mostrou que se trata de um músico multifacetado e não se limitou a mostrar os seus dotes no trompete, brindando os presentes com a interpretação de vários instrumentos, impressionando especialmente ao piano. Tratou-se de um concerto surpreendente e memorável.

IV Passeio de BTT da Silva

Mais uma agradável manhã de Domingo e mais um não menos agradável passeio de bicicleta pelos montes das redondezas. Dada a proximidade do local de partida, bastou sair de casa vinte minutos antes da partida para chegar bem a tempo da mesma. A organização já tinha providenciado os dorsais e lembranças no dia anterior e, por isso, foi só aparecer no local à hora marcada, com vontade de pedalar e conviver um pouco. No ano anterior, este evento tinha revelado alguns trilhos desconhecidos e sem grande dificuldade física. Para esta edição esperávamos mais do mesmo.

4º Passeio BTT da SilvaComo no dia anterior já tínhamos feito um passeio, optámos por um ritmo moderado no início deste. Dado que o percurso era conhecido, deu para gerir melhor as energias e poupar um pouco antes das subidas. Assim, até chegar ao abastecimento e aos esperados bolos (combustível anímico), limitámo-nos a seguir um trajecto que, curiosamente, tínhamos efectuado uma semana antes num pequeno treino de preparação. Depois da pausa para abastecer e descansar um pouco, pensávamos que teríamos novos caminhos ou trilhos desconhecidos, mas tal não aconteceu. Até final, o percurso já era todo conhecido. Isto fez com que a longa descida do monte, desde São Gonçalo até São Fins, fosse feita a um ritmo pouco recomendável e por vezes arriscado. Pouco depois, sem grandes percalços estávamos novamente na Silva e de regresso a casa onde chegámos ainda antes do meio-dia (bem cedo para o habitual). Em suma, foi um passeio entretido em que fica alguma pena por não ter apresentado nenhum troço novo, o que também começa a não ser fácil dado o conhecimento que já vamos tendo dos montes cá da zona.

II Rota do Cavalo Selvagem

Rota do Cavalo SelvagemA Rota do Cavalo Selvagem já vai na segunda edição, mas foi a primeira vez que participei neste evento organizado pela Singletrack. O conhecimento deste passeio chegou-me através de um mail do António, que é um habitué destas andanças e um dos responsáveis pela minha escolha de bicicleta. Tinha-me cruzado com ele no "Azenhas do Neiva" na altura em que andava em processo de escolha e, se já andava de olho na Trek Fuel EX5, quando a vi nesse passeio fiquei quase convencido. Por acaso descobri o site do António e entrei em contacto com ele. Dado as boas referências que ele me deu da bicicleta, acabei por comprá-la. Apesar de nos correspondermos regularmente por mail, ainda não nos conhecíamos pessoalmente e, por isso, este passeio também serviu para isso.

Rota_Cavalo_SelvagemQuanto ao passeio, começou bem. O início foi feito com a subida até Santa Luzia, que já tinha feito anteriormente e que me agrada bastante. Depois de uma paragem em frente ao santuário para as fotos da praxe, continuámos a subir, rumo ao Parque Eólico, onde deveríamos avistar os cavalos selvagens. De facto, assim foi! Após uns quilómetros de algum esforço, compensados pelas fabulosas paisagens que se obtêm sobre a serra e a costa, pudemos apreciar vários exemplares dos referidos animais. Apesar de ser maioritariamente em subida, a maior dificuldade não foi o relevo, nem sequer o piso que até era bastante regular. O forte vento que se fazia sentir, quase sempre de frente, além de dificultar a progressão, arrefecia bastante os músculos e desaconselhava paragens para apreciar as vistas.

Rota_Cavalo_SelvagemDepois de vaguear um pouco pela serra e ver os equídeos, era altura de descer. A descida foi longa e teve partes espectaculares, com saltos e partes muito técnicas. Após uns bons minutos de descida a alta velocidade chegámos a Vila Praia de Âncora e, a partir daí, o percurso foi muito diferente mas igualmente espectacular. A parte final do passeio foi feito junto ao mar, por trilhos de enorme beleza paisagística, complementados desta vez por um vento pelas costas que ajudava a progredir quase sem esforço. Assim, chegámos a Viana pouco depois das 14 horas e não muito desgastados, pois no dia seguinte haveria novo passeio. Quanto a este, além de termos conhecido novos percursos, conhecemos também mais alguns entusiastas do pedal que pretendemos acompanhar em próximas aventuras.

Subida a Carris 2009

Uma das actividades que tenho realizado quase todos os anos com alguns amigos já está quase a atingir a categoria de tradição. Nos últimos cinco anos, este percurso foi feito por quatro vezes e três elementos são totalistas (eu e os Pires). A subida até às minas de Carris é uma caminhada fisicamente exigente e, simultaneamente, um exercício de fuga da civilização e de alguns dos seus vícios. Aproveitando a pausa escolar (e de algumas empresas) para festejar o Carnaval, aproveitámos para rever algumas das mais belas paisagens da Serra do Gerês.

Caminhada às Minas de CarrisEm edições anteriores havia sempre alguma dificuldade em fazer este percurso, inerente ao acentuado desnível e ao piso complicado. Porém, desta vez tínhamos uma agradável surpresa à nossa espera. Nas outras vezes, a caminhada foi feita no Verão ou no final da Primavera e com temperaturas agradáveis. Desta vez, a temperatura estava um pouco mais fresca, mas para caminhar até era bastante adequada. Na parte inicial do percurso há bastante sombra e, por isso, por vezes até se fez sentir algum frio. A partir do momento em que a vegetação começa a rarear, o calor começa a fazer-se notar. Contudo, quando a vegetação começava a diminuir, começava a surgir um novo elemento: alguns restos de neve. Apesar do Inverno rigoroso, o último nevão já tinha ocorrido há mais de três semanas e, como tal, já não esperávamos mais que uns restos de neve em sítios menos expostos ao Sol. De facto, começámos por ficar muito satisfeitos por encontrar pequenos amontoados de neve, conservados nas sombras nas margens do caminho. Porém, a partir do meio do percurso, deixaram de ser pedaços de neve ou gelo no caminho para se transformar num trilho completamente branco e pouco estável.

Serra do GerêsForam certamente uns quatro quilómetros percorridos sobre um piso instável e ruidoso, que constantemente nos pregava partidas, até chegar junto das minas desactivadas. As quedas e afundamentos na neve eram constantes, o que fez com que demorássemos mais a chegar ao cimo da serra. Depois de almoçar encostados a um penedo, para evitar as fortes rajadas de vento, fomos visiar a represa, que se encontrava completamente congelada, mais parecendo uma pista de patinagem, e subimos até ao marco geodésico, para apreciar as vistas sobre o enorme manto branco. Na descida continuaram as quedas que, por não serem poucas, começavam a desgastar as articulações e o cansaço começava a fazer-se sentir. Juntando estes dois factores, a nossa forma de caminhar parecia pouco sóbria. Com mais algumas escorregadelas, tropeções e tombos a condizer, lá conseguimos chegar novamente a solo firme e acelerar o passo até ao carro que nos traria até casa. A experiência de caminhar sobre neve foi nova para todos e, apesar de não estarmos preparados, distinguiu esta caminhada de todas as que tínhamos feito anteriormente. Para o próximo ano é para repetir (se o Inverno se portar novamente tão bem – ou tão mal).

Christian Lindberg

Christian LindbergEm Junho de 2005 visitei pela primeira vez a Casa da Música para assistir a um concerto do trombonista mais conceituado da actualidade – o sueco Christian Lindberg. Já conhecia alguns dos seus trabalhos mas apenas através da audição de discos. Nem sequer imaginava que o pudesse ver ao vivo quando, ao visitar a sua página pessoal, reparei que estaria na moderna sala de concertos portuense. Dado que na altura ainda não conhecia a Casa da Música, juntei o útil ao agradável e fui assistir a um grande concerto onde a Orquestra Nacional do Porto acompanhou o brilhantismo do trombonista. Nesse memorável concerto, além da emoção provocada pela presença de um prodígio musical extraordinário, ainda tive a oportunidade de assistir à estreia de uma obra de Mark Anthony Turnage  ("Yet Another Set To") para Trombone e Orquestra.

Christian LindbergDesde então tenho recebido constantemente as newsletters da Casa da Música e, quando reparei que o instrumentista sueco estava de regresso ao Porto, tratei imediatamente de assegurar a minha presença num dos espectáculos (desta vez a dose era em triplicado!). Mais uma vez, Christian Lindberg surpreendeu os espectadores com o seu virtuosismo e domínio completo do instrumento. Junte-se a isto a companhia da ONP e a fabulosa sensação acústica da Sala Suggia e temos mais uns momentos inolvidáveis para o livro de recordações. Neste concerto, Lindberg apresentou um Concerto para Trombone Alto e Orquestra, de Georg Christoph Wagenseil, e o fabuloso tema "A Motorbike Odissey", de Jan Sandstrom, composto propositadamente para ele interpretar (o que fez pela 657ª vez na carreira!). A sua enorme fama internacional deve-se, em grande parte, a esta obra, na qual o instrumentista faz com que o som do trombone se assemelhe ao de uma moto e, com coreografia a condizer, vai percorrendo o mundo numa aventura sonora, captando elementos típicos dos mais estranhos lugares, desde os pântanos da Florida (com o canto dos crocodilos) até aos países nórdicos de onde são naturais o autor e o intérprete, acompanhando tudo isto com acelerações, reduções, mudanças de velocidades e todos os sons imagináveis de uma motorizada.

Fiona Apple

Fiona AppleUma das minhas vozes preferidas nos últimos anos é a de Fiona Apple. Contrariamente ao que é habitual, "descobri-a" na rádio. A música "Fast As You Can" ficou-me no ouvido pela suas constantes variações rítmicas e melódicas e levou-me a procurar mais informação sobre a intérprete. Quando ouvi o álbum "When the Pawn Hits the Conflicts He Thinks like a King What He Knows Throws the Blows When He Goes to the Fight and He’ll Win the Whole Thing Fore He Enters the Ring There’s No Body to Batter When Your Mind Is Your Might So When You Go Solo, You Hold Your Own Hand and Remember That Depth Is the Greatest of Heights and If You Know Where You Stand, Then You’ll Know Where to Land and If You Fall It Won’t Matter, Cuz You Know That You’re Right." percebi que aquela era apenas umas das grandes músicas deste álbum. Além do título, também a qualidade musical deste trabalho era enorme e despertou-me a curiosidade para ficar a saber mais sobre Fiona Apple e a sua música.

A autora descende de uma família com várias ligações à música e teve desde criança, uma educação musical formal, aprendendo piano e mostrando ainda grande vocação para a interpretação. A sua adolescência ficou marcada por alguns episódios traumáticos que vieram a ter grande influência nas suas composições. Algumas das suas letras manifestam aspectos mais tristes e sombrios do seu caracter, resultantes desses acontecimentos marcantes.

When the Pawn...A carreira de Fiona Apple já ultrapassou a dezena de anos mas ainda só lançou três albuns. O primeiro, em 1996, intitulado "Tidal" foi considerado, logo na altura do lançamento, um dos mais marcantes da década. Em 1999, surgiu "When The Pawn…", através do qual fiquei a conhecer esta voz aveludada e as suas interpretações intensas. Em 2005 lançou o seu último trabalho até ao momento – "Extroadinary Machine". Um estilo muito próprio e uma elevada qualidade musical atravessam todos os seus trabalhos e aumentam a expectativa para os próximos. Este é um daqueles casos em que a qualidade se sobrepõe à quantidade e, sobretudo nas actividades artísticas, este factor é determinante na marca que deixam.

Para Record(o)ar

raquete.jpgDepois de alguns anos de iniciação ao ténis em que a grande dificuldade era o controlo da raquete e da força, começaram a surgir novos problemas. O desgate de algumas componentes da raquete começou a requerer alguns cuidados extra, sendo necessárias algumas substituições. No entanto, a primeira corda rebentada só surgiu com a terceira raquete (a primeira da Head), decorrido pouco tempo da sua aquisição. A partir daí, as cordas rebentadas passaram a ser um acontecimento praticamente normal. Ao fim de uns jogos, as cordas começam a dar sinais de desgaste e, mais jogo menos jogo, acabam por ceder. Porém, desta vez, uma corda que ainda não tinha dado sinais de desgaste, acabou por rebentar e fê-lo em grande. Numa pancada normalíssima, o ruído do batimento foi estranho e logo se percebeu que a corda não aguentara. A surpresa aconteceu quando, ao olhar para a raquete, verifiquei que a corda tinha rebentado em três pontos distintos. E nem foi com força! Se tivesse batido com mais força a bola teria atravessado a raqueteSmiley (ou então nem acontecia nada).

Trilho da Calcedónia

calcedonia1.jpgAproveitando o último dia de estadia do Vitor por cá, antes de voltar à Califórnia, aproveitámos para fazer algo que há muito não fazíamos. Reservámos o dia para uma caminhada em família, relembrando os tradicionais Domingos familiares da nossa infância. Dado que os pais não estão muito habituados a estas andanças, tínhamos de escolher um percurso interessante mas acessível. A primeira ideia foi uma subida às Minas de Carris. Contudo, a distância e a dureza do percurso não aconselhavam essa opção. Assim, após uma breve pesquisa na net, surgiu uma alternativa razoável – o Trilho da Calcedónia. Este percurso pedreste de Pequena Rota tem um percurso com cerca de 10kms, com início e fim na freguesia de Covide (Terras de Bouro). Apesar de não ser muito extenso, nos desdobráveis adquiridos no Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas, era considerado de dificuldade elevada e previa uma duração de cinco horas para a sua realização.

Trilho da CalcedóniaDepois de uma manhã vagueando pelo Gerês, com passagens pelos miradouros da Pedra Bela e pela Cascata do Arado, entre outros sítios interessantes, fomos parar a Campo do Gerês, onde acabámos por almoçar. Bem abastecidos partimos então rumo à Calcedónia. A caminhada começou já perto das 3 horas da tarde. O tempo estava bem agradável para caminhar e o início do trilho era relativamente plano, percorrendo alguns caminhos de Covide. Pouco depois, já completamente “fora da civilização”, o percurso alterou-se drasticamente e passámos a andar em carreiros bem complicados e com uma inclinação ascendente bem elevada. Aqui os “motores” começaram a aquecer e fez-se sentir a falta da água que ficou esquecida no carro. Também por esta altura, os pais começaram a tomar consciência da aventura em que se tinham metido. Efectivamente, o trilho era muito complicado e de grande dificuldade física. Para quem se estreava neste tipo de actividades, este não era certamente dos percursos mais fáceis.

calcedonia2.jpgCom boa disposição e algumas pausas para respirar um pouco, pois a subida não só era dura como também era bem longa, atingímos o cume, onde se encontravam os maiores rochedos e a famos Fenda da Calcedónia. O mais difícil estava ainda para vir. Se a subida não foi nada fácil, a descida foi bem pior. O trilho era estreito, com piso irregular e com declives bastante acentuados. A existência de muitas pedras soltas e alguma areia ao longo dos carreiros dificultava um pouco mais e os músculos pouco rotinados dos estreantes começavam a dar sinais de cansaço. Com o final à vista, foi num instante que terminámos o percurso e demos por concluída uma bela jornada pedestre. Para os mais novos (veteranos nisto) foi um trilho interessante, com belas paisagens e com alguma dificuldade. Para os menos novos e menos experientes foi bem durinho mas, apesar de tudo, um desafio superado e a repetir com frequência.

Maratona dos 5 Cumes 2008

Fui e fiz! Depois de na edição anterior ter ficado apenas pelos 3 cumes, desta vez a ideia era fazer o percurso completo. Apesar de já ter estado e melhor forma, achava que estava com forças e disposição para atacar os 5 cumes. Assim, logo na partida, aproveitando alguns quilómetros em estrada, aproveitei para ganhar algum terreno e posições, de modo a não perder muito tempo nos habituais congestionamentos nas partes mais duras ou mais técnicas. Até ao primeiro cume, com toda a gente cheia de força, eram constantes as trocas de posição no numeroso pelotão, ainda bem agrupado. Devido à dureza da subida final para o primeiro cume e a grande concentração de betetistas, esta foi feita quase toda à mão. A partir daí, com mais algumas subidas mais fáceis, os participantes foram-se dispersando e tornou-se possível imprimir um ritmo mais constante e ajustado às capacidades de cada um. A subida ao segundo e mais alto dos cumes – São Gonçalo (489 metros) – já foi feita com todos bem espaçados. Apesar de longa, devido ao traçado escolhido, esta nem foi das piores subidas. Pessoalmente, achei-a a mais fácil de todas. Lá, no ponto mais alto do Concelho de Barcelos, tínhamos o primeiro reforço alimentar à nossa espera e, enquanto abastecíamos, descansávamos o corpo e repúnhamos energias para o muito que ainda faltava.

5 Cumes 2008A parte seguinte seria, em teoria a mais fácil de todo o percurso. Tratava-se de uma longa e rápida descida, bem conhecida de muitos passeios pelos montes de Carapeços e arredores. No entanto, começou logo mal com um engano despropositado no percurso que me obrigou a uma dura rampa que não estava nos planos. Mas isto era só o início! Pouco depois, na descida de Penoucos (apesar de complicada devido à existência de muita pedra, era um local mais que conhecido), aconteceu o pior momento do dia. Uma tremenda queda – talvez a pior desde que me aventurei nisto – deixou-me marcado para o resto do dia. Um braço esfolado, uma perna bem pisada, o equipamento todo sujo e a moral afectada para o resto do dia. Como bom português, resta-me dizer: "Podia ter sido bem pior!" Depois de um contratempo destes, o ritmo abrandou e comecei a questionar a opção pelos 5 cumes. Além das feridas, um músculo da perna esquerda ficou em muito mau estado e dava sinais disso. Contudo, nas subidas, com o esforço aplicado, ele aquecia e aliviava um poco a dor. Assim, fui rodando com mais cuidado até ao Monte do Facho e, quando lá cheguei, sentia-me com forças para continuar pelo percurso mais longo. Assim decidi e lá me aventurei para os 2 cumes restantes.

Uma leitura antecipada do gráfico altimétrico já fazia prever dificuldades na penúltimo cume – o Monte de Airó. Esta era a subida mais longa e mais dura de todo o trajecto. Apesar do piso ser quase sempre regular, as sucessivas rampas apearam grande parte dos resistentes que optaram pela versão completa. No final desta interminável subida esperava-nos mais um reforço e o consolo de faltar apenas um (e o mais baixo) dos cumes. A descida deste monte era mais complicada do que qualquer uma das anteriores mas, desta vez, os cuidados foram redobrados. Mesmo assim ainda deu para alguns sustos. Depois de mais alguns quilómetros por entre montes e campos, abordámos a última dificuldade – o Monte da Franqueira. Logo no ínício da subida, mais uma paragem. Desta vez foi para prestar assistência a um betetista que furara pela segunda vez. Como, surpreendentemente (para os meus costumes), ainda não tinha furado, cedi-lhe uma câmara-de-ar e ajudei-o na reparação. Enquanto isso, deu para respirar um pouco e recuperar o fôlego para o subida final. Esta, que se esperava mais fácil que as anteriores, surpreendeu-me pela dureza apresentada. O percurso escolhido era composto por caminhos com muita pedra, obrigando a levar a bicicleta à mão várias vezes. Por fim chegámos ao topo e depois foi só descer até à cidade para dar por concluída mais uma grande e dura aventura. Esta foi daquelas que deixou marcas!

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