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Bragança

BragançaBem para lá do Marão, quase nos confins do nordeste transmontano, fica a acolhedora cidade de Bragança. Apesar de já ter passado por lá algumas vezes, ainda não conhecia a cidade. A oportunidade de descobrir este belo recanto de Portugal surgiu quando o Hélder me convidou, juntamente com o Jota, a passar lá um fim de semana. Assim, numa noite muito fria de Fevereiro, partímos em direcção ao cantinho superior direito do “rectângulo”. Já no final da longa viagem, fomos presenteados com uma surpresa. Nas imediações de Bragança estava a nevar e, para quem já não via nevar há muitos anos, foi uma agradável nota de boas vindas.

Castelo de BragançaNo dia seguinte, logo pela manhã, o nosso anfitrião proporcionou-nos uma visita guiada e comentada pela cidade. Nesse périplo visitámos o Castelo de Bragança, com a sua bela Torre de Menagem (onde visitámos o Museu Militar), a enigmática Domus Municipalis, a curiosa Cidadela, o Pelourinho quinhentista e o novo Teatro Municipal, entre outros monumentos e motivos de interesse. A cidade não é muito grande e a proximidade entre os vários monumentos faz com que um passeio a pé seja a melhor forma de a conhecer. O desnível do percurso até serviu para atenuar o frio que se fazia sentir.

Barragem MontesinhoDurante a tarde realizámos uma incursão pela Serra de Montesinho, onde apreciámos a beleza das paisagens transmontanas. A serra ainda tinha muita neve (pelo menos para nós que não estávamos habituados a ela), que serviu para voltarmos por uns tempos à nossa infância, arremessando bolas de neve e improvisando um trenó. Bem no meio de vales brancos estava a aldeia de Montesinho, que mereceu da nossa parte uma visita mais demorada, justificada pelo seu cariz rural ainda bem presente. As casas ainda mantêm a traça original e ainda se podem ver os animais livremente pelas ruas, dominadas por eles e pelas pessoas e não pelos automóveis. No final do dia deliciámo-nos com uma tenríssima posta mirandesa, um dos ícones da gastronomia transmontana, tal como a tradicional alheira que saboreámos no dia seguinte.

Sem qualquer dúvida, Bragança é um óptimo destino para passar uns dias muitos agradáveis com vários motivos de interesse. Tem monumentos interessantes, belas paisagens, uma gastronomia muito rica e pessoas muito calorosas e acolhedoras.

Férias 2007: das Beiras à Andaluzia

Aranha - NisaNo Verão passado iniciámos uma incursão pelas cidades espanholas classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade. Como o périplo ficou incompleto, este ano voltámos lá para descobrir um pouco mais dessas cidades históricas. Porém, antes da incursão por terras de Espanha, reservámos uns dias para conhecer um pouco do nosso país, mais propriamente a região mais alta, em redor da Serra da Estrela. Dado que fomos agradavelmente surpreendidos pela riqueza cultural e patrimonial da região, acabámos por ficar por lá mais uns dias e, não fosse o tempo limitado, teríamos ficado bem mais.

Invasões Francesas - AlmeidaComeçando por Viseu, percorremos várias localidades de inegável interesse e riqueza patrimonial, até chegarmos a Elvas uns dias depois. Montámos tendas no Parque de Campismo de Rossio de Valhelhas e por lá ficámos durante três noites. Nesse período de tempo aproveitámos para visitar algumas aldeias históricas, como Sortelha, Castelo Novo, Idanha-a-Velha e Monsanto. Todas supreenderam pela positiva e as visitas não puderam ser tão demoradas como deviam para as apreciar convenientemente. Além destas magníficas aldeias, visitámos algumas cidades e pequenas localidades muito interessantes. De entre estas podem-se destacar Almeida (onde fomos brindados com uma espectacular recriação das Invasões Francesas), Belmonte, Covilhã, Sabugal, Penamacor, Castelo Maior, Alfaiates, Manteigas, Penhas da Saúde, Alpedrinha, Castelo Branco, Vila Velha de Rodão, Nisa, Portalegre, Alegrete e Campo Maior.

Catedral de SevilhaDepois de Elvas, entrámos em Espanha, onde começamos por visitar Badajoz e de onde seguímos para Sevilha. Pelo meio parámos um pouco em Jerez de los Caballeros, onde aconteceram mais algumas peripécias. Em Sevilha demorámos um pouco mais e, mesmo assim, muito ficou por ver. De lá avançámos até Córdoba, seguindo-se Zafra, Mérida e Cáceres, antes da derradeira paragem em Valência de Alcântara, já com Portugal à vista. A reentrada em solo nacional foi feita da melhor forma com uma incursão pela Vila e Castelo de Marvão. Aí decidímos arrancar em direcção a casa, onde chegaríamos já de noite, enriquecendo um pouco mais o roteiro com pequenas paragens em Castelo de Vide, Belver e Fátima, onde cozinhámos e comemos a última das pouco variadas mas bem saborosas refeições típicas da época.

Agora que as cidades classificadas pela UNESCO estão quase esgotadas, os planos futuros apontam para as grandes metrópoles Madrid e Barcelona. Planos já existem. Agora resta esperar pelas próximas férias para ver o que irá surgir. Nestas surgiram muitas e agradáveis surpresas.

Cangas de Onís

Ponte Romana - Aguarela de Juan ValdiviaBem no Norte de Espanha, por entre as montanhas asturianas, podemos encontrar uma pequena cidade com muito para contar. Cangas de Onís encontra-se num vale onde confluem os rios Sella e Guena e disfruta de uma situação geográfica previlegiada, encontrando-se simultaneamente muito próxima do mar e da alta montanha. Isto faz com que seja um ponto de grande interesse turístico, mas a cidade está alicerçada num grandioso valor histórico. A região onde se situa possui vestígios históricos de eras muito remotas. Desde logo, é possível encontrar vários exemplos de arte rupestre, principalmente em grutas ou "cuevas". O ex-libris da cidade é a ponte romana, que curiosamente é medieval e não romana (embora construída sobre uma anterior ponte romana). Na época da romanização, e mesmo antes, Cangas era um dos locais de maior importância nesta região.

Don Pelayo - Cangas de OnísMais tarde, quando os muçulmanos invadiram e conquistaram a península, apenas uma pequena região nas Astúrias resistiu a esse domínio. Nessa região vivia uma legião de católicos que, a partir desse reduto inquebrável, iniciaram a Reconquista da Península aos mouros. Em 722, liderados por Pelayo, que viria a ser proclamado o primeiro rei das Astúrias, essa legião de bravos asturianos lançou as bases do que viriam a ser muito mais tarde os Reinos de Espanha e de Portugal, vencendo a mítica batalha de Covadonga. Nessa altura, Cangas de Onís foi proclamada capital das Astúrias e assim permaneceu durante vários anos.

Igreja de Santa Maria - Cangas de OnísNo presente, Cangas de Onís é uma cidade voltada para o turismo, principalmente na versão ligada à Natureza. No centro da cidade existem várias lojas de recuerdos onde abundam as famosas vacas asturianas, a típica cidra e outros produtos muito característicos da região. Em termos arquitectónicos, a cidade e as suas imediações apresentam um estilo muito próprio, onde se destacam as casas de montanha e os hórreos asturianos (espigueiros quadrados). Merecem ainda destaque a Igreja de Santa Maria, construída no início da década de 60, o Palácio Pintu e o Ayuntamiento, todos situados no centro da localidade. Bem perto de Cangas de Onís ficam ainda o Santuário e os famosos Lagos de Covadonga.

Lamego

Sé de Lamego
Mesmo sendo uma cidade de pequena ou média dimensão, os motivos de interesse abundam em Lamego. A cidade é muito antiga, tendo surgido muito antes da formação do país. A este respeito, foi em Lamego, na Igreja de Almacave, que D. Afonso Henriques realizou as Primeiras Cortes, logo a seguir à declaração e reconhecimento da independência portuguesa. Bem próximo de Almacave fica o Castelo de Lamego e as suas muralhas, cuja construção remonta à época medieval. Em redor do Castelo podemos percorrer ruas muito antigas, muito estreitas e muito inclinadas que nos levam, em poucos metros, até à parte baixa da cidade. Aqui chegados temos mais alguns elementos de elevado valor patrimonial. A Sé de Lamego destaca-se pela sua dimensão e interesse histórico que possui. Nela podem-se obsevar diferentes períodos de construção e vários estilos presentes. Nos tectos do seu interior podemos apreciar as ilustres pinturas de Nicolau Nasoni (mestre italiano que se fixou em Portugal, onde criou as suas maiores obras, entre elas a Torre dos Clérigos). Por toda a cidade podemos encontrar ainda várias igrejas e capelas de menor dimensão. O cariz religioso da cidade é evidente. Aliás, Lamego é a única Diocese portuguesa que não é capital de distrito.

Senhora dos Remédios - LamegoNa encosta poente da cidade encontra-se outro grande monumento – o Santuário da Senhora dos Remédios. A sua imponente escadaria, composta por mais de 600 degraus (que subi algumas vezes!) e com fontes, capelas e outros motivos decorativos pelo meio, é actualmente o maior cartão de visita da cidade. No cimo da escadaria encontra-se a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade, cujas festividades atraem ao local milhares de visitantes e romeiros no início de Setembro. Nas imediações do Santuário situam-se as principais infra-estruturas desportivas locais. O Estádio dos Remédios, onde habitualmente joga o Sporting de Lamego, é um exemplar dos antigos estádios portugueses, com grandes bancadas em pedra. Próximo do estádio fica o Parque Desportivo do IND (Instituto Nacional do Desporto), onde é possível efectuar alguns agradáveis passeios ou corridas em contacto com a Natureza. É frequente avistar esquilos ou aves menos comuns no bosque percorrido pelo circuito de manutenção.

Serra das Meadas - LamegoA situação geográfica de Lamego também merece destaque. Situado na margem esquerda do Douro, o concelho de Lamego faz parte desta região demarcada e são comuns as típicas vinhas nas encostas das montanhas, criando um interessante padrão de linhas verdes ajustado ao relevo acidentado. A Norte da cidade fica a Serra das Meadas, de onde é possível apreciar simultaneamente a cidade e o Rio Douro. Além das agradáveis paisagens, na serra também existe um interessante Parque Biológico com várias espécies de animais no seu ambiente natural. Além disto, podemos encontrar algumas aldeias bem interessantes ao longo das serras que circundam a cidade.

Jaca

Cidadela de Jaca
No coração dos Pirinéus encontra-se a cidade de Jaca. Embora seja uma pequena cidade, possui uma enorme riqueza histórica e monumental. No século XIX, D. Sancho Ramirez escolheu-a para se tornar a primeira capital do antigo Reino de Aragão. Ainda no mesmo século, foi em Jaca que foi construída a primeira catedral românica de Espanha. A importância histórica da cidade é relevada pela sua posição geográfica. Dado que se encontra muito próxima da fronteira com a França, a cidade teve de se proteger devidamente e, para tal, foram construídos vários edifícios de cariz militar, de entre os quais se destaca a Cidadela. Esta construção medieval em forma pentagonal encontra-se praticamente intacta e é um dos melhores exemplos da arquitectura medieval de defesa destacando-se o enorme fosso, a ponte elevatória e os postos de vigia em cada vértice da muralha.

Outro motivo de destaque para a cidade é a passagem pelo seu interior o Caminho Francês de Santiago. Esta importante rota de peregrinação faz com que, desde há muitos séculos, vários milhares de pessoas cruzem e admirem Jaca, que é ainda a primeira cidade desse importante roteiro. O caminho proveniente de Somport juntava-se em Jaca com outros caminhos menos conhecidos, provenientes de outras zonas os Pirinéus. Além do famoso caminho, hoje existem várias rotas ou trilhos de pedestrianismo que atraem ao local vários turistas com interesse pelos ambientes naturais.

Catedral de JacaNo presente, Jaca desenvolve-se em torno do turismo e tem apostado fortemente nesse aspecto. Encontra-se já entre os principais centros de desportos de Inverno da cordilheira dos Pirinéus. Ainda nessa vertente, a cidade vai organizar em 2007 (já na próxima semana) o Festival Olímpico de Inverno da Juventude Europeia. Este evento procura ser uma ante-câmara para a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno em 2014. A cidade já concorreu à organização dos Jogos em duas ocasiões mas não conseguiu receber a sua organização.

Na viagem realizada pelo Norte de Espanha no Verão de 2004, fizemos uma agradável paragem em Jaca, para nos ambientarmos aos Pirinéus, e pudemos observar uma cidade muito interessante.

San José

San José - Museum of Modern Art
A cidade de San José, apesar de pouco conhecida, é uma das maiores e mais prósperas dos Estados Unidos. A sua população já ultrapassa o milhão de habitantes, o que faz dela a décima maior no aspecto demográfico. No entanto, o crescimento do aglomerado urbano é muito recente, tendo o seu número de habitantes aumentado exponencialmente nos últimos anos. As origens da cidade remontam aos finais do século XVIII, quando os colonizadores espanhóis fundaram no local El Pueblo de San José de Guadalupe. Durante muitos anos, a povoação caracterizou-se pelo seu caracter rural. No século seguinte começou a corrida ao ouro e toda a região se desenvolveu bastante. San José não constituiu excepção a esse desenvolvimento e foi proclamada a capital do recém-formado Estado da Califórnia. Mais tarde viria a perder esse título. Hoje em dia, já se destaca como grande cidade americana, mas ainda vive um pouco na sombra da vizinha San Francisco.

San José - City HallA mudança de estatuto de San José começou a consolidar-se nos anos 60. O mayor da cidade apostou fortemente no crescimento da cidade e fez várias acções de marketing para promover a cidade. Nessa sua campanha conseguiu atrair novas empresas para a cidade e fez crescer uma pequena povoação rural para uma grande cidade que se estendia pelo Silicon Valley. A indústria tecnológica foi uma das que se sentiu atraída e que se estabeleceu no local. A IBM foi pioneira nesse aspecto, mas seguiram-se-lhe várias empresas e hoje a região é considerada o maior centro tecnológico da América.

San José - The TechActualmente, a cidade procura tornar-se também atractiva para a indústria turística. Têm sido construídas várias infra-estruturas nesse sentido. Uma delas é o Tech Museum – um museu de Ciência e Tecnologia que, além de mostrar alguns elementos históricos destas áreas, permite aos visitantes conhecer as mais recentes inovações científicas e tecnológicas. Com tantos motivos de interesse, a tarde que passei a visitá-lo passou num instante. Não sendo tão monumental como a vizinha San Francisco, San José será certamente uma das metrópoles americanas deste século.

Stanford & Berkeley

Universidade de Stanford
Eu tive a sorte e o prazer de realizar a minha licenciatura na Universidade do Minho (no Polo de Gualtar) e era invejado por muitos estudantes de outras universidades que se queixavam das condições que tinham ou, na maior parte dos casos, que não tinham. Como tal, não me posso queixar muito da instituição que escolhi para os meus estudos superiores. Contudo, quando se visitam algumas das melhores universidades americanas, a nossa opinião sobre as faculdades cá do burgo alteram-se radicalmente. Na minha viagem pela Califórnia visitei três dessas escolas, sendo que duas delas, Stanford e Berkeley, são verdadeiras "catedrais" do ensino. A outra Universidade visitada (San José) também é interessante, mas não se aproxima das duas primeiras.

Universidade de Stanford - Interior da CatedralA primeira que visitei foi Stanford e fiquei logo bastante impressionado pela dimensão do Campus. A Universidade possui enormes jardins e áreas de lazer destinadas ao convívio académico. Destas destacam-se as excelentes infra-estruturas desportivas. As representações desportivas são fruto de grande rivalidade entre as várias universidades e também contribuem para o seu prestígio. Além disso, em Stanford existem edifícios surpreendentes se tivermos em conta que se trata de uma universidade. De entre eles destaca-se uma riquíssima catedral, que em nada fica a perder para grandes igrejas europeias. Existem também algumas características muito peculiares nas várias escolas que criam um ambiente único.

Universidade de BerkeleyNo mesmo dia da visita a Stanford, ainda houve tempo para uma visita, um pouco mais curta, a Berkeley. Esta Universidade têm um estilo arquitéctónico diferente da anterior. Nesta os edifícios são maiores e predominantemente brancos, enquanto que naquela são edifícios muito longos, mas baixos, e de uma tonalidade amarelada. Berkeley é conhecida pelo elevado número de Nobels que alberga. Trata-se da instituição de ensino cujos quadros possuem mais docentes laureados com o famoso prémio da Academia Sueca. Existe um parque de estacionamento exclusivo para os mesmos. Em Berkeley destacam-se entre os vários elementos da Universidade a sua imponente biblioteca e a torre do relógio. Estas duas universidades cultivam entre si uma antiga e saudável rivalidade.

Big Sur

Big SurO Big Sur é uma região costeira da Califórnia dominada por paisagens de uma enorme beleza. Trata-se de uma faixa litoral com cerca de 150 kms, situada entre San Francisco e Los Angeles, mais próxima daquela, banhada pelas águas do Pacífico e cercada pelas Montanhas de Santa Lucia. Em tempos longínquos, esta região foi habitada por algumas tribos de aborígenes nómadas que aproveitavam o clima ameno da região e a abundância de recursos para nela se estabelecerem durante algum tempo. Aquando da colonização espanhola da região, iniciada por Juan Cabrillo, as populações locais foram praticamente dizimadas por doenças trazidas pelos colonizadores e pelo trabalho escravo nas missions. O nome dado à região também deriva da designação que os espanhóis lhe atribuiram quando lá chegaram – "El país grande del sur" – devido à vastidão de territórios selvagens que encontraram a Sul de Monterey (capital da colónia).

Big Sur - Higway 1A construção da Highway 1 veio alterar significativamente a vida desta região. Antes da sua conclusão, o Big Sur era uma região inexplorada onde viviam apenas alguns rancheiros muito isolados do exterior. Depois da construção, a beleza local atraiu muitos turistas e pessoas abastadas para a região. As luxuosas mansões costeiras são uma das características actuais da região. No entanto, numa tentativa de manter os traços originais, as autoridades locais proibiram a afixação de publicidade e a construção de edifícios junto à Highway 1. O interesse de muitos em se estabelecer na região é refreado pelos exorbitantes preços exigidos para construir no local. Esta medida tem afastado o interesse imobiliário e, apesar da grande dimensão, a região é habitada por apenas 1500 pessoas, não existindo aglomerados populacionais.

Big Sur - CaliforniaA fama do local tem sido reforçada pela presença e referência de vários artistas ao local. Um dos mais destacados exemplos disso foi Jack Kerouac que, depois de passar uma temporada de férias na região, escreveu a sua maior obra, justamente intitulada Big Sur. Ainda hoje, o local continua a ser fonte de inspiração e refúgio para muitos artistas.

N’América

Estátua da Liberdade - Las VegasHá precisamente um ano, estava a iniciar a minha maior viagem até hoje. Nesse dia parti em direcção aos Estados Unidos, mais precisamente ao Estado da Califórnia, onde viria a chegar muitas horas depois. Para quem nunca tinha andado de avião, foi uma estreia em grande. Foram mais de 14 horas, distribuídas por dois aviões, pois a viagem incluia uma escala em Franckfurt (Alemanha). Apesar da extensão da viagem, o meu organismo não manifestou nenhuma reacção anormal, sentindo apenas os efeitos do jet-lag, como o cansaço e o sono.

Nos Estados Unidos, o primeiro aspecto a chamar a atenção foi a multiculturalidade. Embora não notemos isso, na região onde vivo, somos todos muito iguais. Nos States a diversidade de culturas é enorme e nota-se ainda mais nas regiões costeiras, como consequência de grandes vagas de imigração.  Fruto da sua posição geográfica, a Califórnia recebeu inúmeros emigrantes vindos principalmente da Ásia, do México e da América do Sul, ultrapassando já o número de americanos "originais".

Golden Gate Bridge - São FranciscoDurante esta jornada pelo Novo Mundo, visitei algumas cidades impressionantes, como São Francisco ou Las Vegas, e outros locais de muito interesse. A organização das cidades também é muito distinta da portuguesa, destacando-se as enormes avenidas. As ruas formam uma grelha quase perfeita que facilita bastante a orientação. Os edifícios são construídos a outra escala e com outros materiais. No entanto, a maior diferença verifica-se a nível das mentalidades. Os americanos têm uma perspectiva muito diferente dos europeus (e mais ainda dos portugueses) em relação aos mais variados assuntos. Para quem nunca se tinha alongado muito para além das margens do "rectângulo", foi uma experiência marcante e inesquecível. 

Montalegre

Castelo de Montalegre
Lá bem no Norte de Portugal, encostada à Galiza, a vila de Montalegre é um dos maiores símbolos da resistência portuguesa às invasões estrangeiras. Além da sua condição fronteiriça implicar uma constante tensão com as forças galegas ou espanholas, as gentes do Barroso sempre se mostraram um “osso duro de roer”. Nas suas tentativas de invasão de Portugal, as tropas francesas tiveram grande oposição na sua passagem pela região, destacando-se os confrontos na Misarela.

Nos últimos anos, esta região tem sido eleita para alguns períodos de férias. Para quem procura descanso e contacto com a Natureza, não deverão existir muitas regiões melhores do que esta. Além disso, as gentes do Barroso também sabe receber e tratar muito bem os seus visitantes. O ambiente tranquilo das serras e as paisagens relaxantes onde abundam os cursos de água e as grandes barragens do Cávado e do Rabagão, proporciona agradáveis passeios de carro e mesmo a pé.
Trilho do RioNormalmente, estabelecemos a nossa base no Parque de Campismo de Penedones, debruçado sobre a Barragem de Pisões, e dali partimos à aventura e à descoberta de um património rico. Existem vários monumentos interessantes mas o melhor mesmo é percorrer a vila e as aldeias e descobrir a beleza de uma ruralidade perdida em quase todo o país.

Pitões das JúniasMesmo no Inverno, Montalegre merece uma visita, nem que seja para apreciar as mesmas paisagens com uma tonalidade diferente. As aldeias barrosãs cobertas de neve parecem verdadeiros quadros, dignos de uma demorada e atenta visita. Uma das mais interessantes localidades é Pitões das Júnias. O seu Convento, mesmo em ruínas, é um belo monumento, situado na margem de um ribeiro, encravado entre as montanhas. O seu casario ainda reflete um tipo de construção característico de uma zona que vivia em função do campo e dos seus labores.
Embora seja uma pequena vila, Montalegre têm muitos motivos de interesse e as condições necessárias para passar umas férias agradáveis.