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Novo endereço

Depois de vários anos em www.helderrodrigues.com, mudei-me para um novo domí­nio. Agora estou em www.helderrodrigues.eu e por aqui devo ficar nos próximos tempos. Aqueles que me acompanhavam devem registar esta alteração e continuar a fazê-lo na nova morada. No antigo endereço mora agora um homónimo meu que é um dos melhores pilotos a ní­vel mundial: o motard Hélder Rodrigues. Para ele os desejos de muita sorte e que trate bem aquela que foi a “minha casa” nos últimos quatro anos.

Nova companheira de aventuras

el_camino02.jpgApós quatro anos e meio de muito uso, decidi dar algum descanso à guerreira que me acompanhou em grandes aventuras e longos passeios por montes e estradas. A minha Esmaltina (Whitney) já fez certamente uns bons milhares de quilómetros e ainda aguentaria mais alguns. No entanto, o grande desgate a que a sujeitei e os planos para novas e exigentes aventuras, levaram-me a procurar uma sucessora para esta grande resistente. Esta bicicleta foi, sem dúvida, um dos melhores investimeneos que realizei. Teve um custo baixo e uma produtividade elevadíssima, acrescentando a isso uma grande fiabilidade. Em mais de quatro anos, há a registar apenas alguns furos (quase todos na mesma semana) e três trocas de pedaleira (se tinha algum ponto fraco, era este). Foi e continuará a ser uma companheira de extrema confiança, porque uma preciosidade destas não se deve desprezar.

Trek Fuel EX5A sucessora da Whitney é uma Trek Fuel EX5. Trata-se de uma máquina com outro nível de equipamento e materiais, o que se refletiu no seu custo. Espero que, no mínimo, faça o dobro do que a sua antecessora e que se porte tão bem quanto esta. Tenho a impressão que me dará mais trabalho e muito mais despesas do que a anterior, até porque tem muito mais coisas para avariar. Apesar de não ser um topo de gama, penso que servirá perfeitamente para os meus devaneios pelos caminhos e estradas das redondezas e para algumas incursões mais longínquas. Desejo-lhe muita sorte e que seja uma digna sucessora da corajosa e resistente guerreira que agora servirá para percursos menos exigentes.

Caminho Francês de Santiago

O merecido descanso da guerreiraQuase um ano depois de ter feito o Caminho Português de Santiago, realizámos uma nova aventura por rotas jacobeias. Depois de uma preparação baseada em algumas horas de ginásio e uns passeios domingueiros de bicicleta, eu e o Nélson partimos para mais uma dura e longa viagem pelo Norte de Espanha. Desta vez escolhemos o Caminho Francês, que é também o mais célebre e mais frequentado. O planeamento antecipado deu-nos uma ideia das dificuldades por que passaríamos e também dos motivos de interesse de várias localidades no Caminho.

Caminho de SantiagoA aventura começou na Segunda-feira, dia 2 de Abril, com uma viagem de camião. Com a simpatia e boa vontade do Sr. Macedo e a colaboração do Serafim Costa, arranjámos uma forma muito eficaz e prática de realizar a viagem de ida. No entanto, o camião que nos levaria já estava muito cheio, o que nos obrigou a desmontar as bicicletas e acomodá-las em espaços muito exíguos. Depois de várias horas de viagem e de uma noite dormida no camião que seguia para Logronho, optámos por ficar em Burgos. Assim, a meio da tarde de Terça-feira, desembarcámos nos arredores de Burgos, onde iniciámos a grande aventura.

El CaminoNos dias seguintes, as dificuldades sucederam-se e foram sendo ultrapassadas, com maior ou menor custo. O cansaço também se ia acumulando com o decorrer dos quilómetros, mas a vontade de chegar e a proximidade de Santiago geravam forças e ânimo para completar a jornada. Na viagem em duas rodas entre Burgos e Santiago fomos confrontados com todo o tipo de relevo, desde as enormes planícies de Castela e Leão às grandes montanhas galegas, e ainda de variações bruscas no clima, onde tivémos chuva intensa, sol abrasador, ventos fortes e até queda de neve.

Chegada a SantiagoQuando se chega a Santiago já se sente alguma nostalgia e saudade das aventuras e peripécias do Caminho. O ambiente que se vive e que se partilha torna este percurso especial. Os peregrinos apresentam uma predisposição natural para o convívio saudável e para a entreajuda. "El Camino" cria um ambiente propício para a criação de novas amizades e também para o crescimento pessoal, pelo tipo de vivências que permite experimentar. Apesar da dureza e das dificuldades que tivémos de ultrapassar, já existem projectos para novos empreendimentos semelhantes a curto ou médio prazo. A todos aqueles que se envolvam numa aventura como esta: "Buen Camino".

Last.fm

Last.fmUltimamente, o meu meio preferencial para ouvir música tem sido o computador. Quando estou a navegar pela internet, a realizar algum trabalho escolar ou outra qualquer actividade, tenho por hábito ter música de fundo. Antes usava CDs ou álbuns em mp3, guardados no computador, para ouvir os meus artistas preferidos. Há uns tempos atrás, descobri o last.fm e os meus hábitos alteraram-se. O last.fm é um pequeno programa que se instala rapidamente e que consome poucos recursos. Depois de activado, o last.fm transforma-se na nossa rádio pessoal. Podemos escolher os temas ou os artistas do nosso agrado e o programa reproduz alguns desses artistas e outros do mesmo género.last.fm Assim, além de ouvir a música que gostamos, ficamos a conhecer outros artistas semelhantes, acabando alguns deles por entrar para a nossa lista de preferências. Além de escolher a música por autor, podemos também escolher por estilo musical, ou ainda escutar a rádio de outro utilizador do last.fm. À medida que o vamos utilizando, com base nas nossas escolhas, o programa vai elaborando uma rádio pessoal de cada utilizador. Esta é uma forma interessante de descobrir novos autores e podemos ainda travar conhecimento com outras pessoas espalhadas pelo mundo, com os mesmos gostos musicais. Numa altura em que a internet caminha cada vez mais num sentido de comunicação, colaboração e partilha, o last.fm é um bom exemplo das novas aplicações presentes nesta rede global.

Hélder Rodrigues no Lisboa-Dakar

Hélder RodriguesPara aqueles cibernautas que vieram cá parar na esperança de encontrar a página pessoal desse talentoso piloto português, lamento desiludi-los, mas não sou eu. Apesar de termos o mesmo nome, o gosto pelas motos já não é comum a ambos. Para mim, duas rodas só na bicicleta! Já conhecia a existência deste meu homónimo há alguns anos, desde que começou a brilhar no motociclismo nacional. Agora que mostra as capacidades a nível internacional, fico ainda mais satisfeito pelo seu sucesso.

Para não deixar completamente desiludidos aqueles que vinham em busca de um conceituado piloto de motociclismo e encontraram um desconhecido professor de Matemática, deixo-lhes aqui o link para um site mais do vosso agrado. Já agora, desculpem a intromissão na vossa busca.Smiley

E boa sorte para o Hélder Rodrigues no Lisboa-Dakar! (Só pelo nome que tem, bem a merece! Smiley)

N’América

Estátua da Liberdade - Las VegasHá precisamente um ano, estava a iniciar a minha maior viagem até hoje. Nesse dia parti em direcção aos Estados Unidos, mais precisamente ao Estado da Califórnia, onde viria a chegar muitas horas depois. Para quem nunca tinha andado de avião, foi uma estreia em grande. Foram mais de 14 horas, distribuídas por dois aviões, pois a viagem incluia uma escala em Franckfurt (Alemanha). Apesar da extensão da viagem, o meu organismo não manifestou nenhuma reacção anormal, sentindo apenas os efeitos do jet-lag, como o cansaço e o sono.

Nos Estados Unidos, o primeiro aspecto a chamar a atenção foi a multiculturalidade. Embora não notemos isso, na região onde vivo, somos todos muito iguais. Nos States a diversidade de culturas é enorme e nota-se ainda mais nas regiões costeiras, como consequência de grandes vagas de imigração.  Fruto da sua posição geográfica, a Califórnia recebeu inúmeros emigrantes vindos principalmente da Ásia, do México e da América do Sul, ultrapassando já o número de americanos "originais".

Golden Gate Bridge - São FranciscoDurante esta jornada pelo Novo Mundo, visitei algumas cidades impressionantes, como São Francisco ou Las Vegas, e outros locais de muito interesse. A organização das cidades também é muito distinta da portuguesa, destacando-se as enormes avenidas. As ruas formam uma grelha quase perfeita que facilita bastante a orientação. Os edifícios são construídos a outra escala e com outros materiais. No entanto, a maior diferença verifica-se a nível das mentalidades. Os americanos têm uma perspectiva muito diferente dos europeus (e mais ainda dos portugueses) em relação aos mais variados assuntos. Para quem nunca se tinha alongado muito para além das margens do "rectângulo", foi uma experiência marcante e inesquecível. 

Aida – Monumental Opera on Fire

Aida - Monumental Opera on FirePara quem nunca tinha assistido a um espectáculo de Ópera, a estreia dificilmente poderia ter sido melhor. A Aida, da autoria do compositor italiano Giuseppe Verdi, é uma obra grandiosa. Esta Ópera foi composta em 1871, a pedido do vice-rei do Egipto, Ismail Pashá, para comemorar a inauguração do Canal de Suez. Depois disso, já foi representada inúmeras vezes pelo mundo inteiro, sendo uma das óperas mais representadas de sempre. Dado que os espectáculos desta qualidade não abundam entre nós, aproveitei a sua presença no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, para assistir a alguns momentos sublimes de arte.

Aida - Monumental Opera on FireEsta ópera, baseada num conto ou novela de Auguste-Edouard Mariette (arqueólogo e egiptólogo), conta a história de um jovem comandante egípcio, Radamés, que liderou as tropas do faraó, numa guerra contra a Etiópia, e de duas mulheres: Aida e Amneris. Aida é filha de Amonasro, Rei da Etiópia, e vive como escrava na corte egípcia. Amneris é a princesa egípcia e vive rodeada de luxo e de escravas, entre elas Aida. Apesar das enormes diferenças entre elas, o amor por Radamés é comum a ambas. O rei egípcio oferece a mão da sua filha a Radamés, como reconhecimento pela sua vitória. Contudo, para surpresa de todos, ele prefere Aida. Esta escolha faz com que deixe de ser considerado herói e passe a traidor e, como tal, é condenado à morte. Ele é enviado para uma cripta fechada onde deverá esperar a morte e lá encontra Aida que quer partilhar esses momentos junto dele. A obra termina com a descida de ambos para a cripta e com os lamentos de Amneris.

Aida - Monumental Opera on FireNos dias de hoje a Ópera é vista com alguma desconfiança. Uns acham-na antiquada, outros chata e ainda há alguns que gostam. Do que tinha ouvido na rádio ou visto na televisão, não tinha ficado grande admirador, mas depois de ver ao vivo, fiquei com vontade de repetir muitas mais vezes. No fundo, trata-se de um dos espectáculos mais completos a que podemos assistir. Conjuga a Música, o Teatro, o Bailado e, neste caso, muita tecnologia. Sem dúvida, um grande espectáculo!

Rómulo de Carvalho

Rómulo de CarvalhoCompletam-se hoje 100 anos que nasceu Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, um dos portugueses mais notáveis do século XX. Nasceu e cresceu na freguesia da Sé, em Lisboa, no seio de uma família humilde. A sua mãe, apesar de possuir apenas a instrução primária, tinha uma grande paixão pela literatura e incutiu-a ao filho. Essa influência foi tão notória que, aos 5 anos, o menino Rómulo escreve os seus primeiros poemas. Aos 10 anos completa "Os Lusíadas" que considerava um livro de História escrito em verso. Durante o seu percurso escolar sempre mostrou grande inclinação para as letras. No entanto, à medida que foi progredindo, começou a ficar cada vez mais fascinado pelas ciências. Esse fascínio concretizou-se na entrada na Universidade do Porto, onde cursou Ciências Fisico-Químicas.

Na sua vida profissional, desempenhou a profissão de professor de forma apaixonada tendo dito: "ser Professor tem de ser uma
paix̣o Рpode ser uma paix̣o fria mas tem de ser uma paix̣o. Uma dedica̤̣o."
Além de professor, Rómulo de Carvalho dedicou-se também à divulgação científica, promovendo a publicação de várias obras de difusão da cultura científica, e à criação de manuais escolares que eram reconhecidos pelo seu grau de inovação na abordagem dos complexos assuntos da Física e da Química.

Apenas em meados dos anos 50, quando já tinha atingido os 50 anos, surge uma nova faceta na vida de Rómulo de Carvalho. O seu primeiro livro de poesia – Movimento Perpétuo – obtem reconhecimento do público e da crítica. No entanto, usou o pseudónimo de António Gedeão, preservando a sua identidade através do anonimato. Apesar do início de carreira tardio, António Gedeão viria a tornar-se um dos maiores poetas portugueses. Alguns dos seu poemas, como "Pedra Filosofal" e "Lágrima de Preta", tornaram-se verdadeiros marcos da poesia portuguesa. Apesar de assumir personalidades diferentes para o professor e para o poeta, a sua poesia interligava-se de forma notável com a ciência.

Cadernos de Iniciação Científica - Rómulo de CarvalhoRetirou-se do ensino em 1974, algo desiludido com o rumo que este estava a tomar. Passa a dedicar-se mais intensamente à divulgação científica e à poesia, tendo publicado várias obras nesse periodo. Viria a falecer em 1997, com 90 anos, mas deixou um enorme legado no ensino, na pedagogia, na divulgação científica e na poesia. Em sua memória, o dia 24 de Novembro é actualmente considerado o Dia Nacional da Divulgação Científica.

Muitos parabéns!!!

Vitor

 
Para o mano que hoje comemora mais um aniversário, os meus parabéns e desejos de muitas felicidades!!!

No tempo desta foto ainda tinha mão nele.:)

Agora ninguém o segura!

Muitos parabéns Vitor!!!

Caminho de Santiago em bicicleta

A Caminho de Santiago

A minha grande aventura deste Verão decorreu entre os dias 8 e 10 de Agosto. A ideia já tinha uns tempos, mas existiam alguns receios de a concretizar. O único que teve um grau de loucura semelhante ao meu foi o Nelson, que desde o princípio se mostrou entusiasmado com a ideia. Depois de alguns treinos, mais ou menos intensivos, decidimos fazer-nos ao Caminho.

O trajecto que escolhemos ligava São Tiago de Carapeços a Santiago de Compostela, tendo ainda que passar por Barcelos para perfazer os 200 kms exigidos para obtenção da Compostela (documento que atesta a realização do Caminho de Santiago). O Caminho foi pensado para os peregrinos a pé e, como tal, os que o fazem em bicicleta têm algumas dificuldades acrescidas. Existem sítios em que não podemos ir em cima da bicicleta, nem sequer ao lado. Temos de ser nós a carregá-la! Não é de todo injusto, porque as bicicletas também sofrem muito com o caminho.

O Nélson e eu em SantiagoNo primeiro dia ligámos Carapeços a Redondela (Espanha), destacando-se nesta etapa a dureza do percurso entre Ponte de Lima e Valença. Talvez fosse o troço mais bonito, mas não deu para apreciar muito. Fizemos cerca de 120 kms mas a recuperação física foi facilitada pelo excelente jantar e pelas boas condições do albergue de peregrinos local.

No segundo dia ligámos Redondela a Santiago, onde chegámos a meio da tarde. Foram cerca de 90 kms, menos duros que os anteriores mas com algum cansaço acumulado. No entanto, a sensação de objectivo cumprido, na chegada à Catedral de Santiago, faz esquecer todo o esforço. Pelo meio, ainda houve tempo para uma queda e um furo (tudo para mim, claro!), mas sem grandes consequências. Depois fomos levantar a Compostela e procurar o Seminário Menor, onde ficámos alojados. Só foi pena não conseguirmos visitar a Catedral, pois já estava fechava quando lá voltámos, depois de termos ido ao Seminário Menor marcar as dormidas.

Chegada de SantiagoÀ noite concluímos que não estávamos muito cansados e decidímos que, no dia seguinte, íamos tentar fazer o regresso todo num único dia. Dado que viríamos por estrada, o ritmo seria mais elevado, mas eram muitos quilómetros. Saímos cedo e ao fim de 3 horas estávamos a lanchar em Pontevedra, sendo que 3 horas depois já estávamos a almoçar em Valença. Pelo meio ainda fizémos cerca de 20 kms por auto-estrada (por engano!). Às 5h30 já estávamos em casa. Foram mais de 180 kms em que o nosso maior adversário foi o imenso calor que se fazia sentir.

Em resumo, foi uma grande aventura que despertou a vontade de outras ainda maiores. Ficou a ideia de fazer o Caminho Francês de Santiago. Vamos ver se a ideia se mantém ou se é passageira, mas certamente existirão novas loucuras do mesmo género!