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Orquestra Ligeira do Exército

Cerca de dois anos após a última visita, voltei ao Theatro Circo. Desta vez, o objectivo era rever a Orquestra Ligeira do Exército  (OLE). Já os tinha visto anteriormente em duas ocasiões. A primeira foi em Vale de Cambra e, se não me engano, estávamos em 1993. A segunda vez que assisti a um espectáculo da OLE foi no Coliseu do Porto há cerca de cinco anos. Apesar do tempo que passou entre cada concerto, ainda recordo bastantes pormenores dos mesmos. Sei que, pelo menos um elemento (mas talvez sejam mais), ainda se mantém desde o primeiro concerto que assisti. A formação têm-se mantido mas, naturalmente, tem-se assistido a uma renovação dos elementos que a compõem. Se há vinte e tal anos era a única big band do paí­s, hoje, felizmente, já são em número significativo. Contudo, a OLE não manteve a qualidade que possuí­a nessa altura: melhorou-a. E muito!

Orquestra Ligeira do ExércitoA nível de repertório, o estilo também se mantém, mas aparecem novas músicas ou versões diferentes de músicas que já fazem parte do “património” da OLE. Neste concerto ouviram-se temas muito diversificados, passando por clássicos do swing, como “Mack the Knife”, temas da época dourada da música ligeira portuguesa (Paulo de Carvalho ou Fernando Tordo), versões swingadas de fados de Carlos do Carmo, música tradicional portuguesa (enriquecida com magní­ficos arranjos de orquestra), grandes nomes do rock, como os ABBA, os Queen ou Phil Collins, e até a controversa (mas talentosa) Amy Winehouse. Com esta diversidade e com a reconhecida qualidade apresentada a evidente satisfação do público era completamente natural e justificada.

A nível pessoal, é sempre uma enorme satisfação ver a OLE e, em jeito de confissão, reconheço que, em tempos, cheguei a ponderar o cumprimento do serviço militar. Não pelo sentido de missão ou pelo espírito de corpo que isso representava, mas por achar que, dentro dos meus gostos e apetências musicais, o lugar de terceiro trombone (ou trombone baixo) da OLE seria a realização máxima das minhas pretensões a ní­vel musical. Por tudo isto, espero revê-los brevemente e ficar novamente agradado.

Arturo Sandoval

Há alguns anos, através de um filme – “For Love or Country: The Story of Arturo Sandoval” – fiquei a conhecer um pouco da história de vida de um dos grandes trompetistas do nosso tempo. Este fabuloso trompetista cubano teve grandes dificuldades para deixar a ilha e apresentar o seu enorme talento a outros pÃúlicos. Em Cuba, às escondidas, ouvia alguns mestres do jazz e foi um deles, Dizzie Gillespie, que o integrou na sua orquestra e permitiu a sua fuga ao regime político que condicionava o desenvolvimento internacional da sua carreira. Apesar das limitações políticas, Arturo Sandoval já era um fenómeno bem conhecido a nível mundial, devido ao enorme êxito do grupo Irakere. Este grupo criou um novo estilo musical de fusão entre o jazz e os ritmos e sons latinos e projectou alguns nomes para o panorama musical. Entre eles destacam-se os fundadores e líderes do grupo: Paquito D’Rivera, Chucho Valdez e Arturo Sandoval.

A minha curiosidade musical fez-me procurar informações e trabalhos dos Irakere e especialmente do seu trompetista. Quando ouvi algumas gravações do instrumentista cubano fiquei assombrado com o que ouvi. O seu domí­nio do trompete ultrapassava tudo o que imaginara. Ele conseguia atingir registos extremamente agudos com uma facilidade e clareza impressionantes. Além disso, o virtuosismo não era inferior à habilidade. Além da desenvoltura demonstrada na música latina e no jazz, onde o intérprete tem alguma liberdade musical, devido à forte formação clássica que teve, Arturo Sandoval também se sentia à vontade no estilo clássico. Chegou mesmo a acompanhar algumas das melhores orquestras mundiais, apresentando repertórios clássicos de referência com o mesmo à-vontade com que improvisava num tema latino.

A presença deste astro musical em Matosinhos foi uma grande surpresa e foi motivo mais que suficiente para marcar presença no Matosinhos Jazz 2009. Apesar da idade já ser considerável para um instrumentista de sopro, mostrou-se em grande forma, apresentando uma versatilidade e amplitude de sons incrível. Como se isto não fosse bastante, mostrou que se trata de um músico multifacetado e não se limitou a mostrar os seus dotes no trompete, brindando os presentes com a interpretação de vários instrumentos, impressionando especialmente ao piano. Tratou-se de um concerto surpreendente e memorável.

Christian Lindberg

Christian LindbergEm Junho de 2005 visitei pela primeira vez a Casa da Música para assistir a um concerto do trombonista mais conceituado da actualidade – o sueco Christian Lindberg. Já conhecia alguns dos seus trabalhos mas apenas através da audição de discos. Nem sequer imaginava que o pudesse ver ao vivo quando, ao visitar a sua página pessoal, reparei que estaria na moderna sala de concertos portuense. Dado que na altura ainda não conhecia a Casa da Música, juntei o útil ao agradável e fui assistir a um grande concerto onde a Orquestra Nacional do Porto acompanhou o brilhantismo do trombonista. Nesse memorável concerto, além da emoção provocada pela presença de um prodígio musical extraordinário, ainda tive a oportunidade de assistir à estreia de uma obra de Mark Anthony Turnage  ("Yet Another Set To") para Trombone e Orquestra.

Christian LindbergDesde então tenho recebido constantemente as newsletters da Casa da Música e, quando reparei que o instrumentista sueco estava de regresso ao Porto, tratei imediatamente de assegurar a minha presença num dos espectáculos (desta vez a dose era em triplicado!). Mais uma vez, Christian Lindberg surpreendeu os espectadores com o seu virtuosismo e domínio completo do instrumento. Junte-se a isto a companhia da ONP e a fabulosa sensação acústica da Sala Suggia e temos mais uns momentos inolvidáveis para o livro de recordações. Neste concerto, Lindberg apresentou um Concerto para Trombone Alto e Orquestra, de Georg Christoph Wagenseil, e o fabuloso tema "A Motorbike Odissey", de Jan Sandstrom, composto propositadamente para ele interpretar (o que fez pela 657ª vez na carreira!). A sua enorme fama internacional deve-se, em grande parte, a esta obra, na qual o instrumentista faz com que o som do trombone se assemelhe ao de uma moto e, com coreografia a condizer, vai percorrendo o mundo numa aventura sonora, captando elementos típicos dos mais estranhos lugares, desde os pântanos da Florida (com o canto dos crocodilos) até aos países nórdicos de onde são naturais o autor e o intérprete, acompanhando tudo isto com acelerações, reduções, mudanças de velocidades e todos os sons imagináveis de uma motorizada.

Fiona Apple

Fiona AppleUma das minhas vozes preferidas nos últimos anos é a de Fiona Apple. Contrariamente ao que é habitual, "descobri-a" na rádio. A música "Fast As You Can" ficou-me no ouvido pela suas constantes variações rítmicas e melódicas e levou-me a procurar mais informação sobre a intérprete. Quando ouvi o álbum "When the Pawn Hits the Conflicts He Thinks like a King What He Knows Throws the Blows When He Goes to the Fight and He’ll Win the Whole Thing Fore He Enters the Ring There’s No Body to Batter When Your Mind Is Your Might So When You Go Solo, You Hold Your Own Hand and Remember That Depth Is the Greatest of Heights and If You Know Where You Stand, Then You’ll Know Where to Land and If You Fall It Won’t Matter, Cuz You Know That You’re Right." percebi que aquela era apenas umas das grandes músicas deste álbum. Além do título, também a qualidade musical deste trabalho era enorme e despertou-me a curiosidade para ficar a saber mais sobre Fiona Apple e a sua música.

A autora descende de uma família com várias ligações à música e teve desde criança, uma educação musical formal, aprendendo piano e mostrando ainda grande vocação para a interpretação. A sua adolescência ficou marcada por alguns episódios traumáticos que vieram a ter grande influência nas suas composições. Algumas das suas letras manifestam aspectos mais tristes e sombrios do seu caracter, resultantes desses acontecimentos marcantes.

When the Pawn...A carreira de Fiona Apple já ultrapassou a dezena de anos mas ainda só lançou três albuns. O primeiro, em 1996, intitulado "Tidal" foi considerado, logo na altura do lançamento, um dos mais marcantes da década. Em 1999, surgiu "When The Pawn…", através do qual fiquei a conhecer esta voz aveludada e as suas interpretações intensas. Em 2005 lançou o seu último trabalho até ao momento – "Extroadinary Machine". Um estilo muito próprio e uma elevada qualidade musical atravessam todos os seus trabalhos e aumentam a expectativa para os próximos. Este é um daqueles casos em que a qualidade se sobrepõe à quantidade e, sobretudo nas actividades artísticas, este factor é determinante na marca que deixam.

Xaile

XaileUm dos mais recentes e mais interessantes projectos musicais portugueses esteve em Barcelos para abrilhantar a XXVI Mostra de Artesanato e Cerâmica. Tratando-se de um evento onde se procuram divulgar as artes e ofícios tradicionais, a presença das Xaile enquadrou-se perfeitamente no ambiente e objectivos do certame. A música que as três intérpretes apresentam tem um caracter genuinamente tradicional, onde são revisitadas as raízes da música popular portuguesa, conjugando instrumentos tradicionais e modernos, resultando uma sonoridade bem agradável e muito interessante.

XaileAs Xaile são um trio de excelentes músicas que, além de instrumentistas (abrangendo vários instrumentos, maioritariamente tradicionais), também cantam – e muito bem! As suas vozes interligam-se harmoniosamente, enriquecendo muito as belas melodias que interpretam. São ainda acompanhadas por quatro músicos de grande nível que se encarregam dos instrumentos de base, servindo de suporte aos malabarismos vocais da Lília, da Marie e da Bia.

O.N.P. + O.J.M.

Uma orquestra sinfónica divide o palco com uma big band, num concerto que junta pela primeira vez duas formações bem conhecidas do público. Criada em 1999 com o apoio da Câmara Municipal de Matosinhos, a
Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM) tem vindo a afirmar-se como uma das
formações mais dinâmicas do jazz português actual e a única no país com
formação permanente e actividade regular. Sob a direcção de Carlos Azevedo e Pedro Guedes, a OJM é constituída por alguns dos melhores músicos de jazz da região norte. A Orquestra Nacional do Porto tem feito da Casa da Música a sua residência e aí tem feito um grande trabalho de divulgação da música clássica no Norte do país.

Orquestra de Jazz de MatosinhosPrograma:

Parte I
Set de Jazz pela OJM
Leornard Bernstein: West Side Story, Danças Sinfónicas

Parte II
Duke Ellington: Night Creature, para Jazz Band e Orquestra
Rolf Liebermann: Concerto para Jazz Band e Orquestra Sinfónica

Na primeira parte do concerto, as duas formações tocaram separadamente. A OJM abriu o programa com três composições do seu repertório, "BJO" e "Does It Matter", de Carlos Azevedo, e "Jamiro", de Pedro Guedes. O concerto prosseguiu com a ONP e as "Danças sinfónicas de West Side Story", uma suite orquestral composta a partir da música original de um dos maiores êxitos de sempre da Broadway, passando por melodias que ficaram na história do teatro musical e do cinema.

OJM + ONP - Casa da MúsicaA segunda parte é preenchida por obras dos anos 50, compostas especificamente para o conjunto dos dois tipos de formação – orquestra de jazz e orquestra sinfónica. Abre com "Night Creature", de Duke Ellington (para muitos o melhor compositor e chefe de orquestra de jazz de sempre). Segue-se o "Concerto para orquestra de jazz e orquestra sinfónica", do suíço Rolf Liebermann, compositor ligado ao mundo das orquestras sinfónica e conhecido pelo carácter multifacetado das suas obras. O Concerto de Liebermann passa por vários géneros ligados à música popular, explícitos em andamentos com títulos como "Blues", "Boogie-woogie" e "Mambo".

A junção de duas orquestras de tamanha qualidade só poderia ter um resultado: um concerto magnífico. O desconforto de ficar sentado no chão de uma bancada foi insignificante perante a qualidade do menu apresentado. Nem mesmo o trânsito incomodou minimamente e a agradável noite de Verão ficou praticamente perfeita. Numa palavra: memorável!

Mariza

No mesmo local onde há cerca de dois anos assisti a um dos últimos concertos dos Madredeus,
tive oportunidade de assistir desta vez a mais um grande concerto. Por
coincidência, ao grupo português com maior projecção internacional
sucedeu a artista portuguesa mais reconhecida actualmente em todo o
mundo. Aquela que é considerada a embaixadora do fado e maior
representante da música portuguesa marcou presença no Parque de São
João, nas margens do Rio Lima, numa agradabilíssima noite de Verão.

Mariza - TerraMariza
encantou os espectadores com a sua música e presenteou-os com alguns
temas do novo álbum – Terra – que seria lançado uns dias depois. O
público mostrou-se entusiasmado e aplaudiu entusiasticamente todos os
temas, principalmente aqueles mais familiares ao ouvido. Apesar do
concerto se ter realizado ao ar livre e com muita gente espalhada pela
relva, notou-se o agrado e o respeito do público pelo espectáculo que
lhe estava a ser proporcionado. Nas partes em que a voz da artista
ficava a solo, sentia-se a admiração e emoção do público, manifestado
através de profundos silêncios seguidos de estrondosos e prolongados
aplausos.

MarizaFoi o primeiro concerto de fado a que assisti e além de
ter apreciado bastante a componente musical, senti que a "alma
portuguesa" se revela neste estilo musical. Mesmo não sendo um grande
apreciador de fado, reconheço-o como o representante máximo da música
(e até mesmo da cultura) portuguesa. Acima de tudo, fiquei fascinado
com o magnfíico som da guitarra portuguesa. A poderosa voz de Mariza
dominou as atenções dos espectadores, mas a técnica exímia dos músicos
que a acompanhavam deixou-me quase hipnotizado. A velocidade
estonteante com que os dedos percorriam as cordas e a torrente musical
que dali brotava deixou-me, a mim e a muitos outros, completamente
extasiados. Para quem nunca tinha assistido a um concerto de fado, o
início não foi nada mau.

BassDrumBone

Hence the Reason - BassBrumBone
Quando era estudante tinha o hábito de me oferecer uma prenda quando um exame corria muito bem. Numa dessas ocasiões dirigi-me a uma discoteca da Valentim de Carvalho para escolher um CD que me agradasse. Escutei vários álbuns mas houve um que me agradou particularmente, apesar de me ser completamente desconhecido. Tratava-se de "Hence the Reason" dos BassDrumBone. As músicas presentes nesse trabalho eram diferentes de tudo que tinha ouvido até então. Desde a formação extremamente incomum – trombone, bateria e baixo – até à experimentalidade sonora e diversidade rítmica, tudo me agradou logo na primeira audição. Mesmo tendo ouvido outras coisas que também me agradaram, a escolha recaiu obviamente nos BassDrumBone.

BrassDrumBoneFoi com grande surpresa que constatei da presença dos BassDrumBone no BragaJazz deste ano. Este é, sem dúvida, um dos meus grupo de eleição, mas nem sequer sonhava que algum dia os pudesse ver ao vivo, quanto mais mesmo ao pé da porta. Assim, logo que soube da sua presença no festival de jazz bracarense, reservei um espaço na minha agenda, pois era um acontecimento imperdível. Como tal, na noite de 7 de Março, dirigi-me ao renovado Theatro Circo para assistir a um memorável concerto. O trio composto por Ray Anderson, no trombone, Mark Helias, no contrabaixo, e Gerry Hemingway, na bateria, já toca junto há mais de trinta anos e isso vê-se e sente-se pela complementaridade e cumplicidade que revelam em palco. Mesmo com muita improvisação e demonstrações da sublime técnica individual de cada um, o conjunto está sempre presente. Mesmo em ambientes rítmicos e sonores bastante complexos, nunca se nota uma sensação de deriva no conjunto. São membros diferentes de um corpo perfeitamente articulado. Cada elemento consegue demonstrar o seu virtuosismo (e todos eles são grandes referencias no seu instrumento) sem quebrar a unidade do conjunto. Eu estava particularmente atento ao trombonista, que me deixou completamente extasiado, mas não pude ficar indiferente à impressionante qualidade dos outros elementos. Para mim, o concerto passou num instante e ficaria ali mais algumas horas a apreciar tanto talento, mas fiquei com a impressão que boa parte do público não sentiu o mesmo. O caracter claramente atípico deste agrupamento e da sua música tornam a sua audição num exercício estimulante mas não muito fácil para quem está habituado a música mais normal. A falta de harmonia e de uma melodia evidente nos temas apresentados tornava-os menos agradáveis ao ouvido. Mais do que um concerto, tratou-se de uma verdadeira e riquíssima aula de técnica instrumental.

Michael Bublé

Michael Bublé
Nos meus gostos musicais existe um lugar de especial destaque para as big bands (cujo apogeu aconteceu nos anos 30 e 40 na América), talvez por ter começado a minha instrução musical por este estilo musical. No entanto, actualmente as big bands existem em número reduzido e já estiveram mesmo muito perto da extinção. Porém, surgiu um novo crooner no panorama musical mundial, o que já não acontecia desde os anos dourados de Sinatra e companhia (destacando-se neste capítulo o famosíssimo Rat Pack). O jovem canadiano Michael Bublé voltou a colocar o swing nos tops musicais e fez com que muitos ouvintes mais novos tomassem contacto com este género musical.

Michael Bublé - It's TimeO grande responsável pela incursão de Bublé pelo swing foi o seu avô que, desde muito cedo, habituou o neto a ouvir e apreciar as big bands e, quando se apercebeu, o jovem Michael estava completamente rendido a este estilo e os seus sonhos incluiam uma carreira no mundo musical, seguindo os seus grandes ídolos e referências – Ella Fitzgerald, Bobby Darrin, Dean Martin e Frank Sinatra. A sua carreira musical começou em 1996 com “First Dance”, mas o verdadeiro sucesso chegou em 2003 com o álbum “Michael Bublé”. Nesse trabalho, o cantor apresentou novas versões de grandes clássicos como “Mack the knife”, “Fever”, “Sway” ou “Moondance”. Os espectaculares arranjos para a banda e as suas entusiasmantes interpretações levaram-no a obter reconhecimento público e sucesso comercial.

Michael BubléA partir de então, todos os seus discos têm obtido grande sucesso, destacando-se “It’s Time”, “Caught In The Act” e “Call Me Irresponsible”. Além do cuidado trabalho de estúdio e das magníficas orquestrações, o cantor procura agradar ao público nas suas actuações ao vivo. O próprio assume que é, acima de tudo, um entretainer. Aliado ao seu talento está uma orquestra de grandes músicos e uma grande produção de espectáculos que o levou a correr o mundo em digressão e que, tal como os seus ídolos, realizou uma temporada de concertos em Las Vegas. Neste momento, a sua carreira está consolidada e, devido ao carácter intemporal dos temas que interpreta, é de esperar que esta continue com grande sucesso durante muitos anos.

Chet Baker

Chet BakerNascido em 1929, em Yale (Oklahoma), Chesney Henry Baker Jr., viria a tornar-se num dos maiores símbolos do jazz. Na década de 50, Chet Baker integrou um dos melhores grupos da época: o Gerry Mulligan Quartet. A sua forma de tocar trompete inseria-se perfeitamente num novo movimento jazzístico que acabava de surgir: o cool jazz. As suas interpretações eram caracterizadas pelo som suave e límpido, sem vibrato ou outros quaisquer efeitos. Além de trompetista, Chet também era vocalista e a sua forma de cantar era semelhante à forma de tocar trompete. Preferia dar ênfase à letra e expressão aos sentimentos do que apostar em malabarismos vocais. Nesta altura, era o elemento mais proeminente do cool jazz na Costa Oeste, fazendo frente a Miles Davis, o criador deste novo estilo, que "reinava" na Costa Este.

Chet BakerA sua crescente fama e o seu aspecto de estrela de cinema fizeram dele um dos ícones sociais e culturias da época. Apesar da carreira de sucesso que ia construindo, a vida particular de Chet era caótica. As suas relações amorosas eram problemáticas e pouco duradouras, ao contrário da sua ligação aos estupefacientes. Chet era viciado em heroína, facto que o levou várias vezes à prisão. Numa dessas detenções, em resultado de confrontos físicos, viria a perder os dentes da frente. Este acidente fez com que tivesse de passar por uma nova fase de aprendizagem, para tocar trompete usando dentadura.

Chet Baker
Na música de Chet, destaca-se o tema "My Funny Valentine", cujas interpretações o lançaram para a ribalta e que ele foi modificando ao longo dos tempos. Era a sua música predilecta e interpretou-a muitas vezes e de muitas formas. Este foi apenas o tema mais destacado de uma vastíssima produção musical. Chet gravou mais de 100 álbuns, chegando a lançar cinco, ou até mais, em alguns anos. Na fase final da sua carreira, Chet Baker mudou-se para a Europa e mudou também para o fliscorne, em detrimento do trompete. Segundo muitos críticos, esta foi a melhor fase musical do artista. O timbre mais doce do fliscorne realçava ainda mais a sua forma característica de tocar. Em 1988, viria a falecer, em Amsterdão, após uma queda da varanda do hotel onde se encontrava alojado. Apesar do seu desaparecimento trágico e da sua vida desregrada, a música de Chet Baker relaxa o ouvinte e permite apreciar a beleza da simplicidade.