Monthly Archives: May 2009

II Maratona BTT – Viana do Castelo

Ao longo deste ano, devido às condições atmosféricas, ao cansaço ou à falta de vontade, a bicicleta tem gozado uns bons períodos de folga. Assim, cerca de um mês após a última saída de bicicleta (na altura apenas para um pequeno passeio), surgia um novo desafio: a maratona de Viana do Castelo. Apesar de estar inscrito na maratona, a falta de treino aconselhava a optar pela meia-maratona e a fazê-la em ritmo bem moderado. O desconhecimento da zona também fazia aumentar a expectativa. Já tínhamos andado por lá aquando da Rota do Cavalo Selvagem e a experiência, tal como as paisagens e os trilhos, deixara boas recordações.
maratonaviana.jpg À hora prevista estávamos a levantar os dorsais e as recordações e prontos para a partida. No entanto, esta atrasou-se um pouco e só aconteceu bem próximo das 10:30h. Nessa altura o calor já se fazia sentir e as perspectivas eram de muito calor. O arranque foi dado e o grande pelotão dirigiu-se logo para o Monte de Santa Luzia. Apesar de longa, esta subida feita em estrada não é das mais difíceis e serviu para alongar um pouco o pelotão, diminuindo os engarrafamentos nas partes mais complicadas. Depois de passar o Santuário, o percurso ainda subia mais um pouco até uma viragem à esquerda onde começaram os trilhos em terra batida que se mantiveram quase até final. Estes foram bem escolhidos mas, devido ao calor, estavam muito secos e gerava-se muito pó, principalmente nas descidas mais rápidas.
As paisagens eram fantásticas, os caminhos eram “durinhos” e o calor começava a apertar, mas encontrei facilmente o meu ritmo e estava a andar confortavelmente. O mesmo não se passava com outros betetistas que começavam a apresentar dificuldades devido ao calor e, principalmente, devido à falta de água. Esta foi a maior falha da organização. Com temperaturas muito altas, não existiam abastecimentos de água intermédios e, no local marcado para reforço alimentar, a água esgotou, deixando muitos participantes desesperados. Esta falha foi gravíssima mas infelizmente não foi a única. Em termos de organização, este foi certamente o pior evento do género em que participei até hoje. Isto é duplamente lamentável pelo facto de ser uma organização “supostamente” profissional e pelo excelente percurso e paisagens que proporcionava. Estes aspectos serão levados em conta em possíveis participações futuras neste evento.

Arturo Sandoval

Há alguns anos, através de um filme – “For Love or Country: The Story of Arturo Sandoval” – fiquei a conhecer um pouco da história de vida de um dos grandes trompetistas do nosso tempo. Este fabuloso trompetista cubano teve grandes dificuldades para deixar a ilha e apresentar o seu enorme talento a outros pÃúlicos. Em Cuba, às escondidas, ouvia alguns mestres do jazz e foi um deles, Dizzie Gillespie, que o integrou na sua orquestra e permitiu a sua fuga ao regime político que condicionava o desenvolvimento internacional da sua carreira. Apesar das limitações políticas, Arturo Sandoval já era um fenómeno bem conhecido a nível mundial, devido ao enorme êxito do grupo Irakere. Este grupo criou um novo estilo musical de fusão entre o jazz e os ritmos e sons latinos e projectou alguns nomes para o panorama musical. Entre eles destacam-se os fundadores e líderes do grupo: Paquito D’Rivera, Chucho Valdez e Arturo Sandoval.

A minha curiosidade musical fez-me procurar informações e trabalhos dos Irakere e especialmente do seu trompetista. Quando ouvi algumas gravações do instrumentista cubano fiquei assombrado com o que ouvi. O seu domí­nio do trompete ultrapassava tudo o que imaginara. Ele conseguia atingir registos extremamente agudos com uma facilidade e clareza impressionantes. Além disso, o virtuosismo não era inferior à habilidade. Além da desenvoltura demonstrada na música latina e no jazz, onde o intérprete tem alguma liberdade musical, devido à forte formação clássica que teve, Arturo Sandoval também se sentia à vontade no estilo clássico. Chegou mesmo a acompanhar algumas das melhores orquestras mundiais, apresentando repertórios clássicos de referência com o mesmo à-vontade com que improvisava num tema latino.

A presença deste astro musical em Matosinhos foi uma grande surpresa e foi motivo mais que suficiente para marcar presença no Matosinhos Jazz 2009. Apesar da idade já ser considerável para um instrumentista de sopro, mostrou-se em grande forma, apresentando uma versatilidade e amplitude de sons incrível. Como se isto não fosse bastante, mostrou que se trata de um músico multifacetado e não se limitou a mostrar os seus dotes no trompete, brindando os presentes com a interpretação de vários instrumentos, impressionando especialmente ao piano. Tratou-se de um concerto surpreendente e memorável.