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Trilho da Calcedónia

calcedonia1.jpgAproveitando o último dia de estadia do Vitor por cá, antes de voltar à Califórnia, aproveitámos para fazer algo que há muito não fazíamos. Reservámos o dia para uma caminhada em família, relembrando os tradicionais Domingos familiares da nossa infância. Dado que os pais não estão muito habituados a estas andanças, tínhamos de escolher um percurso interessante mas acessível. A primeira ideia foi uma subida às Minas de Carris. Contudo, a distância e a dureza do percurso não aconselhavam essa opção. Assim, após uma breve pesquisa na net, surgiu uma alternativa razoável – o Trilho da Calcedónia. Este percurso pedreste de Pequena Rota tem um percurso com cerca de 10kms, com início e fim na freguesia de Covide (Terras de Bouro). Apesar de não ser muito extenso, nos desdobráveis adquiridos no Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas, era considerado de dificuldade elevada e previa uma duração de cinco horas para a sua realização.

Trilho da CalcedóniaDepois de uma manhã vagueando pelo Gerês, com passagens pelos miradouros da Pedra Bela e pela Cascata do Arado, entre outros sítios interessantes, fomos parar a Campo do Gerês, onde acabámos por almoçar. Bem abastecidos partimos então rumo à Calcedónia. A caminhada começou já perto das 3 horas da tarde. O tempo estava bem agradável para caminhar e o início do trilho era relativamente plano, percorrendo alguns caminhos de Covide. Pouco depois, já completamente “fora da civilização”, o percurso alterou-se drasticamente e passámos a andar em carreiros bem complicados e com uma inclinação ascendente bem elevada. Aqui os “motores” começaram a aquecer e fez-se sentir a falta da água que ficou esquecida no carro. Também por esta altura, os pais começaram a tomar consciência da aventura em que se tinham metido. Efectivamente, o trilho era muito complicado e de grande dificuldade física. Para quem se estreava neste tipo de actividades, este não era certamente dos percursos mais fáceis.

calcedonia2.jpgCom boa disposição e algumas pausas para respirar um pouco, pois a subida não só era dura como também era bem longa, atingímos o cume, onde se encontravam os maiores rochedos e a famos Fenda da Calcedónia. O mais difícil estava ainda para vir. Se a subida não foi nada fácil, a descida foi bem pior. O trilho era estreito, com piso irregular e com declives bastante acentuados. A existência de muitas pedras soltas e alguma areia ao longo dos carreiros dificultava um pouco mais e os músculos pouco rotinados dos estreantes começavam a dar sinais de cansaço. Com o final à vista, foi num instante que terminámos o percurso e demos por concluída uma bela jornada pedestre. Para os mais novos (veteranos nisto) foi um trilho interessante, com belas paisagens e com alguma dificuldade. Para os menos novos e menos experientes foi bem durinho mas, apesar de tudo, um desafio superado e a repetir com frequência.

Maratona dos 5 Cumes 2008

Fui e fiz! Depois de na edição anterior ter ficado apenas pelos 3 cumes, desta vez a ideia era fazer o percurso completo. Apesar de já ter estado e melhor forma, achava que estava com forças e disposição para atacar os 5 cumes. Assim, logo na partida, aproveitando alguns quilómetros em estrada, aproveitei para ganhar algum terreno e posições, de modo a não perder muito tempo nos habituais congestionamentos nas partes mais duras ou mais técnicas. Até ao primeiro cume, com toda a gente cheia de força, eram constantes as trocas de posição no numeroso pelotão, ainda bem agrupado. Devido à dureza da subida final para o primeiro cume e a grande concentração de betetistas, esta foi feita quase toda à mão. A partir daí, com mais algumas subidas mais fáceis, os participantes foram-se dispersando e tornou-se possível imprimir um ritmo mais constante e ajustado às capacidades de cada um. A subida ao segundo e mais alto dos cumes – São Gonçalo (489 metros) – já foi feita com todos bem espaçados. Apesar de longa, devido ao traçado escolhido, esta nem foi das piores subidas. Pessoalmente, achei-a a mais fácil de todas. Lá, no ponto mais alto do Concelho de Barcelos, tínhamos o primeiro reforço alimentar à nossa espera e, enquanto abastecíamos, descansávamos o corpo e repúnhamos energias para o muito que ainda faltava.

5 Cumes 2008A parte seguinte seria, em teoria a mais fácil de todo o percurso. Tratava-se de uma longa e rápida descida, bem conhecida de muitos passeios pelos montes de Carapeços e arredores. No entanto, começou logo mal com um engano despropositado no percurso que me obrigou a uma dura rampa que não estava nos planos. Mas isto era só o início! Pouco depois, na descida de Penoucos (apesar de complicada devido à existência de muita pedra, era um local mais que conhecido), aconteceu o pior momento do dia. Uma tremenda queda – talvez a pior desde que me aventurei nisto – deixou-me marcado para o resto do dia. Um braço esfolado, uma perna bem pisada, o equipamento todo sujo e a moral afectada para o resto do dia. Como bom português, resta-me dizer: "Podia ter sido bem pior!" Depois de um contratempo destes, o ritmo abrandou e comecei a questionar a opção pelos 5 cumes. Além das feridas, um músculo da perna esquerda ficou em muito mau estado e dava sinais disso. Contudo, nas subidas, com o esforço aplicado, ele aquecia e aliviava um poco a dor. Assim, fui rodando com mais cuidado até ao Monte do Facho e, quando lá cheguei, sentia-me com forças para continuar pelo percurso mais longo. Assim decidi e lá me aventurei para os 2 cumes restantes.

Uma leitura antecipada do gráfico altimétrico já fazia prever dificuldades na penúltimo cume – o Monte de Airó. Esta era a subida mais longa e mais dura de todo o trajecto. Apesar do piso ser quase sempre regular, as sucessivas rampas apearam grande parte dos resistentes que optaram pela versão completa. No final desta interminável subida esperava-nos mais um reforço e o consolo de faltar apenas um (e o mais baixo) dos cumes. A descida deste monte era mais complicada do que qualquer uma das anteriores mas, desta vez, os cuidados foram redobrados. Mesmo assim ainda deu para alguns sustos. Depois de mais alguns quilómetros por entre montes e campos, abordámos a última dificuldade – o Monte da Franqueira. Logo no ínício da subida, mais uma paragem. Desta vez foi para prestar assistência a um betetista que furara pela segunda vez. Como, surpreendentemente (para os meus costumes), ainda não tinha furado, cedi-lhe uma câmara-de-ar e ajudei-o na reparação. Enquanto isso, deu para respirar um pouco e recuperar o fôlego para o subida final. Esta, que se esperava mais fácil que as anteriores, surpreendeu-me pela dureza apresentada. O percurso escolhido era composto por caminhos com muita pedra, obrigando a levar a bicicleta à mão várias vezes. Por fim chegámos ao topo e depois foi só descer até à cidade para dar por concluída mais uma grande e dura aventura. Esta foi daquelas que deixou marcas!

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