São João d’Arga
28th August 2008 por helder
Na véspera da afamada romaria minhota que atrai milhares de pessoas à Serra d’Arga, decidi fazer-me à estrada e procurar o Mosteiro de São João d’Arga. Sabia apenas que a Serra d’Arga fica a Norte de Viana do Castelo, um pouco deslocada para o interior minhoto. Já tinha andado por lá uma vez há muitos anos e já não me recordava de praticamente nada. Por volta das 3 horas da tarde fiz-me ao caminho, chegando uma hora depois a Ponte de Lima. Aí, optei por seguir em direcção a Valença e, pouco depois, entrar por estradas secundárias em direcção ao destino. Como as indicações são mais raras neste tipo de estradas, tive de perguntar várias vezes se o caminho que seguia era o mais indicado. Depois de algumas paragens para tirar dúvidas, cheguei ao início da subida para as Argas. A partir daí não havia dúvidas – era sempre pela estrada que subisse mais. E quamto mais andava, mais inclinada ficava a estrada. Na fase final da desgastante subida ainda tinha umas verdadeiras "paredes" que foram superadas serpenteando pela estrada acima. O calor que se fazia sentir e a ausência de fontes onde me pudesse abastecer e refrescar tornaram esta fase num verdadeiro suplício. Porém, quando se atinge o topo da serra, tudo é esquecido e aparecem forças retemperadas, sabe-se lá de onde. Após passagens por Arga de Cima e Arga de Baixo, segue-se uma agradável descida até ao Mosteiro de São João d’Arga.
No recinto da romaria já se encontravam acampados uns jovens amigos que, além da força moral, também ofereceram uns deliciosos bolinhos que me deram energia para o regresso. Este seria significativamente mais fácil que a ida, sendo apenas dificultado por um enorme desgaste que as pernas já acusavam. No entanto, a necessidade de chegar a casa ainda de dia e o bom conhecimento do percurso, fizeram com que cerca duas horas depois de arrancar, estivesse a entrar em casa. Com cerca de 100 kms e enormes desníveis, foi uma das viagens mais desgastantes que já efectuei, terminado-a completamente desgastado. Pode ser que um dia a volte a repetir, com mais tempo e já com algumas ideias do que me espera. Desta vez foi completamente à descoberta e as surpresas nem sempre foram muito agradáveis. Contudo, os ares revigorantes e as magníficas paisagens da Serra d’Arga compensam em boa parte o esforço dispendido.








Passei por lá uma vez em caminho desde Ponte de Lima para Vilar de Mouros e ainda hoje me lembro do silêncio “ensurdecedor” que existia lá em cima…