Monthly Archives: August 2008

São João d’Arga

Carapeços - São João d'ArgaNa véspera da afamada romaria minhota que atrai milhares de pessoas à Serra d’Arga, decidi fazer-me à estrada e procurar o Mosteiro de São João d’Arga. Sabia apenas que a Serra d’Arga fica a Norte de Viana do Castelo, um pouco deslocada para o interior minhoto. Já tinha andado por lá uma vez há muitos anos e já não me recordava de praticamente nada. Por volta das 3 horas da tarde fiz-me ao caminho, chegando uma hora depois a Ponte de Lima. Aí, optei por seguir em direcção a Valença e, pouco depois, entrar por estradas secundárias em direcção ao destino. Como as indicações são mais raras neste tipo de estradas, tive de perguntar várias vezes se o caminho que seguia era o mais indicado. Depois de algumas paragens para tirar dúvidas, cheguei ao início da subida para as Argas. A partir daí não havia dúvidas – era sempre pela estrada que subisse mais. E quamto mais andava, mais inclinada ficava a estrada. Na fase final da desgastante subida ainda tinha umas verdadeiras "paredes" que foram superadas serpenteando pela estrada acima. O calor que se fazia sentir e a ausência de fontes onde me pudesse abastecer e refrescar tornaram esta fase num verdadeiro suplício. Porém, quando se atinge o topo da serra, tudo é esquecido e aparecem forças retemperadas, sabe-se lá de onde. Após passagens por Arga de Cima e Arga de Baixo, segue-se uma agradável descida até ao Mosteiro de São João d’Arga.

No recinto da romaria já se encontravam acampados uns jovens amigos que, além da força moral, também ofereceram uns deliciosos bolinhos que me deram energia para o regresso. Este seria significativamente mais fácil que a ida, sendo apenas dificultado por um enorme desgaste que as pernas já acusavam. No entanto, a necessidade de chegar a casa ainda de dia e o bom conhecimento do percurso, fizeram com que cerca duas horas depois de arrancar, estivesse a entrar em casa.  Com cerca de 100 kms e enormes desníveis, foi uma das viagens mais desgastantes que já efectuei, terminado-a completamente desgastado. Pode ser que um dia a volte a repetir, com mais tempo e já com algumas ideias do que me espera. Desta vez foi completamente à descoberta e as surpresas nem sempre foram muito agradáveis. Contudo, os ares revigorantes e as magníficas paisagens da Serra d’Arga compensam em boa parte o esforço dispendido.

Vieira do Minho

Mais uma ideia que me passou pela cabeça e mais uma pequena loucura cometida. Dois dias depois da visita ao Soajo, voltei a meter-me à estrada. Desta vez os quilómetros ainda eram mais e as dificuldades não eram em nada inferiores às anteriores. A viagem serviria para fazer uma visita ao Alfredo e à sua família, uma tradição estival mantida desde os tempos em que lá tive de morar durante um trabalhoso ano de estágio.

A viagem correu sem grandes problemas e a bom ritmo. Na ida o tempo esteve fresco, o que tornou a pedalada bem agradável. Durante a tarde, no regresso, já não foi tão fácil. O calor fazia-se notar e o desgaste acumulado da manhã e dos dias anteriores começou a causar estragos. Fui obrigado a parar em Amares para aliviar um pouco uma dor insistente no joelho, aproveitando também para comer o habitual geladinho. Mais tarde, tive de parar em Galegos Santa Maria para abastecer de água e arrefecer os pés que estavam em brasa. Por fim, cheguei a casa com a bicicleta à mão devido a um inconveniente furo. Depois de 150kms a rolar a bom ritmo, um arame que se encontrava indevidamente no meio da estrada agarrou-se ao meu pneu traseiro e deixou-o completamente de rastos. Como a distância a casa era pouca, o melhor remédio foi colocar os pés à estrada e trazer a burrinha à mão.

Soajo

Um dia destes passou-me pela cabeça a ideia de visitar uma das mais belas aldeias de Portugal. Desde a minha infância que não visitava o Soajo e como o tempo se estava a portar bem, apresentai a ideia ao habitual parceiro destas aventuras. Sem saber bem o que nos esperava, ou o que devíamos esperar, decidímos realizar a empreitada. Assim, bem cedo, partimos rumo à aldeia dos espigueiros. Até Ponte de Lima o percurso já era mais que conhecido e fez-se rapidamente. Aí entramos numa das Ecovias do Rio Lima. Optámos por fazer a ida pela margem norte do Rio Lima, aproveitando a agradável ecovia. Contudo, esta ainda não está terminada e, por isso, em Refóios do Lima voltámos à estrada, onde surgiu o primeiro contratempo – tinha furado o pneu traseiro (algo muito comum ultimamente). Depois de substituir a câmara de ar voltamos a rolar em bom ritmo até aos Arcos de Valdevez. Aí parámos para comer o geladinho da praxe e ganhar fôlego para a parte mais difícil da etapa. Partimos então em direcção ao Soajo e, mal passamos o Rio Vez, começou uma dura e longuíssima subida que só terminou no Mezio. Foi mais de uma hora de constante subida para depois desfrutar de uma magnífica descida até ao nosso destino.

soajo.jpgPor volta das 13.30h chegámos à Vila do Soajo e fizemos uma pequena visita, à pressa. Eram horas de almoçar e o corpo já pedia algum descanso. Depois de reabastecer e descansar um pouco, visitamos mais calmamente a aldeia histórica e os seus famosos espigueiros. As casas em granito e as ruas estreitas criam um aglomerado bastante interesante e muito bem preservado. A serra que a circunda também proporciona excelentes vistas e justificam plenamente uma visita. No entanto, como o nosso meio de locomoção não é tão rápido quanto isso, eram horas de regressar. Para não repetir o percurso, optámos por voltar por Ponte da Barca, onde efectuámos mais uma pequena paragem para descanso. A partir daí, até Ponte de Lima, percorremos a fantástica ecovia existente na margem esquerda do Rio Lima. Essa parte era a mais espectacular do percurso, mas o desgaste acumulado não permitia desfrutar plenamente este trilho. Na vila limiana parámos pela última vez. As pernas já tinham mais de 100kms, mas ainda não estavam no limite. A viagem de Ponte de Lima até casa foi verdadeiramente alucinante. Numa espécie de contra-relógio, bati claramente o meu record de tempo neste percurso. Já o tinha feito muitas vezes, mas nunca o tinha feito tão rapidamente. Foram cerca de 45 minutos em grande ritmo, num longo sprint final.

Foi um grande e belo passeio pelo Verde Minho, atravessando vários montes e rios ao longo de 130kms de algum esforço e muita beleza.

I Prova de BTT de Curvos

Mais um Domingo e mais uma jornada sobre duas rodas. Desta vez foi a freguesia de Curvos (Concelho de Esposende) que nos acolheu juntamente com muitos outros entusiastas das bicicletas. Eram mais de duzentos betetistas dispostos a participar numa nova e bem sucedida experiência da Junta de Freguesia local no âmbito desportivo. A organização esteve a seu cargo e contou com a colaboração de outros grupos de freguesia.

BTT CurvosA partida foi dada por volta das 10 horas e as ruas curvenses encheram-se de bicicletas e de entusiasmo. A parte inicial do percurso serpenteava por caminhos, carreiros e até propriedades e recintos privados. Num traçado labiríntico por entre casas, montes e campos, os forasteiros devem-se ter sentido baralhados com o emaranhado de caminhos percorridos. Além da dificuldade técnica apresentada pelas muitas curvas apertadas, caminhos estreitos e piso irregular, o gráfico de altimetria devia assemelhar-se a um sismógrafo em grande actividade, tal era a quatidade de desníveis que se sucediam. Para aliviar a dureza da prova, tínhamos desta vez um factor motivador pouco comum. O público estava presente em vários pontos do percurso e incentivava todos com grande entusiasmo. Fiquei com a sensação de que percorremos todos os caminhos da freguesia. A organização está de parabéns pela excelente jornada de BTT e esperemos que continuem em anos vindouros.