BassDrumBone

Hence the Reason - BassBrumBone
Quando era estudante tinha o hábito de me oferecer uma prenda quando um exame corria muito bem. Numa dessas ocasiões dirigi-me a uma discoteca da Valentim de Carvalho para escolher um CD que me agradasse. Escutei vários álbuns mas houve um que me agradou particularmente, apesar de me ser completamente desconhecido. Tratava-se de "Hence the Reason" dos BassDrumBone. As músicas presentes nesse trabalho eram diferentes de tudo que tinha ouvido até então. Desde a formação extremamente incomum – trombone, bateria e baixo – até à experimentalidade sonora e diversidade rítmica, tudo me agradou logo na primeira audição. Mesmo tendo ouvido outras coisas que também me agradaram, a escolha recaiu obviamente nos BassDrumBone.

BrassDrumBoneFoi com grande surpresa que constatei da presença dos BassDrumBone no BragaJazz deste ano. Este é, sem dúvida, um dos meus grupo de eleição, mas nem sequer sonhava que algum dia os pudesse ver ao vivo, quanto mais mesmo ao pé da porta. Assim, logo que soube da sua presença no festival de jazz bracarense, reservei um espaço na minha agenda, pois era um acontecimento imperdível. Como tal, na noite de 7 de Março, dirigi-me ao renovado Theatro Circo para assistir a um memorável concerto. O trio composto por Ray Anderson, no trombone, Mark Helias, no contrabaixo, e Gerry Hemingway, na bateria, já toca junto há mais de trinta anos e isso vê-se e sente-se pela complementaridade e cumplicidade que revelam em palco. Mesmo com muita improvisação e demonstrações da sublime técnica individual de cada um, o conjunto está sempre presente. Mesmo em ambientes rítmicos e sonores bastante complexos, nunca se nota uma sensação de deriva no conjunto. São membros diferentes de um corpo perfeitamente articulado. Cada elemento consegue demonstrar o seu virtuosismo (e todos eles são grandes referencias no seu instrumento) sem quebrar a unidade do conjunto. Eu estava particularmente atento ao trombonista, que me deixou completamente extasiado, mas não pude ficar indiferente à impressionante qualidade dos outros elementos. Para mim, o concerto passou num instante e ficaria ali mais algumas horas a apreciar tanto talento, mas fiquei com a impressão que boa parte do público não sentiu o mesmo. O caracter claramente atípico deste agrupamento e da sua música tornam a sua audição num exercício estimulante mas não muito fácil para quem está habituado a música mais normal. A falta de harmonia e de uma melodia evidente nos temas apresentados tornava-os menos agradáveis ao ouvido. Mais do que um concerto, tratou-se de uma verdadeira e riquíssima aula de técnica instrumental.

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  1. José Carlos Santos

    Caro Helder:

    È sempre reconfortante ler algo sobre um concerto que programei e sentir que alguém percebeu o concerto e reconhecer que foi um momento histórico na cidade.

    Um grande abraço

    José Carlos Santos
    programador do Bragajazz

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