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Oratória “O Messias” de G. F. Haendel

Oratória "O Messias" - HaendelPor altura das festividades de Natal e Passagem de Ano são mais frequentes os eventos culturais que vão escasseando durante o resto do ano. Neste âmbito, no dia 21 de Dezembro. desloquei-me à Igreja do Convento de São Domingos, em Viana do Castelo, para assistir a uma apresentação de alguns excertos da Oratória “O Messias” de Haendel, a cargo da Escola Profissional de Música de Viana do Castelo e o Coro da Academia de Música de Viana do Castelo. O concerto foi dirigido pelo maestro Juliàn Lombana e contava com a participação de quatro solistas. No total, entre cantores e músicos, estavam em palco mais de cem intérpretes. Apesar do frio que se fazia sentir, a adesão do público foi massiva e a igreja encontrava-se completamente cheia ficando mesmo muitas pessoas em pé e aconchegadas em espaços laterais menos apropriados para o efeito. Provavelmente a presença de familiares dos intérpretes contribuiu fortemente para a moldura humana registada.

G. F. HaendelEsta obra foi composta por Haendel no Verão de 1741 e estreada em Dublin no ano seguinte. Apesar de ser alemão, o autor utilizou um libreto inglês para escrever esta oratória baseada em cenas bíblicas. A obra está dividida em três partes – Nascimento, Morte e Ressureição de Cristo ou Natal, Páscoa e Pentecostes – sendo cada uma dela composta por várias Árias, Recitativos e Coros. As cinquenta e três partes desta oratória foram compostas em vinte e quatro dias e a sua execução integral prolonga-se por várias horas. De entre as várias partes da obra destacam-se alguns coros, entre os quais o “Aleluia” – provavelmente a música religiosa mais conhecida de todos os tempos. A partitura original da obra continha apenas instrumentos de corda, trompetes e tímbales. No entanto, o próprio Haendel elaborou vários arranjos diferentes, consoante a ocasião e o local onde seria apresentada, incluindo novos instrumentos. Mais tarde, W. A. Mozart apresentou também uma orquestração desta obra, acrescentando ainda mais alguns instrumentos. Curiosamente, muitos maestros preferem a orquestração deste em detrimento das do autor por a considerarem mais rica.