Monthly Archives: January 2007

San José

San José - Museum of Modern Art
A cidade de San José, apesar de pouco conhecida, é uma das maiores e mais prósperas dos Estados Unidos. A sua população já ultrapassa o milhão de habitantes, o que faz dela a décima maior no aspecto demográfico. No entanto, o crescimento do aglomerado urbano é muito recente, tendo o seu número de habitantes aumentado exponencialmente nos últimos anos. As origens da cidade remontam aos finais do século XVIII, quando os colonizadores espanhóis fundaram no local El Pueblo de San José de Guadalupe. Durante muitos anos, a povoação caracterizou-se pelo seu caracter rural. No século seguinte começou a corrida ao ouro e toda a região se desenvolveu bastante. San José não constituiu excepção a esse desenvolvimento e foi proclamada a capital do recém-formado Estado da Califórnia. Mais tarde viria a perder esse título. Hoje em dia, já se destaca como grande cidade americana, mas ainda vive um pouco na sombra da vizinha San Francisco.

San José - City HallA mudança de estatuto de San José começou a consolidar-se nos anos 60. O mayor da cidade apostou fortemente no crescimento da cidade e fez várias acções de marketing para promover a cidade. Nessa sua campanha conseguiu atrair novas empresas para a cidade e fez crescer uma pequena povoação rural para uma grande cidade que se estendia pelo Silicon Valley. A indústria tecnológica foi uma das que se sentiu atraída e que se estabeleceu no local. A IBM foi pioneira nesse aspecto, mas seguiram-se-lhe várias empresas e hoje a região é considerada o maior centro tecnológico da América.

San José - The TechActualmente, a cidade procura tornar-se também atractiva para a indústria turística. Têm sido construídas várias infra-estruturas nesse sentido. Uma delas é o Tech Museum – um museu de Ciência e Tecnologia que, além de mostrar alguns elementos históricos destas áreas, permite aos visitantes conhecer as mais recentes inovações científicas e tecnológicas. Com tantos motivos de interesse, a tarde que passei a visitá-lo passou num instante. Não sendo tão monumental como a vizinha San Francisco, San José será certamente uma das metrópoles americanas deste século.

Resolução do Problema de Einstein (Parte II)

Na Parte I da resolução do Problema de Einstein, chegamos a um ponto em que não podemos preencher mais nenhuma casa da tabela com a certeza de estarmos correctos. Então, temos que colocar uma hipótese ou fazer uma suposição. Se essa hipótese não entrar em contradição com nenhuma das pistas iniciais, a solução está correcta, pois ela é única. Caso contrário, a nossa suposição estava errada.

O dinamarquês, dado que bebe chã, só pode ficar na casa azul ou na casa branca. Suponhamos então que o dinamarquês mora na casa branca. Usando algumas dicas, facilmente chegamos à seguinte tabela: 

1ª Casa 2ª Casa 3ª Casa 4ª Casa 5ª Casa
Cor Amarela Azul Vermelha Verde Branca
Nacionalidade Norueguês Alemão Inglês Sueco Dinamarquês
Bebida Leite Café Chã
Cigarros Dunhill Prince
Animal Cavalos Cachorros

No entanto, surge agora um problema – uma das pistas diz que "O homem que fuma Bluemaster bebe cerveja" (XII). Com a tabela neste ponto, não conseguimos colocar na mesma coluna as opções "Bluemaster" e "Cerveja", pois em todas as colunas já existe uma opção relativa à bebida e à marca de cigarros preferida de cada um (todas diferentes destas). Assim, podemos concluir que chegamos a uma contradição. Esta contradição resultou da suposição que fizémos: "O dinamarquês mora na casa branca". Assim, o dinamarquês não pode morar na casa branca. Então só nos resta uma opção: "O dinamarquês mora na casa azul".

Fazendo agora o preenchimento da tabela partindo do pressuposto que a casa azul é habitada pelo dinamarquês e usando as restantes dicas, conseguimos preencher completamente a tabela da seguinte forma:

1ª Casa 2ª Casa 3ª Casa 4ª Casa 5ª Casa
Cor Amarela Azul Vermelha Verde Branca
Nacionalidade Norueguês Dinamarquês Inglês Alemão Sueco
Bebida Água Chã Leite Café Cerveja
Cigarros Dunhill Blends Pall Mall Prince Bluemaster
Animal Gatos Cavalos Pássaros Peixe Cachorros

Tendo em conta que a solução do problema é única e que foram usadas todas as dicas (e nenhuma delas entra em contradição com o preenchimento efectuado), podemos concluir que esta é a solução procurada, ou seja, quem tem o peixe é o alemão!

Problema de Einstein
Resolução do Problema de Einstein (Parte I)

Blood, Sweat & Tears

Blood, Sweat & Tears - Brass SectionCorria o ano de 1967 quando Al Kooper, Jim Fielder, Fred Lipsius, Randy Brecker, Jerry Weiss, Dick Halligan, Steve Katz e Bobby Colomby decidiram juntar-se para criar um novo grupo musical. A sua música não se enquadrava em nenhum estilo existente. Era uma espécie de música híbrida, juntando ambientes do jazz, do rock e até da pop. Foi catalogado de jazz-rock. Alguns anos depois, já existiam várias bandas incluídas no mesmo estilo, destacando-se entre elas Chicago e Tower of Power. A música dos BS&T distinguia-se principalmente pelo destaque dado à sua magnífica secção de metais. Em vez de fazerem harmonias de suporte ao tema, os metais eram protagonistas dos temas. Para isso muito contribuiu o virtuosismo dos instrumentistas, qualquer um deles possuidor de grande técnica.

Blood, Sweat & Tears - Greatest HitsNo entanto, o entendimento entre os membros do grupo não durou muito e, em 1969, a sua composição altera-se completamente. É nesta altura que se dá a entrada de David Clayton-Thomas para vocalista e líder do grupo. Neste novo arranque, os BS&T obtêm enormes sucessos mantendo-se longamente nos tops e produzindo vários hits. O auge da banda e os seus temas mais emblemáticos foram obtidos no início dos anos 70. Pouco depois Clayton-Thomas abandonou o grupo e este começou a perder notoriedade. Quase todos os elementos foram substituídos e, apesar de terem passado pela sua formação grandes músicos, os BS&T nunca mais obtiveram o mesmo reconhecimento.

Na década de 80, Clayton-Thomas voltou a liderar os BS&T e realizou com a banda algumas digressões bem sucedidas. Contudo, a nível de produção musical nada de novo se registou. Dado que foi um grupo muito inconstante ao nível da sua constituição, os BS&T não obtiveram todo o reconhecimento que porventura mereciam, mas ficam como um marco na música do século XX, como criadores de um novo estilo musical.

Teorema de Gougu

Teorema de PitágorasNos dias de hoje, o resultado matemático mais conhecido, do qual todos já ouviram falar, embora nem todos o conheçam muito bem, é o Teorema de Pitágoras. Este diz que "num triângulo rectângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos". Este importante resultado veiculado pela influente Escola Pitagórica tinha (e continua a ter) grande aplicação prática. Permite-nos determinar medidas desconhecidos dos lados de um triângulo rectângulo. Contudo, o resultado que mais contribuiu para a grande fama de Pitágoras entre a comunidade científica, já era conhecido e utilizado na China muitos anos antes.

Teorema de GouguUm texto chinês intitulado "Chou Pei Suan Ching", escrito durante a dinastia Han (500 a.C. – 200 d.C.), apresentava uma prova numérica do Teorema de Pitágoras, usando um triângulo rectângulo cujos lados mediam 3, 4 e 5. Alguns historiadores pensam que o documento é bastante anterior à dinastia Han, o que destaca ainda mais o nível de desenvolvimento da Matemática na Antiga China. A figura acima apresenta uma prova visual do referido teorema.

Alguns anos mais tarde, o mesmo resultado viria a ser conhecido na Índia como "Teorema de Baskhara". Isto mostra que a Ciência, embora se desenvolva de modos e ritmos diferentes nas várias civilizações, acaba por convergir para resultados comuns.

Jorge Palma

Jorge PalmaJorge Palma nasceu em Lisboa em 1950 e desde muito novo começou os seus estudos musicais. Começou por estudar piano segundo os moldes clássicos, demonstrando grandes capacidades interpretativas. Porém, na sua juventude redireccionou os seus interesses musicais. Diminuiu o seu interesse pelo piano e dedicou-se à guitarra, aprendendo o domínio do instrumento de uma forma autodidacta. Ainda muito novo, começa a integrar alguns grupos, nem todos bem sucedidos.

Bairro do Amor - Jorge PalmaA sua carreira a solo teve início no início da década de 70 e começou por interpretar temas em inglês. Pouco depois, foi convocado para o serviço militar, mas preferiu exilar-se na Dinamarca, onde trabalhou durante cerca de um ano no hotel Sheraton. Quando teve conhecimento do 25 de Abril, regressou imediatamente a Portugal e começou verdadeiramente a sua carreira musical. Interpretou, compôs e orquestrou várias músicas, algumas com relativo sucesso. Apesar de ter editado vários albuns durante os anos 80, o verdadeiro reconhecimento só chegou no final da década. O seu album "Bairro do Amor", por muitos considerado um dos melhores de sempre da música portuguesa é unanimemente aclamado pela crítica e pelo público. Foi precisamente este trabalho que me deu a conhecer Jorge Palma.

Concerto de Jorge PalmaEm 2003 tive a oportunidade de assistir a um concerto de Jorge Palma em Braga, inserido no Enterro da Gata, que aumentou ainda mais a minha admiração por este grande músico e autor. Apesar de algumas das suas músicas mais conhecidas possuirem excelentes arranjos para uma secção de metais, nesse concerto fez-se acompanhar apenas por um músico que tocava baixo ou guitarra. Mesmo assim, tratou-se de um grande concerto, onde deu para perceber o enorme talento musical e interpretativo de Jorge Palma.

Stanford & Berkeley

Universidade de Stanford
Eu tive a sorte e o prazer de realizar a minha licenciatura na Universidade do Minho (no Polo de Gualtar) e era invejado por muitos estudantes de outras universidades que se queixavam das condições que tinham ou, na maior parte dos casos, que não tinham. Como tal, não me posso queixar muito da instituição que escolhi para os meus estudos superiores. Contudo, quando se visitam algumas das melhores universidades americanas, a nossa opinião sobre as faculdades cá do burgo alteram-se radicalmente. Na minha viagem pela Califórnia visitei três dessas escolas, sendo que duas delas, Stanford e Berkeley, são verdadeiras "catedrais" do ensino. A outra Universidade visitada (San José) também é interessante, mas não se aproxima das duas primeiras.

Universidade de Stanford - Interior da CatedralA primeira que visitei foi Stanford e fiquei logo bastante impressionado pela dimensão do Campus. A Universidade possui enormes jardins e áreas de lazer destinadas ao convívio académico. Destas destacam-se as excelentes infra-estruturas desportivas. As representações desportivas são fruto de grande rivalidade entre as várias universidades e também contribuem para o seu prestígio. Além disso, em Stanford existem edifícios surpreendentes se tivermos em conta que se trata de uma universidade. De entre eles destaca-se uma riquíssima catedral, que em nada fica a perder para grandes igrejas europeias. Existem também algumas características muito peculiares nas várias escolas que criam um ambiente único.

Universidade de BerkeleyNo mesmo dia da visita a Stanford, ainda houve tempo para uma visita, um pouco mais curta, a Berkeley. Esta Universidade têm um estilo arquitéctónico diferente da anterior. Nesta os edifícios são maiores e predominantemente brancos, enquanto que naquela são edifícios muito longos, mas baixos, e de uma tonalidade amarelada. Berkeley é conhecida pelo elevado número de Nobels que alberga. Trata-se da instituição de ensino cujos quadros possuem mais docentes laureados com o famoso prémio da Academia Sueca. Existe um parque de estacionamento exclusivo para os mesmos. Em Berkeley destacam-se entre os vários elementos da Universidade a sua imponente biblioteca e a torre do relógio. Estas duas universidades cultivam entre si uma antiga e saudável rivalidade.

Hélder Rodrigues no Lisboa-Dakar

Hélder RodriguesPara aqueles cibernautas que vieram cá parar na esperança de encontrar a página pessoal desse talentoso piloto português, lamento desiludi-los, mas não sou eu. Apesar de termos o mesmo nome, o gosto pelas motos já não é comum a ambos. Para mim, duas rodas só na bicicleta! Já conhecia a existência deste meu homónimo há alguns anos, desde que começou a brilhar no motociclismo nacional. Agora que mostra as capacidades a nível internacional, fico ainda mais satisfeito pelo seu sucesso.

Para não deixar completamente desiludidos aqueles que vinham em busca de um conceituado piloto de motociclismo e encontraram um desconhecido professor de Matemática, deixo-lhes aqui o link para um site mais do vosso agrado. Já agora, desculpem a intromissão na vossa busca.Smiley

E boa sorte para o Hélder Rodrigues no Lisboa-Dakar! (Só pelo nome que tem, bem a merece! Smiley)

António Pinho Vargas

António Pinho VargasNascido em 1951 em Vila Nova de Gaia, António Pinho Vargas formou-se inicialmente em História, disciplina que ainda chegou a leccionar. Paralelamente também obteve formação em  piano. A sua carreira de professor foi curta devido ao apelo que sentia por parte da Música. Mais tarde também se graduou em Composição, disciplina essa que tem leccionado nos últimos anos. Actualmente, além da faceta de músico, destaca-se a sua vertente de compositor de música contemporânea. A sua carreira fez-se sempre em áreas marginais, como era o jazz nas décadas de 80 e 90, ou como ainda é actualmente a música erudita. Mesmo optando por áreas menos comerciais, o seu mérito e sucesso são indesmentíveis.

As Mãos - António Pinho VargasO primeiro trabalho de António Pinho Vargas que conheci foi o álbum "As Mãos". Este trabalho apresenta músicas originais do autor, no qual este demonstra o seu talento como pianista e como músico de jazz. Este álbum foi editado em 1998 e, não muito tempo depois, tive a oportunidade de presenciar um espectáculo baseado em temas desse trabalho. No entanto, até chegar a este ponto, Pinho Vargas fez parte de várias formações musicais. Integrou os Jáfumega, os Arte & Ofício, a Banda Sonora (onde também estava Rui Veloso) e participa em vários albúns de Rão Kiao, além de colaborações com muitos outros artistas. Além disso, participou e elaborou as bandas sonoras de alguns filmes portugueses, tendo obtido alguns prémios relativos a esses trabalhos. Foi um dos primeiros músicos portugueses a fazer carreira no jazz e a obter reconhecimento na área. Hoje em dia, quando o jazz começa a tornar-se mais popular, está mais activo na composição de música erudita contemporânea.

Big Sur

Big SurO Big Sur é uma região costeira da Califórnia dominada por paisagens de uma enorme beleza. Trata-se de uma faixa litoral com cerca de 150 kms, situada entre San Francisco e Los Angeles, mais próxima daquela, banhada pelas águas do Pacífico e cercada pelas Montanhas de Santa Lucia. Em tempos longínquos, esta região foi habitada por algumas tribos de aborígenes nómadas que aproveitavam o clima ameno da região e a abundância de recursos para nela se estabelecerem durante algum tempo. Aquando da colonização espanhola da região, iniciada por Juan Cabrillo, as populações locais foram praticamente dizimadas por doenças trazidas pelos colonizadores e pelo trabalho escravo nas missions. O nome dado à região também deriva da designação que os espanhóis lhe atribuiram quando lá chegaram – "El país grande del sur" – devido à vastidão de territórios selvagens que encontraram a Sul de Monterey (capital da colónia).

Big Sur - Higway 1A construção da Highway 1 veio alterar significativamente a vida desta região. Antes da sua conclusão, o Big Sur era uma região inexplorada onde viviam apenas alguns rancheiros muito isolados do exterior. Depois da construção, a beleza local atraiu muitos turistas e pessoas abastadas para a região. As luxuosas mansões costeiras são uma das características actuais da região. No entanto, numa tentativa de manter os traços originais, as autoridades locais proibiram a afixação de publicidade e a construção de edifícios junto à Highway 1. O interesse de muitos em se estabelecer na região é refreado pelos exorbitantes preços exigidos para construir no local. Esta medida tem afastado o interesse imobiliário e, apesar da grande dimensão, a região é habitada por apenas 1500 pessoas, não existindo aglomerados populacionais.

Big Sur - CaliforniaA fama do local tem sido reforçada pela presença e referência de vários artistas ao local. Um dos mais destacados exemplos disso foi Jack Kerouac que, depois de passar uma temporada de férias na região, escreveu a sua maior obra, justamente intitulada Big Sur. Ainda hoje, o local continua a ser fonte de inspiração e refúgio para muitos artistas.