Rómulo de Carvalho
24th November 2006 por helder
Completam-se hoje 100 anos que nasceu Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, um dos portugueses mais notáveis do século XX. Nasceu e cresceu na freguesia da Sé, em Lisboa, no seio de uma família humilde. A sua mãe, apesar de possuir apenas a instrução primária, tinha uma grande paixão pela literatura e incutiu-a ao filho. Essa influência foi tão notória que, aos 5 anos, o menino Rómulo escreve os seus primeiros poemas. Aos 10 anos completa "Os Lusíadas" que considerava um livro de História escrito em verso. Durante o seu percurso escolar sempre mostrou grande inclinação para as letras. No entanto, à medida que foi progredindo, começou a ficar cada vez mais fascinado pelas ciências. Esse fascínio concretizou-se na entrada na Universidade do Porto, onde cursou Ciências Fisico-Químicas.
Na sua vida profissional, desempenhou a profissão de professor de forma apaixonada tendo dito: "ser Professor tem de ser uma paixão – pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação." Além de professor, Rómulo de Carvalho dedicou-se também à divulgação científica, promovendo a publicação de várias obras de difusão da cultura científica, e à criação de manuais escolares que eram reconhecidos pelo seu grau de inovação na abordagem dos complexos assuntos da Física e da Química.
Apenas em meados dos anos 50, quando já tinha atingido os 50 anos, surge uma nova faceta na vida de Rómulo de Carvalho. O seu primeiro livro de poesia – Movimento Perpétuo – obtem reconhecimento do público e da crítica. No entanto, usou o pseudónimo de António Gedeão, preservando a sua identidade através do anonimato. Apesar do início de carreira tardio, António Gedeão viria a tornar-se um dos maiores poetas portugueses. Alguns dos seu poemas, como "Pedra Filosofal" e "Lágrima de Preta", tornaram-se verdadeiros marcos da poesia portuguesa. Apesar de assumir personalidades diferentes para o professor e para o poeta, a sua poesia interligava-se de forma notável com a ciência.
Retirou-se do ensino em 1974, algo desiludido com o rumo que este estava a tomar. Passa a dedicar-se mais intensamente à divulgação científica e à poesia, tendo publicado várias obras nesse periodo. Viria a falecer em 1997, com 90 anos, mas deixou um enorme legado no ensino, na pedagogia, na divulgação científica e na poesia. Em sua memória, o dia 24 de Novembro é actualmente considerado o Dia Nacional da Divulgação Científica.







