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San Lorenzo de El Escorial

San Lorenzo de El Escorial
Numa pequena vila nos arredores de Madrid, escondido num vale junto ao monte Abantos, na Serra de Guadarrama, encontra-se um dos maiores e mais simbólicos monumentos espanhóis – o Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial. A localidade deve o seu nome a uns antigos depósitos de escória existentes no local. Crê-se ainda que o facto do mosteiro ter sido dedicado a São Lourenço se deve à sua planta em forma de grelha (o santo foi martirizado em Roma, onde morreu queimado numa grelha). Este monumento foi mandado construir por Filipe II para comemorar a vitória sobre os franceses na Batalha de Saint Quentin (10 de Agosto de 1557) e para homenagear os seus pais – o Imperador Carlos I e D. Isabel de Portugal. A obra começou em 1563 e terminou apenas em 1584, quando Filipe II também governava Portugal. Durante muitos anos foi o maior edifício do mundo. Assim, El Escorial serviu de Panteão a várias gerações da realeza espanhola. Filipe II fez também de El Escorial o seu palácio real predilecto, embora num estilo muito austero. A simplicidade dos seus aposentos contrasta fortemente com a riqueza dos restantes locais.

Biblioteca do Mosteiro de San Lorenzo de El EscorialNo centro do monumento encontra-se a Basílica. O seu interior é verdadeiramente impressionante, não só pela dimensão, mas também pelo conteúdo. À frieza e austeridade das paredes graníticas opõe-se o esplendor e brilho dos elementos decorativos, onde predomina o ouro e o mármore. O seu altar-mor é justificativo mais que suficiente para uma visita. Os tectos e paredes dos corredores contíguos à Basílica apresentam várias pinturas onde são apresentadas verdadeiras lições de religião católica, destacando-se entre eles um enorme tecto bem ao estilo da Capela Sistina, sobre a escadaria principal. Bem perto fica a Biblioteca, o local que mais me agradou. Gostei especialmente das pinturas da abóbada que cobria as inúmeras estantes e utensílios da época, prolongando-se por mais de cinquenta metros. No tecto estavam pintados vários frescos, da autoria de Pellegrino Tibaldi, que retratam as sete principais artes ou ciências: Aritmética, Geometria, Astronomia, Gramática, Retórica, Dialética e Música. Em cada um deles estavam retratados os maiores vultos das respectivas áreas e os seus elementos mais representativos.

Fachada Principal de San Lorenzo de El EscorialA tudo isto ainda podemos acrescentar ainda uma Sala das Batalhas, onde gigantescas pinturas ilustram as maiores batalhas do Reino, um Museu de Pintura, onde abundam obras de arte de toda a Europa, salas com enormes e ricas tapeçarias, um Museu de Arquitectura, dedicado à construção do monumento, o Palácio dos Bourboun, o mosteiro e os jardins, onde os monges oravam e meditavam. Ora, para ver isto tudo, mesmo que apenas de relance e sempre a correr, são necessárias, no mínimo, três a quatro horas. A poucos quilómetros fica outro grande monumento – o Vale dos Caídos – mas por questões de escassez de tempo, não tivémos a oportunidade de o visitar.

Rómulo de Carvalho

Rómulo de CarvalhoCompletam-se hoje 100 anos que nasceu Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, um dos portugueses mais notáveis do século XX. Nasceu e cresceu na freguesia da Sé, em Lisboa, no seio de uma família humilde. A sua mãe, apesar de possuir apenas a instrução primária, tinha uma grande paixão pela literatura e incutiu-a ao filho. Essa influência foi tão notória que, aos 5 anos, o menino Rómulo escreve os seus primeiros poemas. Aos 10 anos completa "Os Lusíadas" que considerava um livro de História escrito em verso. Durante o seu percurso escolar sempre mostrou grande inclinação para as letras. No entanto, à medida que foi progredindo, começou a ficar cada vez mais fascinado pelas ciências. Esse fascínio concretizou-se na entrada na Universidade do Porto, onde cursou Ciências Fisico-Químicas.

Na sua vida profissional, desempenhou a profissão de professor de forma apaixonada tendo dito: "ser Professor tem de ser uma
paix̣o Рpode ser uma paix̣o fria mas tem de ser uma paix̣o. Uma dedica̤̣o."
Além de professor, Rómulo de Carvalho dedicou-se também à divulgação científica, promovendo a publicação de várias obras de difusão da cultura científica, e à criação de manuais escolares que eram reconhecidos pelo seu grau de inovação na abordagem dos complexos assuntos da Física e da Química.

Apenas em meados dos anos 50, quando já tinha atingido os 50 anos, surge uma nova faceta na vida de Rómulo de Carvalho. O seu primeiro livro de poesia – Movimento Perpétuo – obtem reconhecimento do público e da crítica. No entanto, usou o pseudónimo de António Gedeão, preservando a sua identidade através do anonimato. Apesar do início de carreira tardio, António Gedeão viria a tornar-se um dos maiores poetas portugueses. Alguns dos seu poemas, como "Pedra Filosofal" e "Lágrima de Preta", tornaram-se verdadeiros marcos da poesia portuguesa. Apesar de assumir personalidades diferentes para o professor e para o poeta, a sua poesia interligava-se de forma notável com a ciência.

Cadernos de Iniciação Científica - Rómulo de CarvalhoRetirou-se do ensino em 1974, algo desiludido com o rumo que este estava a tomar. Passa a dedicar-se mais intensamente à divulgação científica e à poesia, tendo publicado várias obras nesse periodo. Viria a falecer em 1997, com 90 anos, mas deixou um enorme legado no ensino, na pedagogia, na divulgação científica e na poesia. Em sua memória, o dia 24 de Novembro é actualmente considerado o Dia Nacional da Divulgação Científica.

Queen

Completam-se hoje 15 anos que uma das grandes vozes da história da música nos deixou. A 24 de Novembro de 1991, o mundo artístico ficou muito mais pobre. Freddie Mercury, o vocalista e líder dos Queen, partiu numa altura em que o grupo gozava enorme prestígio e recolhia frutos de um trabalho cujo valor nem sempre tinha sido devidamente reconhecido.

QueenOs Queen formaram-se no final dos anos 60, mas os "quatro magníficos" só se juntaram em 1971. Com a chegada de John Deacon (baixo), a formação que já incluía Brian May (guitarra), Roger Taylor (bateria e percursão) e Freddie Mercury (voz e piano), ficava completa. O início da banda não foi muito prometedor e o seu primeiro álbum "Queen" não atingiu o sucesso desejado, talvez devido ao som muito pesado que exibia, muito próximo do heavy-metal. Nos álbuns seguintes, com uma abordagem mais melódica, fruto da influência de Freddie Mercury, os seus trabalhos começaram a ser cada vez mais valorizados, até que, em 1975, chega "o" álbum. "A Night at The Opera" foi um disco completamente inovador, criando uma nova corrente no rock, pelo seu elevado grau de complexidade, não só a nível instrumental, mas também a nível vocal onde Freddie fazia malabarismos incomuns. Neste disco surge a sua música mais emblemática – Bohemian Rhapsody. Por muitos considerada como a melhor música rock de sempre, a sua execução era tão exigente que apenas alguns excertos da mesma eram executados nos espectáculos. Este albúm também marcou uma nova fase na indústria musical: o aparecimento dos videoclips.

Queen - Live at WembleyCom o sucesso e reconhecimento públicos atingidos com "A Night at The Opera", os discos que se seguiram foram todos grandes sucessos comerciais e todos eles apresentavam temas marcantes. A isto os Queen juntaram outro aspecto inovador: a realização de grandes concertos, principalmente em estádios. Depois de várias digressões mundiais, em 1986 surge o grande concerto da banda: "Live at Wembley". Perante quase 90.000 espectadores (em cada uma das duas noites), os Queen realizaram um espectáculo memorável que assinalava o início da tourné de despedida da banda. Ainda nesse ano, foi realizado o seu derradeiro grande concerto, juntando cerca de 150.000 pessoas no Knebworth Park (Londres).

Queen - The MiracleDepois da despedida dos palcos, os Queen ainda editaram alguns albuns. De entre esses destaca-se "The Miracle", por ter utilizado técnicas de computação gráfica muito avançadas para a época para criar a capa do álbum. Mais uma vez os Queen mostravam-se vanguardistas. Em 91, com o desaparecimento de Freddie, o grupo também acaba por terminar já que a associação entre ambos era recíproca. Os elementos restantes ainda editaram mais um disco, em tom de homenagem a Freddie. Mais recentemente, os membros restantes têm feito alguns espectáculos com artistas convidados, essencialmente em concertos de beneficiência.

 Os Queen foram uma das maiores e mais inovadoras bandas do século XX e a sua importância e influência na música da época é inegável. Foram o grupo que melhor conseguiu explorar o conceito de espectáculo musical e só por isso já mereciam destaque, mas foram muito mais que isso.

Medir com o corpo humano

Antigamente as medidas de comprimento eram baseadas em medidas do corpo humano. Normalmente eram baseadas nas medidas do corpo do rei vigente, o que tornava estas medidas muito instáveis, variando entre os vários reinos e reinados. Contudo, algumas delas ainda hoje se utilizam (nomeadamente em alguns países de língua inglesa) com alguma frequência, embora agora não tenham o monarca por referência. As medidas agora usadas baseiam-se em medidas padronizadas. Por exemplo:

Polegada [inch] (0,0254m) Р̩ a medida aproximadamente igual ao comprimento da segunda falange do dedo polegar.

Pé [feet] (0,3048m) – é a distância que vai do calcanhar à extremidade dos dedos do pé.

Jarda [yard] (0,9144m) Р̩ a dist̢ncia entre o queixo e as pontas dos dedos, com o bra̤o estendido.

Estes sistemas de medida eram muito populares mas perderam influência quando começaram a surgir grandes trocas comerciais entre países. Nessa altura foi necessário utilizar um critério comum e o SI (Sistema Internacional de medidas) prevaleceu. Outro dos aspectos que prejudicou as medidas imperiais foi a complexidade das suas conversões quando comparadas com as do SI, onde tudo era baseado nos múltiplos de 10 e, por isso, muito simples. As medidas imperiais não se limitavam ao comprimento, também existiam para área, volume, capacidade, peso e massa, embora as primeiras sejam as mais conhecidas.

San Ildefonso de La Granja

Palácio Real - San Ildefonso de La GranjaNas proximidades de Segóvia, na encosta virada a Sul da Serra de Guadarrama, fica o Sítio Real de La Granja de San Ildefonso. Este local de férias da família real espanhola destaca-se dos restantes pela dimensão dos seus jardins. Neste local existia uma granja pertencente aos monges jerónimos mas, em 1721, Filipe V mandou construir no local um palácio real que seria o seu "pequeno Versalles". Assim, ordenou a construcão de um palácio de estilo semelhante ao famoso palácio francês e respectivos jardins.

Jardins Reais - San Ildefonso de La GranjaPara valorizar a sua obra, o rei espanhol contratou René Carlier, um grande mestre francês na construção de jardins. Este realizou uma verdadeira obra de arte que valorizou o Sítio Real mas ofuscou o palácio. A dimensão dos jardins é notável, estendendo-se por seis quilómetros, onde abundam enormes avenidas rodeadas de frondosas árvores e onde se podem admirar inúmeros monumentos, espalhados pelos vários jardins. O jardim tem uma toponímia própria, o que é revelador da sua extensão. É propício e ideal para longas caminhadas durante o Verão devido à frescura criada pelas suas árvores e a água que corre pelas suas fontes.

Fonte de Neptuno - San Ildefonso de La GranjaOutro dos grandes motivos de interesse do local são as suas fontes. O autor dos jardins aproveitou o declive natural do local para criar várias fontes, utilizando as águas provenientes das montanhas. Criando alguns reservatórios e tanques intermédios para armazenar água, conseguiu elaborar um intrincado sistema de distribuição de água que a levava a encher as vinte e seis fontes monumentais espalhadas pelos jardins. Em cada uma destas fontes existem estátuas inspiradas na mitologia clássica. Um passeio pelo local é uma verdadeira lição de cultura clássica.

Sudoku

SudokuEste famoso puzzle de números tornou-se muito popular entre nós nos últimos tempos. Actualmente, todos os jornais ou revistas apresentam um ou mais destes desafios, com diferentes níveis de dificuldade. Os mais fáceis fazem-se usando quase unicamente a exclusão de partes. Nos mais difíceis, já são necessários raciocínios mais complexos e conjugação de algumas possibilidades.

Recentemente, o matemático finlandês Arto Inkala criou um novo puzzle de sudoku que, na sua opinião, é o mais difícil até hoje criado. Só para o elaborar, Arto Inkala demorou três meses. Vou tentar resolvê-lo nos próximos tempos. Se conseguir chegar à solução, já é muito bom, se o fizer em menos de três meses, é excelente!

Toledo

Muralha de Toledo
O périplo pelas cidades Património da Humanidade terminou em grande estilo, na grande urbe de Toledo. Esta cidade fica situada 70 kms a sul de Madrid e é reconhecida pela sua monumentalidade e importância histórica. A sua parte antiga encontra-se numa pequena colina, com cerca de 100 metros de altura, rodeada pelo Tejo. Isto faz com que a visita feita a pé, como convém, se torne um pouco cansativa. As ruas são muito desniveladas ou até bastante íngremes. Por outro lado, as paragens para ver ou apreciar algum monumentos são quase constantes. Estes abundam em quantidade e em variedade.
Esta região da Península Ibérica esteve sob domínio mouro durante muito tempo, o que se reflecte sobretudo no estilo das construções mais antigas do centro histórico. A cidade foi controlada pelos muçulmanos desde o início do século VIII até finais do século XI. Em 1085, Afonso VI reconquistou a cidade, mas em vez de dizimar os habitantes de outros credos, optou por firmar acordos com judeus e muçulmanos, o que tornou Toledo uma metrópole cultural, social e política. Foi durante muitos anos a capital do Reino de Castela e Leão, tendo perdido esse título quando Filipe II (I de Portugal), mudou esse previlégio para Madrid.
Catedral de ToledoA multiculturalidade de Toledo sempre se baseou numa tolerância e convivência inter-religiosa (algo muito raro na Península), destacando-se neste aspecto as comunidades muçulmanas, mozárabes e judaicas (sefardi). Numa curta distância é possível encontrar grandes catedrais católicas, mesquitas e sinagogas. Todos estes templos são arquitectonicamente interessantes, mas as suas dimensões são desiguais. A grandiosidade e riqueza da Catedral de Toledo ofusca um pouco as restantes. No entanto, a presença católica não se resumia à Catedral. Existem várias igrejas e capelas e nelas encontram-se algumas das maiores obras de arte do país vizinho. Durante séculos, alguns dos maiores artistas espanhóis colocaram o seu talento ao serviço das entidades religiosas. É por isso muito comum encontrar pinturas e esculturas famosas nos templos toledanos. O maior exemplo disso são os inúmeros quadros de El Greco presentes na Catedral ou o seu "Enterro do Conde de Orgaz", exposto na Igreja de São Tomé. El Greco (Doménikos Theotokópoulos) foi um dos mais reconhecidos habitantes de Toledo e, actualmente, a sua casa, transformada em museu, é um dos seus principais cartazes turísticos.
Alcazar de ToledoO Alcazar de Toledo é outro grande monumento merecedor de destaque. Este grande edifício de planta quadrada foi um palácio romano (séc.III) e, no século XI, foi o primeiro alcazar espanhol. Mais tarde, durante a Guerra Civil, foi palco de importantes acontecimentos, tendo ficado parcialmente destruído. Como estavam a decorrer obras de restauro, não foi possível visitá-lo. Do alto da colina o alcazar domina a cidade, mas a muralha que a contorna e as suas grandes portas de acesso também reforçam a importância e beleza da cidade. O único problema da visita a Toledo foi a escassez de tempo. É praticamente impossível apreciar os seus principais motivos de interesse num só dia.

Tom Waits

Tom WaitsNascido em 1949 na Califórnia, Thomas Alan Waits é um dos mais talentosos e multifacetados artistas americanos. Conhecido essencialmente pela sua faceta de cantautor (ou singer songwriter), também tem incursões bem sucedidas na composição e no cinema. Mas a área em que obteve e continua a ter maior reconhecimento é a de músico e intérprete. O seu estilo é muito difícil de definir. Por vezes anda próximo do jazz e dos blues, mas num instante aproxima-se surpreendentemente do experimentalismo. Cada álbum seu é uma surpresa, quase sempre agradável e inovadora.

Tom Waits ao pianoO seu talento e versatilidade permitiu-lhe participar como actor em vários filmes (alguns deles com algum  sucesso) e criou também as bandas sonoras de outros, tendo sido nomeado para os Óscares nessa categoria. O trabalho mais bem sucedido nesta área foi a colaboração com Francis Ford Coppola no filme "One from the heart".  A banda sonora ficou a seu cargo e, para não variar, foi mais uma obra de arte. Acompanhado por Crystal Gayle, criou algumas baladas de grande beleza que levaram à sua nomeação para as estatuetas douradas. Curiosamente, foi este álbum que me levou a conhecer Tom Waits e a apreciar o seu estilo musical.

Tom Waits - Blue ValentineO meu lado preferido do trabalho de Tom Waits é o de songwriter. Apesar da sua voz exageradamente grave, consegue criar melodias extremamente agradáveis de escutar. Os acompanhamentos são feitos normalmente pelo piano, interpretado pelo próprio, ou por um pequeno conjunto de instrumentos em combinações pouco comuns mas com um resultado final agradável. Neste âmbito, os meus trabalhos preferidos de Tom Waits são "Alice", inspirado pelo livro de Lewis Carrol "Alice in Wonderland", e "Blue Valentine". O cariz melancólico e até teatral das músicas presentes nestes trabalhos aprofunda a faceta de songwriter do autor. De entre os muitos álbuns que produziu, é possível encontrar trabalhos muito variados, com ambientes muito estranhos e incomuns, mas todos eles são de elevada qualidade.

Cuenca

Casas Colgadas - CuencaA meio caminho entre Madrid e Valência fica Cuenca. Trata-se de uma cidade de pequena dimensão mas de enorme monumentalidade. Situada num planalto rochoso, contornado por dois rios, o Jucar e o seu afluente Huécar, a cidade pode ser claramente dividida em duas partes. O planalto é preenchido pela cidade antiga que parece lá ter sido pousada com grande cuidado mas também com muito arrojo. Algumas construções encontram-se quase suspensas, num equilíbrio que tem tanto de belo como de assustador. A parte mais nova fica na parte mais baixa. É onde vive a grande maioria dos conquenses mas não é tão interessante com a cidade medieval.

As famosas "casas colgadas" são o ex-libris da cidade e o símbolo mais representativo deste tipo de construção. Começaram a ser construídas casas deste tipo no século XV e, apesar de já terem sido muito abundantes na cidade, hoje restam apenas três exemplares. Num deles encontra-se o Museu Espanhol de Arte Abstracta. No entanto, existem muitos mais edifícios onde se pode observar este tipo de construção arrojada. A cidade antiga é dominada por construções medievais, destacando-se a Catedral de Cuenca. Esta catedral não foi construída. Foi-se construindo, consoante a situação económica da cidade. Isso é evidente ao observador pela notória presença de vários estilos arquitectónicos. Apesar disso, ficou por terminar e alguma da sua graça também se deve a isso.

Catedral de CuencaEm Cuenca não foi só a dimensão histórica que me agradou. Também a gastronomia local me deixou muito agradado. Num dos restaurantes locais, onde os conquenses se juntavam para as típicas tapas, provámos algumas das especialidades da região, enquanto notávamos como podem ser tão diferentes os hábitos de dois povos tão próximos. Mesmo sendo vizinhos e hermanos, são muito evidentes as diferenças culturais e sociais entre os dois povos. Um dos motivos que tornam as viagens mais interessantes é, precisamente, a existência dessa diferença e diversidade de culturas.