Monthly Archives: September 2006

Salamanca

Na digressão pelas cidades espanholas classificadas pela UNESCO como património da Humanidade, foi Salamanca a Salamancaprimeira a ser visitada. Pessoalmente, tinha a ideia de que se tratava de uma cidade de média dimensão (o que se confirmou) e com um grande património histórico e arquitectónico. No entanto, este último aspecto superou completamente as expectativas criadas. No centro histórico da cidade proliferam com enorme abundância as igrejas, os conventos, os palácios, as torres e as catedrais! Sim, porque Salamanca dá-se ao luxo de ter duas imponentes catedrais. Além de tudo isto, merecem especial referência a Universidade e a Plaza Mayor, monumentos mais representativos da cultura e vivência salamantinas.

A Universidade de Salamanca é a mais antiga da Península Ibérica e uma das mais antigas do mundo. Foi, durante séculos, o maior centro cultural de Espanha e por ela passaram alguns dos mais notáveis elementos da cultura ibérica. De entre eles destacou-se Miguel de Unamuno, um dos maiores escritores espanhóis, que foi Reitor desta Universidade por três vezes. Também Pedro Nunes, o maior matemático português, estudou em Salamanca. Justamente na época em que Pedro Nunes láPlaza Mayor estudou, o Papa Gregório XIII encarregou um grupo de matemáticos desta Universidade de elaborar um calendário rigoroso. Desse estudo veio a resultar o Calendário Gregoriano que hoje é universalmente usado.

Merecem ainda destaque nesta cidade as inscrições patentes nas paredes, a indicar o nome da rua, do estabelecimento, ou outro motivo de interesse. Além de um lettering muito característico, destaca-se principalmente a sua cor. Estas inscricões são pintadas usando sangue de boi, contrastando assim com a cor amarelada da pedra.

Férias: Património da Humanidade

As férias de Verão de 2006 foram passadas uma vez mais por Espanha. Depois de 2004, quando fomos visitar algum do melhor património natural do país vizinho – Picos de Europa e Pirinéus – desta vez optámos pelo património histórico. Para isso elaborámos um percurso por algumas cidades classificadas pela UNESCO como Património da Humanidade. Nessa categoria visitámos as cidades de Salamanca, Ávila, Segóvia, Alcalá de Henares, Cuenca e Toledo. Os planos iniciais também incluíam Córdoba e Cáceres, mas a escassez de tempo não o permitiu. Além das cidades atrás referidas, também visitámos algumas localidades mais pequenas, mas com vários pontos de interesse. Nessas podemos incluir Ciudad Rodrigo, Guadalajara e Tarancon. Fora do programa estavam El Escorial, San Ildefonso de La Granja e Aranjuez, mas devido à proximidade com os locais planeados, foram incluídos no roteiro. Em boa hora o fizémos! Justificaram plenamente a visita.

Vale dos CaídosA acrescentar a esta dose industrial de cultura, juntou-se a não menor dose de aventura própria do capismo e das longas viagens. Globalmente, os campings foram de boa qualidade, o que, de certa forma, se reflectiu nos preços. Mesmo assim, por melhores que sejam as condições oferecidas, não deixámos de dormir no chão! As refeições eram de enorme qualidade e variedade (massa com atum, massa com salsichas, massa com atum, massa com salsichas, …)! O cozinheiro (moi même) também não era mau de todo! Ou seja, mesmo não tendo sido perfeitas, estas férias até podiam ter sido bem piores! Para ilustrar tudo isto, podemos conferir a energia do grupo nesta foto que foi intitulada de Vale dos Caídos (um dos monumentos que, infelizmente(!!!), não visitámos). Foi tirada no último dia, num dos jardins de Aranjuez.

Keith Jarrett

Numa Keith Jarrettépoca em que o ruído domina os nossos dias, o silêncio pode valer muito, mas vale incomparavelmente mais se perturbado pela música de Keith Jarrett. Vagueando entre a música clássica e o jazz, trata-se de um dos maiores talentos musicais do século XX, destacando principalmente na arte da improvisação, onde atingiu o limite da perfeição no memorável Concerto de Colónia. Apesar do brilhantismo desse álbum, o meu preferido é "The melody at night with you" (1999), onde, sozinho ao piano, Keith Jarrett faz interpretações sublimes de alguns standards do jazz. A calma que emana deste álbum faz com que escutá-lo se transforme quase num exercício de meditação. Tudo parece perfeito!

The melody at night eith youMesmo tendo acompanhado ao piano alguns dos deuses do jazz, como Art Blakey, Charles Lloyd ou Miles Davis, o seu estilo ao piano é diferente de tudo o que tinha existido antes. O mesmo não se passou depois, devido à influência que o seu estilo provocou noutros pianistas. Nos últimos anos tem espalhado pelo mundo a excelência da sua música principalmente através do seu trio, onde é acompanhado pelo baixista Gary Peacock e pelo baterista Jack DeJohnette. Apesar do inegável valor destes conjuntos musicais, a minha preferência vai para os seus discos a solo, especialmente o que mencionei atrás – "The melody at night with you"