Monthly Archives: August 2006

Caminho de Santiago em bicicleta

A Caminho de Santiago

A minha grande aventura deste Verão decorreu entre os dias 8 e 10 de Agosto. A ideia já tinha uns tempos, mas existiam alguns receios de a concretizar. O único que teve um grau de loucura semelhante ao meu foi o Nelson, que desde o princípio se mostrou entusiasmado com a ideia. Depois de alguns treinos, mais ou menos intensivos, decidimos fazer-nos ao Caminho.

O trajecto que escolhemos ligava São Tiago de Carapeços a Santiago de Compostela, tendo ainda que passar por Barcelos para perfazer os 200 kms exigidos para obtenção da Compostela (documento que atesta a realização do Caminho de Santiago). O Caminho foi pensado para os peregrinos a pé e, como tal, os que o fazem em bicicleta têm algumas dificuldades acrescidas. Existem sítios em que não podemos ir em cima da bicicleta, nem sequer ao lado. Temos de ser nós a carregá-la! Não é de todo injusto, porque as bicicletas também sofrem muito com o caminho.

O Nélson e eu em SantiagoNo primeiro dia ligámos Carapeços a Redondela (Espanha), destacando-se nesta etapa a dureza do percurso entre Ponte de Lima e Valença. Talvez fosse o troço mais bonito, mas não deu para apreciar muito. Fizemos cerca de 120 kms mas a recuperação física foi facilitada pelo excelente jantar e pelas boas condições do albergue de peregrinos local.

No segundo dia ligámos Redondela a Santiago, onde chegámos a meio da tarde. Foram cerca de 90 kms, menos duros que os anteriores mas com algum cansaço acumulado. No entanto, a sensação de objectivo cumprido, na chegada à Catedral de Santiago, faz esquecer todo o esforço. Pelo meio, ainda houve tempo para uma queda e um furo (tudo para mim, claro!), mas sem grandes consequências. Depois fomos levantar a Compostela e procurar o Seminário Menor, onde ficámos alojados. Só foi pena não conseguirmos visitar a Catedral, pois já estava fechava quando lá voltámos, depois de termos ido ao Seminário Menor marcar as dormidas.

Chegada de SantiagoÀ noite concluímos que não estávamos muito cansados e decidímos que, no dia seguinte, íamos tentar fazer o regresso todo num único dia. Dado que viríamos por estrada, o ritmo seria mais elevado, mas eram muitos quilómetros. Saímos cedo e ao fim de 3 horas estávamos a lanchar em Pontevedra, sendo que 3 horas depois já estávamos a almoçar em Valença. Pelo meio ainda fizémos cerca de 20 kms por auto-estrada (por engano!). Às 5h30 já estávamos em casa. Foram mais de 180 kms em que o nosso maior adversário foi o imenso calor que se fazia sentir.

Em resumo, foi uma grande aventura que despertou a vontade de outras ainda maiores. Ficou a ideia de fazer o Caminho Francês de Santiago. Vamos ver se a ideia se mantém ou se é passageira, mas certamente existirão novas loucuras do mesmo género!

Ida a São Bento a pé

Depois de uma grande aventura e alguma loucura que
foi a ida a Santiago de Compostela em bicicleta, que brevemente
comentarei aqui, voltei a meter-me ao caminho. Desta vez o destino era
São Bento da Porta Aberta (Rio Caldo – Terras de Bouro), junto à Serra
do Gerês.
Inserido num grupo de 11 carapecenses, partimos pouco
depois das 5 horas da tarde. Ainda me sentia cansado quando saímos, mas
à medida que fomos andando e os músculos aqueceram, a caminhada
fazia-se melhor. A primeira dificuldade Ida a pé a São Bentoera
o Monte de São Lourenço, em Alheira, que se ultrapassou sem qualquer
dificuldade. Quase sempre por caminhos ou estradas secundárias,
seguímos até Oleiros (Vila Verde), onde fizémos uma pausa para jantar.
A paragem fez arrefecer os músculos e começaram a sentir-se as dores. A
cada paragem que se fazia, quando voltávamos a arrancar notava-se cada
vez mais o desgaste. Por volta das 5 horas da manhã, eu e o David
tomámos a decisão de não parar mais até final. Estávamos perto de Santa
Maria de Bouro e a partir daí era sempre a subir. Enquanto era a subir
estávamos a andar muito bem (e foi mais de uma hora, sempre a subir). O
pior, no entanto, estava para vir! A descida final, que demorou cerca
de 40 minutos a fazer, foi um enorme sacrifício. À medida que íamos
descendo, as dores musculares aumentavam. Foi já em  grandes
dificuldades que chegámos à igreja. Aí chegados (cerca da 7:40), depois
de agradecer ao São Bento, tomámos o pequeno-almoço e, dado que
trazíamos um grande avanço do resto do grupo, decidímos descansar um
pouco. O pior no entanto estava para vir! Depois de sentar, foi muito
doloroso voltar a andar. As pernas simplesmente não respondiam!
Em
resumo, foi uma dura jornada. Quanto ao percurso, não deu para apreciar
muito já que grande parte foi feito de noite, mas pareceu-me ter
algumas partes bem interessantes.
Depois disto, nada melhor que uns dias de descanso na calma de Penedones (Montalegre) e arredores.