Maratona dos 5 cumes – 2012

5 cumes

Um ano depois, de volta aos 5 cumes, para verificar o estado das pernas. Apesar deste ano não ter investido muito tempo no BTT, nos últimos tempos dei algumas pedaladas para não fazer má figura neste "tradicional" evento cá do burgo. Também foi necessária uma grande operação de "restauro" da bicicleta – a idade não perdoa, nem nas máquinas.

Assim, com as pernas e a bicicleta num estado minimamente aceitável rumamos ao Estádio Municipal, onde começava e terminava mais uma grande aventura pelos caminhos do concelho. A meteorologia também quis participar e logo em grande! Durante a noite choveu torrencialmente, mas a manhã parecia apresentar condições razoáveis para andar por montes e vales. Ainda coloquei a hipótese de não ir, mas alguém se lembrou de me devolver o impermeável no dia anterior e, como tal, não tinha desculpa para não participar. Por isso, só restava uma opção: pés ao caminho e toca a pedalar!

Ainda junto ao estádio, à espera da partida, fomos presenteados com uma forte chuvada que serviu de aviso para o que se seguiria. O arranque decorreu com a habitual lentidão e os primeiros quilómetros em estrada decorreram em bom ritmo. Quando entramos nos caminhos que nos levaram aos montes mais altos da zona começaram as verdadeiras dificuldades. Além das muitas e difíceis subidas, as dificuldades abundavam e não davam qualquer momento de descanso. Nem nas descidas! A lama era tanta e o mau estado de alguns caminhos fez com que até as descidas fossem complicadas. Apesar de tudo isso, os primeiros três cumes fizeram-se com alguma naturalidade e quando cheguei à bifurcação onde optávamos pelos três ou pelos cinco cumes tinha algumas dúvidas na opção a tomar. Ora, em caso de dúvida escolhe-se a opção mais fácil. Desta vez não! É para os cinco!

Se até meio as dificuldades foram sendo superadas com maior ou menor dificuldade, a partir do meio, as dificuldades aumentaram e muito. Os caminhos tinham cada vez mais lama, o tempo cada vez mais instável, com fortes aguaceiros e muito vento, e as pernas a começarem a dar sinais de cansaço. E não eram as únicas! As descidas muito técnicas e com muita pedra foram massacrando os braços e ombros que já se ressentiam mais que as pernas. E até os travões já tinham visto melhores dias. As últimas descidas foram feitas com mais velocidade do que o recomendado, mas já não havia material nem clarividência para mais. Os últimos quilómetros foram custosos e o facto de ter passado perto de casa ainda me fez pensar em algo, mas por tão pouco, não valia a pena deixar tamanha empreitada por terminar. Assim, cerca de sete horas depois de arrancar, estava de volta ao local de partida e com mais algumas histórias para contar. E para o ano há mais!

Maratona dos 5 Cumes – 2011

Após um ano de ausência, provocado pelo temporal registado no ano anterior, regressei à mais emblemática prova de BTT da região. Para mim e para muitos outros entusiastas das bicicletas, é o ponto alto da época, motivando uma preparação especial e mais afincada. Dado que este ano a bicicleta tem saído pouco de casa, foi necessário algum treino intensivo para estar à altura do desafio. Assim, em Agosto e início de Setembro, sempre que a agenda o permitia, fazia uns treinos mais rigorosos. A bicicleta é que não gostou tanto desses esforços, ainda mais quando já não estava habituada a tal. Não foi por isso de estranhar que começasse a dar sinais mais que evidentes de desgaste. Claro que a idade, a quilometragem e os maus tratos que sofre (:-/) também contribuíram para isso. Uns dias antes da maratona a corrente cedeu e a pedaleira e restantes acessórios manifestaram sinais evidentes de desgaste. Uma ida às "urgências" resolveu temporariamente a situação e deixou-a em condições mínimas de desempenho.

Já desabituado destas andanças, lá me dirigi para o Estádio Cidade de Barcelos, onde seria dada a partida. Mesmos chegando cedo e dirigindo-me logo para a grelha de partida, já tinha largas centenas de entusiastas à minha frente. Uns minutos depois, tinha outros tantos ou mais atrás de mim. O arranque decorreu normalmente e os primeiros quilómetros, feitos em estrada, foram bastante rápidos e acessíveis. Quando entramos no monte começaram verdadeiramente as dificuldades. Além das irregularidades do terreno, o principal entrave ao bom decurso da prova estava na máquina. Para alguém que usa preferencialmente andamentos médios e pesados, o facto de não poder usar o prato médio na frente tornava pequenas subidas em curtos e potentes sprints ou em pedaladas demasiado leves que pareciam transformar uma pequena rampa numa interminável subida. Procurando ajustar os ritmos às características do terreno e sem abusar do físico e da máquina foram-se cumprindo os primeiros quilómetros.

Na descida de São Gonçalo aconteceu o único percalço do dia. Numa escolha errada de trilho, entrei numa vala e vi o chão aproximar-se muito rapidamente. Não cheguei a testar a dureza do solo, mas ouvi um estrondo na roda traseira, resultante da pancada que esta deu ao atravessar a vala. Parei, pensando que tinha rebentado o pneu e para verificar os estragos. Afinal foi só ruído e uma boa quantidade de ar que se escapou do pneu traseiro, mas sem mais quaisquer danos. Se até aí já tinha que ter cuidados com a máquina, a partir desse ponto os cuidados foram redobrados, principalmente nas descidas onde, devido à pouca pressão de ar, a roda traseira tentava curvar mais do que o necessário. A partir daqui, até ao final, tratou-se de um passeio calmo, dedicado a apreciar o percurso e os agradáveis abastecimentos, chegando ao final sem grande desgaste mas com satisfação pelo objectivo alcançado.

Caminho Português de Santiago – Dia 3: Porriño – Santiago de Compostela

O Albergue de Peregrinos de Porriño tinha as condições mais que necessárias para um bom descanso, mas isso não se verificou. O ciclista português que pernoitou no beliche do lado dormiu muito bem, mas foi o único. Não se pode dizer que ele ressonava – ele roncava e com um nível bem considerável de décibeis. Foi uma noite complicada para todos (menos um), mas o dia prometia ser longo e, por isso, o melhor era arrancar bem cedo. Assim o fizemos e as primeiras pedaladas do dia foram dadas com temperaturas bem baixas, que se deixaram de sentir quando o relevo começou a fazer-se notar – o que não demorou nada. De Porriño a Redondela as subidas sucediam-se e algumas não eram nada meigas.

caminho_santiago_2010_canicouva.JPGAntes da chegada à “metrópole” Pontevedra, ainda existem alguns locais dignos de destaque. A pequena localidade de Pontesampaio impressiona logo à entrada. A ponte romana sobre o rio Verdugo é um belíssimo postal e o emaranhado de ruas pelo interior do povoado, onde se sucedem rampas com desníveis incríveis, são aspectos marcantes desta passagem. Pouco depois, após uma incursão por entre campos e montes, surge mais um dos monumentos emblemáticos do Caminho: a Calçada Romana de Canicouva. Mais uma enorme dificuldade para quem segue, ou tenta seguir, sobre duas rodas. A aproximação a Pontevedra leva o caminho e percorrer algumas estradas municipais e nota-se o movimento de uma grande cidade, não só pelo acréscimo de trânsito, mas também na dificuldade em descortinar as omnipresentes setas amarelas.

CS2010_Pontevedra1.JPGÀ saída de Pontevedra aproveitámos para um pequeno lanche e planear o resto do dia. Concluímos que se o ritmo se mantivesse assim, era perfeitamente normal chegar a Santiago nesse dia, a horas bem razoáveis. Nesta fase, o Caminho atravessava alguns bosques e cruzava pequenos ribeiros, não existindo dificuldades muito acentuadas em termos de relevo. Pouco depois do meio-dia chegávamos a Caldas de Reis, onde parámos mais demoradamente para almoçar. Nesta localidade já se sentia a proximidade de Santiago. O número de peregrinos ia aumentando à medida que íamos progredindo, mas aqui notou-se mais claramente. Pouco depois do almoço havia uma enorme fila à entrada do albergue local. Como tencionávamos terminar nesse dia, seguímos caminho. Mais umas pedaladas e mais uma mudança de cenário. Agora eram as vinhas a ladear o Caminho. Pequenos carreiros por entre vinhas que começavam a amadurecer trouxeram novos cenários e aromas ao percurso. O momento mais agradável do dia veio logo de seguida, quando fomos surpreendidos por um espectacular single-track, com um excelente piso, sob um arvoredo refrescante, feito a grande velocidade. No final parámos e foi por pouco que não voltámos atrás para repetir.

CS2010_Pontevedra.JPGA última paragem desta longa etapa – cerca de 100 kms – seria em Padron (terra dos pimentos). Uma pausa para um gelado e ganhar força para o final. Um pouco antes, o meu pneu traseiro, que já vinha perdendo algum ar desde o início, começou a fazer-se notar. Primeiro apareceu um “abcesso” que depois de “lancetado” permitiu continuar até encontrar um posto de abastecimento de combustível onde foi bem enchido (demais até!). Com o excesso de pressão, o pneu ganhou um novo inchaço que rebentou e fez com que o pneu perdesse ar ainda mais rapidamente. Assim, no fim do gelado, o pneu estava completamente vazio. Foi enchido manualmente e deu para andar apenas mais uns metros. Numa fonte, junto ao mosteiro de A Esclavitude, improvisámos um pouco e trocámos as rodas traseiras, para ver se, com menos carga, o pneu aguentava até Santiago. Não resultou e, a cerca de quinze quilómetros do destino, tínhamos um problema sério a resolver.

caminho_santiago_2010_obradoiro.JPGCom a meta à vista, arranquei com a carga rumo ao Obradoiro e o Miguel faria os quilómetros finais a pé. Este infortúnio tornou o final de um dia, que até aí tinha sido fantástico, num verdadeiro suplício. Ao fim da tarde, já depois de, sem sucesso, ter procurado dormida em Compostela, procurámos uma solução para descansar ao fim de tão longo dia. Já caía a noite quando chegamos ao albergue do Monte do Gozo e, após mais uma série de peripécias, lá conseguimos encontrar um colchão e relaxar um pouco o corpo fatigado. Desta vez sempre deu para descansar um pouco mais. O cansaço era maior e o “roncatório” era (um pouco) menor. Com tantos momentos a marcar uma longa aventura, esta jamais será esquecida. E, possivelmente, quando as recordações já não forem tão fortes, será algo a repetir. É só juntar um pouco de coragem e loucura e meter novamente os pés ao Caminho. Talvez a próxima seja mesmo assim, apenas com os pés ao caminho. A ver vamos…

Caminho Português de Santiago – Dia 2: Carapeços – Porriño

Ponte de LimaO amanhecer prometia um belo dia de Verão e a etapa-rainha do Caminho Português esperava-nos! No dia anterior tinha sido um prólogo apenas para verificar o estado das pernas e da máquina. Agora começava o caminho a sério! E para começar bem, o melhor era começar cedo. Assim, às 7h já estávamos prontos para partir, desta vez em duo e bem carregados. Arrancámos em bom ritmo e, cerca de uma hora depois, estávamos a entrar em Ponte de Lima através da magnífica Avenida dos Plátanos. Apesar de ter muito para ver, como já conhecíamos bem a vila, não parámos muito tempo. Só o necessário para as habituais fotos e para encher o meu pneu traseiro que teimava em perder ar.

A passagem do rio Lima marca a entrada na parte mais interessante e mais dura do Caminho Português. Logo após a saída da vila o percurso começa a ser feito alternadamente em estradas secundárias, praticamente sem movimento de veículos, em caminhos rurais e em carreiros estreitos. Nesta fase do percurso notou-se uma grande diferença para as anteriores: o número de peregrinos era notoriamente superior. Grande parte deles opta por iniciar o seu caminho em Ponte de Lima. Esta presença mais assídua de caminhantes no percurso permitiu destacar a importância da aquisição mais importante para esta viagem: a campainha! Constantemente usada para alertar os peregrinos da nossa aproximação, este pequeno instrumento foi de uma utilidade extrema pelo tempo e esforços desnecessários que nos poupou.

Labruja - RubiãesOs quilómetros iam-se acumulando e a aproximação à mítica subida da Labruja fazia crescer o entusiasmo. Para abordar convenientemente esta dificuldade, fizemos uma pequena pausa antes da subida para descansar um pouco as pernas e recuperar algumas energias. A partir dessa paragem foi pedalar um pouco e carregar (muito) a bicicleta. As subidas sucedem-se e, se as primeiras são difíceis, as seguintes são cada vez piores. São muito íngremes e com um piso muito irregular. Se para quem caminha são complicadas, para quem carrega a bicicleta são quase brutais. Para minha sorte, alguém perdeu os óculos pelo caminho e não estava com muita vontade de os recuperar. Eu voluntariei-me para os procurar e com isso ganhei o direito a fazer a subida duas vezes (mas muito mais leve, pela troca de bicicletas). Terminada a subida, foi tempo de recuperar o fôlego e iniciar uma fantástica descida até Rubiães. Decididamente, esta é a parte mais marcante do percurso, tanto pela dureza da subida como pela espectacularidade da descida. A bárbara agressão de que fui alvo por parte de uma pedra pouco satisfeita por ter sido atropelada, foi o preço a pagar por tanto entretenimento.

Rio Minho - Valença - TuiUltrapassada a maior dificuldade do dia, era altura de uma nova pausa, desta vez maior, para o almoço. Um pequeno restaurante já na chegada a Valença foi a escolha para o efeito. Depois de reconfortado o estômago, arrancámos novamente e pouco depois já estávamos em solo espanhol. A travessia da ponte sobre o rio Minho é outro dos pontos de destaque, pelo seu simbolismo e pelas vistas que proporciona, quer de Valença, quer de Tui. Já no lado “estrangeiro”, somos surpreendidos com uma sucessão inesperada de rampas e escadarias dentro do centro histórico de Tui. A partir de Tui, o relevo deu-nos algum descanso, sendo o percurso maioritariamente plano, com partes muito agradáveis, cruzando pequenos rios através de caminhos serpenteantes no interior de bosques de uma agradável frescura e beleza. Também há partes menos interessantes, como as monótonas e intermináveis rectas do Polígono Industrial de Porriño.

CS2010_Tui2.JPGChegados a Porriño fizemos mais uma pequena pausa para fotos e descanso e ainda para planear o resto do dia. Já passava do meio da tarde e tínhamos de decidir onde terminaríamos o dia. Os planos apontavam para Redondela para as etapas ficarem equilibradas em termos de distância. No entanto, no albergue de Porriño fomos informados da escassez de vagas em Redondela. Como o albergue nos pareceu agradável e ainda tinha muitas vagas, optámos por este para pernoitar. Assim, depois de um grande dia de viagem, um banho refrescante e um delicioso jantar, era tempo de recolher aos dormitórios e descansar o máximo. O dia seguinte não aparentava ser mais fácil que este.

Caminho Português de Santiago – Dia 1: Porto – Carapeços

caminho_santiago_2010_007.JPGO dia começou com a viagem de carro para o Porto, onde chegamos por volta das 9:30. Depois de montar a bicicleta e arrancar em direcção à Sé Catedral, foi feito o necessário carimbo das credenciais. Após as fotos da praxe, para documentar a partida, teve então início a aventura rumo a Santiago. Os primeiros metros são assustadores para quem o faz sobre duas rodas. Uma sucessão de descidas vertiginosas, por entre ruas estritas com muitos degraus pelo meio, requerem grande atenção e alguma perícia. Como normalmente acontece nestes casos, a uma grande descida segue-se uma custosa subida, aqui agravada pelos peões e veículos que fazem uso regular da vias labirínticas do centro histórico da cidade. Antes de deixar a Invicta para trás, ainda figuram no roteiro mais alguns monumentos de relevo, destacando-se naturalmente a Torre dos Clérigos.

Após uma parte inicial animada pelas ruas e monumentos portuenses, o percurso torna-se menos interessante. As setas amarelas surgem a bom ritmo mas, devido ao carácter urbano do percurso, estão muitas vezes ocultadas por veículos ou outros objectos. Esta busca pelas setas orientadoras e o grande fluxo de trânsito típico dos arredores de uma grande cidade tornam este segmento do percurso no menos interessante do todo o caminho. Até passar Vilarinho, já perto de Vila do Conde, anda-se sempre em estradas, maioritariamente secundárias, mas relativamente movimentadas. Até chegar a Rates o cenário não se altera muito e, por isso, esta parte faz-se num curto espaço de tempo. Na vila de Rates já se justifica uma paragem mais demorada para apreciar o histórico e bem conservado casco urbano e até para uma visita ao Albergue de Peregrinos. À saída desta localidade atravessa-se pela primeira vez uma boa extensão de caminho rural por entre montes e terras de cultivo e fica-se com uma ideia do que será o caminho daqui em diante. Assim se chega até Pedra Furada, onde se volta a recorrer a estradas secundárias para chegar até Barcelos.

BarcelosA chegada a Barcelos é um dos pontos marcantes do Caminho. A entrada pela Ponte Medieval e o conjunto de monumentos que se segue, incluindo a Igreja Matriz e o Paço dos Duques, bem como o centro da cidade, convidam a uma paragem mais demorada, que até pode ser aproveitada para almoçar. Dado que já conhecia bem o local, e como não estava longe de casa, optei por seguir caminho e almoçar em casa. Antes ainda segui pelo Caminho até à Casa da Recoleta (o novíssimo albergue de peregrinos, em Tamel S. Pedro Fins). Esta última parte, feita novamente por caminhos em terra, quase sempre a subir, foi a parte mais dura do primeiro dia, mas nada de muito relevante.

Assim estava concluída a primeira etapa, sem grande esforço, até porque os alforges ficaram em casa e só seriam usados a partir do segundo dia. Nesta etapa não deu para sentir muito o espírito do Caminho pelo reduzido número de peregrinos com que me cruzei, o que também teve a ver com a extensão mais curta da mesma e o pouco tempo que demorou a realizar. Foi uma espécie de aquecimento para as duras etapas dos dias seguintes.

Caminho Português de Santiago – 2010

O regresso aos Caminhos de Santiago foi feito onde tudo começou há quatro anos atrás: no Caminho Português de Santiago. Porém, desta vez o percurso foi um pouco mais extenso. Em vez de começar bem perto de casa, optei pelo Porto para iní­cio da jornada. Junto à  Sé Catedral do Porto arranquei para uma longa aventura que ultrapassou os 250 kms. Para mim era a terceira experiência do género, mas com várias diferenças para as anteriores. As mais notórias foram a companhia – em vez do Nélson, foi o Miguel – e a companheira – a Withney foi substituída pela Trek. Apesar de algumas peripécias e imprevistos, o balanço final é bastante positivo e já se esboçam planos para novos empreendimentos do mesmo tipo.

Caminho de Santiago 2010Dado que a primeira vez que fiz o Caminho não tinha sido muito longínqua, ainda me recordava razoavelmente bem do percurso, em particular de alguns sítios e localidades mais interessantes. O trajecto principal mantém-se apenas com algumas ligeiras variações no percurso, sendo as mais notórias ao nível do piso. Alguns troços que antes eram em terra ou em empedrados muito irregulares foram repavimentados em alcatrão ou cimento, diminuindo consideravelmente o ní­vel de dificuldade dessas partes. O percurso é feito maioritariamente em caminhos rurais e estradas secundárias, sendo pouco frequente encontrar outros veículos em pleno percurso, à  excepção das passagens pelas localidades. Relativamente às edições anteriores verificou-se uma pequena mas valiosíssima inovação: uma campainha. A utilização deste pequeno acessório poupou-nos muito tempo e muitos esforços quando era necessário avisar os peregrinos da nossa aproximação e passagem.

O Caminho Português continua a apresentar excelente sinalização, sendo praticamente impossí­vel alguém se perder. As únicas excepções a esta regra são as passagens por algumas localidades espanholas de maior dimensão, onde as setas amarelas se encontram menos expostas ou obstruídas por outros elementos. O percurso completo foi realizado em três etapas, sendo esta distribuição a ideal. Contudo, é possí­vel efectuá-lo num par de dias, embora neste caso não se possa usufruir do muito que o Caminho nos oferece.

Caminho Português de Santiago – Dia 1: Porto – Carapeços

Caminho Português de Santiago – Dia 2: Carapeços – Porriño

Caminho Português de Santiago – Dia 3: Porriño – Santiago de Compostela

Orquestra Ligeira do Exército

Cerca de dois anos após a última visita, voltei ao Theatro Circo. Desta vez, o objectivo era rever a Orquestra Ligeira do Exército  (OLE). Já os tinha visto anteriormente em duas ocasiões. A primeira foi em Vale de Cambra e, se não me engano, estávamos em 1993. A segunda vez que assisti a um espectáculo da OLE foi no Coliseu do Porto há cerca de cinco anos. Apesar do tempo que passou entre cada concerto, ainda recordo bastantes pormenores dos mesmos. Sei que, pelo menos um elemento (mas talvez sejam mais), ainda se mantém desde o primeiro concerto que assisti. A formação têm-se mantido mas, naturalmente, tem-se assistido a uma renovação dos elementos que a compõem. Se há vinte e tal anos era a única big band do paí­s, hoje, felizmente, já são em número significativo. Contudo, a OLE não manteve a qualidade que possuí­a nessa altura: melhorou-a. E muito!

Orquestra Ligeira do ExércitoA nível de repertório, o estilo também se mantém, mas aparecem novas músicas ou versões diferentes de músicas que já fazem parte do “património” da OLE. Neste concerto ouviram-se temas muito diversificados, passando por clássicos do swing, como “Mack the Knife”, temas da época dourada da música ligeira portuguesa (Paulo de Carvalho ou Fernando Tordo), versões swingadas de fados de Carlos do Carmo, música tradicional portuguesa (enriquecida com magní­ficos arranjos de orquestra), grandes nomes do rock, como os ABBA, os Queen ou Phil Collins, e até a controversa (mas talentosa) Amy Winehouse. Com esta diversidade e com a reconhecida qualidade apresentada a evidente satisfação do público era completamente natural e justificada.

A nível pessoal, é sempre uma enorme satisfação ver a OLE e, em jeito de confissão, reconheço que, em tempos, cheguei a ponderar o cumprimento do serviço militar. Não pelo sentido de missão ou pelo espírito de corpo que isso representava, mas por achar que, dentro dos meus gostos e apetências musicais, o lugar de terceiro trombone (ou trombone baixo) da OLE seria a realização máxima das minhas pretensões a ní­vel musical. Por tudo isto, espero revê-los brevemente e ficar novamente agradado.

Novo endereço

Depois de vários anos em www.helderrodrigues.com, mudei-me para um novo domí­nio. Agora estou em www.helderrodrigues.eu e por aqui devo ficar nos próximos tempos. Aqueles que me acompanhavam devem registar esta alteração e continuar a fazê-lo na nova morada. No antigo endereço mora agora um homónimo meu que é um dos melhores pilotos a ní­vel mundial: o motard Hélder Rodrigues. Para ele os desejos de muita sorte e que trate bem aquela que foi a “minha casa” nos últimos quatro anos.

Maratona dos 5 Cumes – 2009

A Maratona dos 5 Cumes vai na terceira edição e cada vez mais se torna num evento de referência na modalidade. Dado que ainda não falhei qualquer edição, esta começa a tornar-se a “prova-rainha” do meu calendário betetista. Esta edição era especial por mais um motivo particular – a data. Depois de cumpridas as formalidades habituais, na manhã de um Domingo agradável para a prática do BTT, lá estava eu incluí­do num pelotão com mais de 2000 elementos. O entusiasmo era evidente e tudo estava preparado para mais uma grande jornada. A partida foi dada atempadamente e aquele enorme emaranhado de jerseys foi-se alongando estrada fora. Com tantos participantes, os congestionamentos eram inevitáveis e, durante os primeiros quilómetros foram frequentes.

cartaz_5cumes_2009.jpgDepois de ultrapassado o primeiro cume a estrada foi substituída por trilhos maioritariamente em terra batida, mas quando estes estreitavam mais um pouco, voltavam os engarrafamentos. O mesmo aconteceu no abastecimento efectuado no segundo cume. Era realmente muita gente! Os velocistas que lutam pela classificação geral nem reparam que existem estes momentos de descontração, mas os mais “domingueiros” não desperdiçam uma oportunidade destas. Estes param demoradamente, não tanto para descansar, mas para verificar cuidadosamente a qualidade dos alimentos (em especial dos bolos)Embarassed.

Este ano a preparação não tinha sido a melhor e, como tal, a ideia inicial era fazer apenas 3 cumes. No final do segundo cume ainda me sentia muito bem e cheguei a pensar em fazer o percurso mais longo. No entanto, a longa subida para o terceiro cume denunciou algumas dificuldades e desfez quaisquer dúvidas. Depois de superar o último cume era quase sempre a descer até Barcelos, o que levou a um aumento considerável de ritmo. A parte final foi feita quase em contra-relógio e foi aí­ que aconteceu o momento decisivo. A cerca de 5 kms do final, numa descida a grande velocidade, um pau de dimensões consideráveis saltou-me para a roda traseira e partiu o suporte do desviador traseiro. O desviador ficou bastante danificado e alguns raios empenados. Infelizmente, a minha maratona terminou por ali. Pela primeira vez não terminei uma prova e cheguei ao final numa carrinha de assistência que mais parecia um autocarro, tal era a quantidade de azarados.

Apesar de ter ficado com um marco negativo em termos pessoais, esta maratona foi um dos melhores eventos em que participei e, dada a sua dimensão, era praticamente impossível a organização fazer melhor. Parabéns à  organização e aos participantes!

Por Terras do Coura

Por Terras de CouraCom os dias quentes e longos aumenta a vontade de realizar actividades ao ar livre. O BTT foi a actividade predilecta do ano anterior mas este ano temos dado preferência ao ténis. Contudo, um dos projectos por realizar do Verão passado que se encontrava em stand-by foi o escolhido para “começar a época”. A Travessia do Alto Coura é um circuito que percorre praticamente todo o concelho de Paredes de Coura. O percurso tem uma extensão de cerca de 45 kms e passa por vários pontos de interesse.
Com esse objectivo em mente, partimos em direcção aos montes e vales que envolvem o Rio Coura.

Abrindo caminhoSeguindo o conselho do prospecto disponível nos sites oficiais, começamos o percurso junto à  escola primária de Venade. Seguimos as marcações do percurso e depois de atravessar um pequeno bosque começamos a subir a bom ritmo. A meio da subida encontrámos uma sinalização pouco explí­cita (pelo menos para nós). Uma estaca de madeira tinha várias marcações. Uma parecia indicar “Caminho errado” mas outras pareciam significar precisamente o contrário. Optámos por seguir esse caminho e continuar a subir. A partir daí­ as marcações rarearam e começamos a achar que algo não estava certo. Mesmo procurando bem as marcações e analisando o mapa, algo parecia falhar. Deixámos de ver marcações e procurámos a estrada para chegar à  povoação mais próxima. Foi assim que rapidamente chegámos a Porreiras, onde voltámos a encontrar os sinais que tanto procurávamos. Seguindo as indicações fomos ter a um belo e interessante local: a Eira Comunitária de Porreiras. A partir daí seguí­mos as marcações que até estavam bem nítidas e bem colocadas. Ultrapassámos alguns troços em mau estado de circulação devido à falta de uso e pouco depois, após as quedas da praxe e mais algumas peripécias, estávamos novamente junto daquele sinal “duvidoso” do início. Foi então que percebemos que a maior parte do percurso que realizámos não era o que pretendíamos. Voltámos para trás. Desta vez seguíamos o trajecto indicado e passávamos por locais de enorme beleza paisagística. As coisas agora estavam a correr bem, mas não seria por muito tempo.

Eira comunitária de PorreirasComo vem sendo habitual de cada vez que pego na bicicleta, fui contemplado com mais um furo. Levava uma câmara de ar sobressalente, mas também já ia furada (homem prevenido…). Para melhorar o cenário, a cola que levava no kit de ferramentas evaporara-se por completo. Aproveitando a paragem forçada, recuperámos forças numa espécie de mini-piquenique em plena serra. Depois, foi altura de relembrar tempos de infância e um tal de MacGyver. Ele resolveria um problema destes com uma chiclete. Procurei qualquer coisa semelhante e encontrei uns restos de cola da mala de ferramentas. Fiz uma espécie de chiclete, colei-a no furo, enchi o pneu e este aguentou uns bons quilómetros. Deu para chegar ao carro e depois a Paredes de Coura. Com tantas peripécias, não foi possível cumprir o objectivo inicial, o que nos levará a tentar novamente nos próximos tempos. Contudo, apesar de todos os imprevistos (ou devido a tudo isso), foi um passeio memorável.