Maratona dos 5 Cumes – 2011
30 September 2011 por helder
Após um ano de ausência, provocado pelo temporal registado no ano anterior, regressei à mais emblemática prova de BTT da região. Para mim e para muitos outros entusiastas das bicicletas, é o ponto alto da época, motivando uma preparação especial e mais afincada. Dado que este ano a bicicleta tem saído pouco de casa, foi necessário algum treino intensivo para estar à altura do desafio. Assim, em Agosto e início de Setembro, sempre que a agenda o permitia, fazia uns treinos mais rigorosos. A bicicleta é que não gostou tanto desses esforços, ainda mais quando já não estava habituada a tal. Não foi por isso de estranhar que começasse a dar sinais mais que evidentes de desgaste. Claro que a idade, a quilometragem e os maus tratos que sofre (:-/) também contribuíram para isso. Uns dias antes da maratona a corrente cedeu e a pedaleira e restantes acessórios manifestaram sinais evidentes de desgaste. Uma ida às “urgências” resolveu temporariamente a situação e deixou-a em condições mínimas de desempenho.
Já desabituado destas andanças, lá me dirigi para o Estádio Cidade de Barcelos, onde seria dada a partida. Mesmos chegando cedo e dirigindo-me logo para a grelha de partida, já tinha largas centenas de entusiastas à minha frente. Uns minutos depois, tinha outros tantos ou mais atrás de mim. O arranque decorreu normalmente e os primeiros quilómetros, feitos em estrada, foram bastante rápidos e acessíveis. Quando entramos no monte começaram verdadeiramente as dificuldades. Além das irregularidades do terreno, o principal entrave ao bom decurso da prova estava na máquina. Para alguém que usa preferencialmente andamentos médios e pesados, o facto de não poder usar o prato médio na frente tornava pequenas subidas em curtos e potentes sprints ou em pedaladas demasiado leves que pareciam transformar uma pequena rampa numa interminável subida. Procurando ajustar os ritmos às características do terreno e sem abusar do físico e da máquina foram-se cumprindo os primeiros quilómetros.
Na descida de São Gonçalo aconteceu o único percalço do dia. Numa escolha errada de trilho, entrei numa vala e vi o chão aproximar-se muito rapidamente. Não cheguei a testar a dureza do solo, mas ouvi um estrondo na roda traseira, resultante da pancada que esta deu ao atravessar a vala. Parei, pensando que tinha rebentado o pneu e para verificar os estragos. Afinal foi só ruído e uma boa quantidade de ar que se escapou do pneu traseiro, mas sem mais quaisquer danos. Se até aí já tinha que ter cuidados com a máquina, a partir desse ponto os cuidados foram redobrados, principalmente nas descidas onde, devido à pouca pressão de ar, a roda traseira tentava curvar mais do que o necessário. A partir daqui, até ao final, tratou-se de um passeio calmo, dedicado a apreciar o percurso e os agradáveis abastecimentos, chegando ao final sem grande desgaste mas com satisfação pelo objectivo alcançado.

Depois de ultrapassado o primeiro cume a estrada foi substituída por trilhos maioritariamente em terra batida, mas quando estes estreitavam mais um pouco, voltavam os engarrafamentos. O mesmo aconteceu no abastecimento efectuado no segundo cume. Era realmente muita gente! Os velocistas que lutam pela classificação geral nem reparam que existem estes momentos de descontração, mas os mais “domingueiros” não desperdiçam uma oportunidade destas. Estes param demoradamente, não tanto para descansar, mas para verificar cuidadosamente a qualidade dos alimentos (em especial dos bolos)
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Com os dias quentes e longos aumenta a vontade de realizar actividades ao ar livre. O BTT foi a actividade predilecta do ano anterior mas este ano temos dado preferência ao ténis. Contudo, um dos projectos por realizar do Verão passado que se encontrava em stand-by foi o escolhido para “começar a época”. A Travessia do Alto Coura é um circuito que percorre praticamente todo o concelho de Paredes de Coura. O percurso tem uma extensão de cerca de 45 kms e passa por vários pontos de interesse.
Com esse objectivo em mente, partimos em direcção aos montes e vales que envolvem o Rio Coura.
Seguindo o conselho do prospecto disponível nos sites oficiais, começamos o percurso junto à escola primária de Venade. Seguimos as marcações do percurso e depois de atravessar um pequeno bosque começamos a subir a bom ritmo. A meio da subida encontrámos uma sinalização pouco explícita (pelo menos para nós). Uma estaca de madeira tinha várias marcações. Uma parecia indicar “Caminho errado” mas outras pareciam significar precisamente o contrário. Optámos por seguir esse caminho e continuar a subir. A partir daí as marcações rarearam e começamos a achar que algo não estava certo. Mesmo procurando bem as marcações e analisando o mapa, algo parecia falhar. Deixámos de ver marcações e procurámos a estrada para chegar à povoação mais próxima. Foi assim que rapidamente chegámos a Porreiras, onde voltámos a encontrar os sinais que tanto procurávamos. Seguindo as indicações fomos ter a um belo e interessante local: a Eira Comunitária de Porreiras. A partir daí seguímos as marcações que até estavem bem nítidas e bem colocadas. Ultrapassámos alguns troços em mau estado de circulação devido à falta de uso e pouco depois, após as quedas da praxe e mais algumas peripécias, estávamos novamente junto daquele sinal "duvidoso" do início. Foi então que percebemos que a maior parte do percurso que realizámos não era o que pretendíamos. Voltámos para trás. Desta vez seguíamos o trajecto indicado e passávamos por locais de enorme beleza paisagística. As coisas agora estavam a correr bem, mas não seria por muito tempo.
Como vem sendo habitual de cada vez que pego na bicicleta, fui contemplado com mais um furo. Levava uma câmara de ar sobressalente, mas também já ia furada (homem prevenido…). Para melhorar o cenário, a cola que levava no kit de ferramentas evaporara-se por completo. Aproveitando a paragem forçada, recuperámos forças numa espécie de mini-piquenique em plena serra. Depois, foi altura de relembrar tempos de infância e um tal de MacGyver. Ele resolveria um problema destes com uma chiclete. Procurei qualquer coisa semelhante e encontrei uns restos de cola da mala de ferramentas. Fiz uma espécie de chiclete, colei-a no furo, enchi o pneu e este aguentou uns bons quilómetros. Deu para chegar ao carro e depois a Paredes de Coura. Com tantas peripécias, não foi possível cumprir o objectivo inicial, o que nos levará a tentar novamente nos próximos tempos. Contudo, apesar de todos os imprevistos (ou devido a tudo isso), foi um passeio memorável.
Á hora prevista estávamos a levantar os dorsais e as recordações e prontos para a partida. No entanto, esta atrasou-se um pouco e só aconteceu bem próximo das 10:30h. Nessa altura o calor já se fazia sentir e as perspectivas eram de muito calor. O arranque foi dado e o grande pelotão dirigiu-se logo para o Monte de Santa Luzia. Apesar de longa, esta subida feita em estrada não é das mais difíceis e serviu para alongar um pouco o pelotão, diminuindo os engarrafamentos nas partes mais complicadas. Depois de passar o Santuário, o percurso ainda subia mais um pouco até uma viragem á esquerda onde começaram os trilhos em terra batida que se mantiveram quase até final. Estes foram bem escolhidos mas, devido ao calor, estavam muito secos e gerava-se muito pó, principalmente nas descidas mais rápidas.
Helder Rodrigues





